Lula renova compromisso com cesta básica acessível e custo de vida mais barato

Em entrevista para rádios mineiras, presidente ressaltou o bom momento
da economia, mas diz que é preciso confrontar a inflação dos alimentos.

Lula ainda tratou de anistia e eleições 2026

por  Murilo da Silva

Publicado 05/02/2025 18:49 | Editado 05/02/2025 20:11

Imagem: Reprodução/CanalLula
O presidente Lula concedeu entrevista na manhã dessa quarta-feira (5)
para as rádios mineiras BandnewsFM BH, Mundo Melhor e Itatiaia. Com
os jornalistas falou sobre o bom momento econômico do país, o controle
da inflação e o trabalho para baixar a inflação dos alimentos, comentou
as ações adotadas pelo governo Donald Trump, detalho assunto da
política mineira e ainda falou sobre anistia e eleições 2026.
Veja a seguir os principais pontos da entrevista.
Economia
Na entrevista, o presidente apontou que leva o controle da inflação muito
a sério e que acredita que ela está razoavelmente controlada. No
entanto, a preocupação fica na questão dos alimentos:
“Estamos fazendo reuniões sistemáticas com os setores onde a inflação
está mais alta. Por exemplo a carne. Temos que discutir com este e os
demais setores porque estes preços cresceram tanto nos últimos 12
meses? A verdade é que em 2023 a carne caiu 30% e depois voltou a
subir. Não tem um único fator que explique os preços. O que precisamos
é tentar ajustar, porque a inflação causa muito prejuízo ao povo
trabalhador”, disse.
Ainda sobre o tema, Lula acrescentou que o reajuste que poderá ser feito
pela Petrobras, no diesel e na gasolina, deverá ser feito com alguma
forma de compensação para que não cause impacto no preço do
transporte e, consequentemente, no dos alimentos. Mesmo assim, o
presidente frisou que os preços dos combustíveis estão inferiores do que
estavam em dezembro de 2022, considerando que no período
acumulado desde então houve uma inflação de 7% a 8%.
“Nós temos consciência de que vamos baixar a inflação, baixar o custo
de vida e a cesta básica vai ficar mais acessível ao povo brasileiro,
porque é disso que o povo precisa: alimento barato, de qualidade, na
mesa. O governo inteiro está trabalhando com isso e vamos encontrar
uma solução para fazer com que esse alimento chegue na mesa do
trabalhador compatível com o seu poder”, afirmou.
Ele ainda ressaltou o bom momento econômico vivido pelo país, com
crescimento do PIB acima dos 3%, a menor taxa de desemprego já
registrada, entre outros pontos: “A economia brasileira está bem. O Brasil
está crescendo. O emprego está crescendo. A massa salarial está
crescendo. As coisas estão acontecendo, inclusive no estado de Minas
Gerais”.

Trump e deportações
Sobre a política de deportações adotada pelo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, Lula observa que, na verdade, é uma situação de
repatriação e explicou que em solo brasileiro os agentes dos EUA
responsáveis pelo transporte devem respeitar as leis e os acordos feitos,
ou seja, que as pessoas tenham seus direitos respeitados e não fiquem
presas.
De acordo com o presidente, um novo voo deve chegar na próxima sexta
(7) em Fortaleza, Ceará. O governo se prepara para receber, cuidar e
transportar estas pessoas até as suas cidades. O Itamaraty e a Polícia
Federal trabalham para ter os dados dos cidadãos transportados de
forma antecipada.
Quanto à questão da  proposta de Trump em assumir o controle da Faixa
de Gaza e promover o reassentamento forçado da população palestina ,
Lula afirmou que isto é “praticamente incompreensível” e ressaltou:
“quem tem que cuidar de Gaza são os palestinos”.
“Os EUA participaram do incentivo a tudo que Israel fez na Faixa de
Gaza. Então, não faz sentido se reunir com o presidente de Israel e dizer:
‘nós vamos ocupar Gaza, vamos recuperar Gaza, vamos morar em
Gaza.’ E os palestinos vão para onde, onde vão viver? Qual o país
deles?”.
Durante a entrevista, ao falar sobre a importância dos BRICs, falou que
“é importante que a gente não tenha preocupação com as bravatas do
Trump e a gente discuta o que é importante para nós, para o mundo. Não
é o mundo que precisa dos EUA, eles também precisam do mundo”,
criticou o líder brasileiro, ao colocar que os EUA estão se isolando do
mundo e que isso “não é importante para eles nem para o restante do
mundo.”
Minas Gerais
O presidente ainda respondeu perguntas em relação ao senador de
Minas, Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Congresso Nacional. O líder
brasileiro teceu elogios à convivência harmônica e demonstrou que
pretende apoiá-lo, caso decida concorrer ao governo mineiro, em 2026.
Inclusive Lula atribuiu a Pacheco os esforços pelo acordo de
renegociação das dívidas dos estados ( Propag ), sendo que Minas Gerais
é um dos entes com maior endividamento.

