Trump “suja as mãos” ao atacar o Irã em apoio a Israel

Presidente dos EUA se coloca em conflito ao bombardear infraestruturas
do país persa, que não se intimida. Secretário-geral da ONU se diz

“gravemente alarmado”; europeus se calam

por  Murilo da Silva

Publicado 22/06/2025 11:25

Foto: Casa Branca
Depois de nove dias de ataques de Israel contra o Irã, os Estados Unidos
entraram de forma direta na guerra ao atingirem instalações nucleares do
país persa no sábado (21). O ataque evidencia o mergulho norte-
americano no apoio à causa sionista, em que o Estado judeu, após
cometer  genocídio em Gaza , pretende eliminar o que entende como
opositores no Oriente Médio.
Mísseis dos EUA acertaram infraestruturas nas cidades de Isfahan e
Natanz, que já haviam sido agredidas por israelenses, e também em
Fordow, considerado um alvo primário. Com esta ação, o presidente
Donald Trump antecipa a decisão sobre o envolvimento do país no
conflito, apesar de ter afirmado que tomaria uma decisão sobre o tema
em duas semanas. Assim, o tempo mencionado para pensar sobre a
participação nas agressões nada mais foi do que apenas um ato para
ganhar tempo diante do teatro trágico que ele mesmo encenou.
O governo do republicano sopesava as pressões internas que receberia,
uma vez que uma das promessas de campanha de Trump era não se
envolver em questões distantes de seu país, no que classificava como
“guerras inúteis”. Porém, essa promessa foi deixada de lado.
Dessa maneira, torna-se inequívoco que os EUA estavam envolvidos
neste conflito desde o cerne com Israel. Portanto, ao atacarem eles
mesmos o Irã, só reforça o que já era evidente.
O próprio Ministério da Defesa de Israel divulgou, sem maiores detalhes,
que coordenou o ataque promovido pelos norte-americanos.
Discurso
Ainda na noite de sábado, Trump fez um pronunciamento na televisão,
em que afirmou que a ação teve como finalidade acabar com o programa
nuclear do Irã. Além dos ataques já realizados, ele ameaçou os iranianos
com novos bombardeios caso não interrompam o enriquecimento de
material atômico. Com seu linguajar vulgar habitual, demonstrou mais
uma vez que trata de maneira irresponsável um assunto sério que
envolve a vida de milhões de pessoas.
Ao se referir ao Irã, chamou o país de “valentão do Oriente Médio” que
agora deve se render à sua vontade, caso contrário, novos ataques
“maiores e mais fáceis”, como disse, serão realizados. Também insistiu,
sem provas, que iranianos produziam material nuclear para fins bélicos e
de financiamento ao terrorismo, além de promoverem “morte à América e
a Israel”. No entanto, a conveniência de Trump se esquece de que os
israelenses iniciaram o conflito em que agora os norte-americanos

participam diretamente – situação que escancara seu cinismo sob os
olhares de todo o mundo.
Outro ponto enjoativo do discurso do presidente dos EUA foi quando
parabenizou o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pelos
ataques ao país persa. Ele se referiu a Netanyahu como ‘Bibi’.
A fala aconteceu na Casa Branca. Acompanhavam Trump o vice-
presidente, J. D. Vance, o secretário de Defesa, Pete Hegset, e o
secretário de Estado, Marco Rubio.
Alguns parlamentares do Partido Democrata já disseram que pretendem
reagir a Trump, inclusive com pedido de impeachment, pois para o país
entrar em uma guerra é necessária a aprovação do Congresso.
Israel agradece
Por sua vez, Netanyahu, que insistia pelo envolvimento dos EUA como
forma de respaldar seus atos genocidas e aumentar seu poderio militar,
agradeceu a Trump.
‘Bibi’ falou em decisão ousada que “mudará a história” com o ataque ao
que chamou de “regime mais perigoso do mundo”.
Reação
Os iranianos mantiveram a reação contra Israel neste domingo (22),
mesmo depois da agressão sofrida em seu território. Mísseis atingiram a
capital Tel Aviv, principalmente no bairro Ramat Aviv.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, buscava uma
negociação, em especial com países europeus, para o cessar-fogo. Mas
agora, depois dos novos acontecimentos, afirmou que o país se reserva
o direito de proteger sua soberania, pois os EUA “cruzaram uma linha
vermelha muito grande” com a traição de Trump ao Irã e aos norte-
americanos.
O chanceler conclamou a comunidade internacional e ao Conselho de
Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para
condenarem a violência cometida contra o país. Como explica, os EUA
violaram a Carta das Nações Unidas e o tratado de não proliferação
nuclear ao atingirem as instalações nucleares pacíficas do Irã.
ONU
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que na sexta-
feira (20) havia  demonstrado preocupação e pedido uma solução

pacífica  durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, lamentou o
uso da força pelos Estados Unidos contra o Irã.
Guterres disse estar “gravemente alarmado”. Ele reiterou a solicitação
“para que reduzam a tensão e cumpram suas obrigações sob a Carta da
ONU e outras normas do direito internacional”.
Enquanto isso, países europeus como França, Alemanha e Reino Unido,
que negociavam somente com iranianos uma saída sem armas (Israel se
negou a fazê-lo), até o momento se mantêm calados sobre a ofensiva
contra as instalações nucleares. Esses países são responsáveis por
parte do fornecimento bélico às forças sionistas.
Fonte: Vermelho

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