Israel e Hamas chegam a acordo de cessar-fogo e libertação de reféns
O acordo de cessar-fogo, que inclui a libertação de reféns e a entrada de
ajuda humanitária na Faixa de Gaza, pode levar a retirada de tropas e
retorno de refugiados a suas casas.
Palestinos aguardam resultado de negociações de cessar-fogo em Khan Yunis,
sul de Gaza, nesta quarta
Após intensas negociações mediadas pelo Catar, Israel e o Hamas
fecharam um acordo de cessar-fogo, que inclui a libertação de reféns e a
entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. A notícia foi confirmada
nesta quarta-feira (15) pelo gabinete do primeiro-ministro israelense,
Benjamin Netanyahu.
O acordo ocorre 15 meses após o início do conflito em outubro de 2023,
que resultou na captura de 251 reféns pelo Hamas. Destes, 94
permanecem em Gaza; acredita-se que 60 estejam vivos.
A data de início foi definida para o dia 19, domingo próximo, de acordo
com uma alta autoridade de um dos países mediadores e duas altas
autoridades israelenses. O acordo precisa ser formalmente ratificado
pelo gabinete israelense, de acordo com as autoridades. Também há
detalhes técnicos que precisam ser trabalhados. Duas outras autoridades
disseram que houve uma disputa de última hora sobre a fronteira Egito-
Gaza, que atualmente é controlada por forças israelenses.
O gabinete de Netanyahu deve votar o acordo nesta quinta-feira (16),
sob pressão contrária da ultradireita do governo. A primeira fase da
libertação de reféns está prevista para começar no domingo, enquanto
negociações para uma segunda rodada, incluindo a libertação de
homens em idade militar, devem ocorrer após 16 dias.
Para implementar o acordo, a equipe de negociação do Hamas nas
negociações em Doha, no Catar, precisa obter o consentimento dos
comandantes do grupo em Gaza, incluindo Muhammad Sinwar, cujo
irmão Yahya liderou o grupo antes de ser morto por Israel em outubro.
Os termos do acordo
Embora os detalhes finais ainda estejam em negociação, as principais
cláusulas incluem:
1. Libertação de reféns: O Hamas libertará 33 reféns, incluindo
mulheres, crianças, idosos e feridos, em troca da liberação de
cerca de 1.000 prisioneiros palestinos por Israel.
2. Cessar-fogo inicial de seis semanas: Um período de trégua
permitirá a entrada de 600 caminhões diários com ajuda
humanitária, incluindo alimentos, medicamentos e combustível.
3. Retirada de tropas israelenses: Israel começará a se retirar das
áreas densamente povoadas de Gaza, mantendo uma zona de
segurança ao leste da Faixa.
4. Reabertura da passagem de Rafah: A fronteira entre Gaza e o
Egito será gradualmente reaberta para civis desarmados e ajuda
humanitária.
Impactos humanitários
O acordo promete aliviar a crise humanitária em Gaza, onde 2 milhões
de pessoas enfrentam deslocamento, escassez de alimentos e colapso
dos serviços básicos. Com o envio de combustível, hospitais poderão
retomar operações e sistemas de água e esgoto serão reparados.
A notícia foi recebida com celebrações nas ruas de Gaza e de cidades
israelenses. No entanto, tanto o Hamas quanto o governo de Israel
destacaram que questões importantes, como a governança futura de
Gaza, ainda precisam ser negociadas.
Organizações humanitárias da ONU, já se mobilizam para implementar o
plano de ajuda, enquanto diplomatas afirmam que o acordo representa
um avanço crucial, mas frágil, para a resolução do conflito.
Com 45 mil mortos desde outubro de 2023, a esperança é de que o
cessar-fogo marque o início de um caminho para a paz duradoura,
apesar da intransigência de Israel. O acordo na mesa vem depois que
meses de diplomacia de vaivém falharam em acabar com a guerra em
Gaza, que começou depois que o Hamas lançou um ataque surpresa
contra Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e fez
250 reféns. Cerca de 105 cativos foram libertados posteriormente em um
cessar-fogo de uma semana em novembro de 2023 em troca de 240
prisioneiros palestinos.
Fonte: Vermelho