Nesse ponto, o presidente revelou estranheza que um acordo de R$ 191
bilhões de reais tenha obtido como opositor o próprio governador do
estado, Romeu Zema.
“Fizemos um acordo em que Minas Gerais deixa de pagar os juros e
determinamos que 60% do que o estado não pagar será investido em
educação, saneamento básico e habitação, para que esse dinheiro traga
benefícios diretos ao povo de Minas. E quando fico sabendo que o
governador de Minas tem feito críticas a isso e que vai recorrer para
derrubar o veto que fiz, lembro que vetei tudo o que a AGU considerou
inconstitucional. Fiz o veto de forma consciente, sabendo que ele pode
ser derrubado. O Congresso Nacional tem autonomia para isso, assim
como eu tenho autonomia para recorrer. Ou seja, é um processo normal.
O que acho é que o governador deveria, pelo menos, respeitar esse
acordo, porque fizemos algo que eles não conseguiram fazer”.
Lula continuou: “Não tenho o hábito de falar mal de governador. Ele foi
eleito pelo povo, eu fui eleito pelo povo, e nossa relação deve ser
democrática, civilizada e republicana, para que cada um cumpra sua
função. O que acho é que fizemos algo extraordinário. As pessoas
precisam lembrar que essa dívida não surgiu agora. Ela saltou de R$ 119
bilhões para R$ 191 bilhões. É o mesmo caso de Mariana: desde 2015
estava parado, ninguém negociava”, lembrou ao apontar o acordo
fechado em outubro que estabelece o pagamento no valor total de  R$
170 bilhões, que inclui R$ 38 bilhões já pagos.
Reforma ministerial e BR-381
Lula se esquivou de perguntas sobre reforma ministerial. Mas pontuou
que aguarda as decisões de Pacheco, sobre ser ministro e concorrer ao
governo, e disse que Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia,
continuará no cargo.
O mineiro Silveira estará na quinta (6) junto ao ministro dos Transportes,
Renan Filho, em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, para a cerimônia
de  concessão da BR-381/MG  que conta com investimento de R$ 9
bilhões.
Ao falar sobre a importância dessa e demais concessões para a malha
rodoviária brasileira, o presidente reforçou que os preços dos pedágios
serão baratos, pois os investidores deverão cumprir o edital e por ele já
se sabe os retornos financeiros. Portanto, a modalidade difere-se de uma
outorga (como realizada em outras oportunidades) em que os
empresários descontam todo o investimento feito no preço do pedágio.
Anistia

Quando o assunto foi anistia aos acusados de tramar golpe de Estado e
elaborar um plano para assassinar autoridades, Lula fez duras críticas
aos que pedem por anistia antes mesmo do processo legal.
“Nem terminou o processo as pessoas já querem anistia. Ou seja, eles
não acreditam que são inocentes?  Eles deveriam acreditar que são
inocentes e não ficar pedindo anistia antes de o juiz determinar a
punição. O que estamos garantindo é um processo de julgamento
altamente democrático em que eles têm todo o direito de defesa. Quando
as pessoas nem foram condenadas estão pedindo anistia é porque elas
estão se condenando”, disse Lula, ao pregar que todos os réus terão
direito de defesa, diferentemente do processo que ele mesmo sofreu e foi
julgado sem provas.
Sobre Bolsonaro concorrer às eleições: “Se a justiça entender que ele
pode concorrer às eleições, ele pode concorrer. E se for comigo vai
perder outra vez”, vaticinou.
“Eu acho que quem tentou dar um golpe, quem articulou a morte do
presidente, vice-presidente e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral
não merece absolvição. Eu digo, por muito menos do que eles fizeram,
muita gente do partido comunista foi morta. Por muito menos, muita
gente foi presa. Por menos do que fizeram o Prestes (Luís Carlos
Prestes) ficou 50 anos prestando contas à justiça”, continuou o
presidente.
“A verdade só o Bolsonaro sabe. Se ele quis dar um golpe, ele sabe que
quis dar. Por que ele fugiu para Miami? Se ele fosse um homem que não
tivesse preparado toda aquela podridão de comportamento ele teria
ficado, teria dado posse como qualquer ser humano civilizado faria.
Vamos aguardar o julgamento”, completou Lula.
Pesquisas eleitorais
Nas semanas anteriores, duas pesquisas Genial/Quaest movimentaram
o noticiário. Em uma delas é  mostrado que a taxa de desaprovação do
presidente, pela primeira vez, superou a de aprovação.  Em outra, apesar
da desaprovação,  Lula venceria todos os concorrentes em primeiro e
segundo turno.
Sobre as pesquisas Lula disse que elas ainda estão muito distantes
tendo em vista que 2025 será um ano marcado por entregas do governo
federal após passar 2 anos “arrumando o país” com : “PEC da transição”
para governar e pagar dívida do outro governo, arcabouçou fiscal e
reforma tributária.

Lula voltou a lembrar o que tem feito pela economia, emprego, salário
mínimo, entregas como as das rodovias e na questão da educação.
Neste ponto, salientou que em Minas Gerais, pelo menos 385 mil jovens
que desistiriam da escola agora podem ter acesso ao programa Pé-de-
Meia para continuarem estudando.
Somado com mais 580 mil de São Paulo e o restante do Brasil, são 4
milhões de estudantes que tem um incentivo financeiro para manterem
os estudos: “temos consciência de que somente a educação é capaz de
garantir que este seja um país desenvolvido.”
Voltando às pesquisas, Lula acredita que somente por volta de abril e
maio do próximo ano que as pesquisas estarão mais próximas da
realidade.
“Por enquanto é muito cedo para escolher candidato à presidente da
República, assim como é muito cedo querer medir a aprovação de um
governo. Eu quero ver quando chegarmos no último mês de governo e
fizermos uma comparação de tudo que foi feito no nosso governo em
comparação com o anterior e você vai perceber que, na maioria das
coisas, nós estamos fazendo em dois anos o dobro do que fizeram em
quatro anos. E quando chegar em dezembro de 2026 teremos feito o
triplo do que fizeram, pois eles não trabalharam, a não ser contar
mentira, fazer fake news. É isso que me deixa convencido que a colheita
será extraordinária neste ano de 2025”, concluiu o presidente.

Fonte: Vermelho

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