Lula assume o Mercosul e reafirma empenho por acordo com União Europeia
Líder brasileiro recebeu a presidência rotativa do grupo do argentino
Javier Milei e listou prioridades que vão do fortalecimento comercial
ao combate ao crime organizado
por Murilo da Silva
Publicado 03/07/2025 14:52 | Editado 03/07/2025 20:03
Lula e Milei. Palácio San Martín, Buenos Aires, Argentina. Foto: Ricardo
Stuckert / PR
A presidência pro tempore do Mercosul foi passada para o Brasil nesta
quinta-feira (3), em Buenos Aires, Argentina. Com isso, o presidente
Lula passa a liderar o grupo no lugar de Javier Milei, que
constantemente faz menção a deixar o bloco.
A prioridade do líder brasileiro é fechar o acordo Mercosul-União
Europeia em seis meses, portanto, durante a sua gestão. A fala foi
reiterada em postagem nas redes sociais, após o presidente fazer a
afirmação em entrevista a uma rede de TV baiana, antes da viagem
para a Argentina.
No discurso feito na sessão plenária da Cúpula de Presidentes dos
Estados Partes do Mercosul, que aconteceu antes da cerimônia oficial
de transferência de cargo, Lula pontuou cinco prioridades que terá à
frente do grupo:
fortalecimento do comércio com parceiros externos;
enfrentamento da mudança do clima e promoção da transição
energética;
ampliação do desenvolvimento tecnológico;
combate ao crime organizado;
promoção dos direitos dos cidadãos.
O presidente destaca na sua fala que o Mercosul é um “refúgio” em
um mundo “instável e ameaçador”. Na sua avaliação feita, a Tarifa
Externa Comum do grupo blinda os países “contra guerras comerciais
alheias” e que a robustez institucional conquistada permite que os
países membros sejam vistos como parceiros confiáveis, com cada
vez mais interessados em firmar negócios.
Ao pormenorizar os tópicos, observa que o fortalecimento comercial
passa pela necessidade de incluir os setores automotivo e açucareiro
na união aduaneira. A intenção visa potencializar a produção de
veículos elétricos e movidos por biocombustíveis.
Lula ainda reforça a necessidade de reativar o Fórum Empresarial do
Mercosul e comemora a conclusão das negociações com a Associação
Europeia de Livre Comércio (EFTA), considerado um passo importante
para avançar no acordo com a União Europeia: “criando uma das
maiores áreas de livre comércio do mundo”, exalta.
Acordos do Mercosul com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Panamá
e a República Dominicana também foram apontados como
prioridades, assim como a atualização de acordos com Colômbia e
Equador.
Na visão dele, o momento pede um olhar especial para a Ásia,
principalmente na aproximação com Japão, China, Coreia, Índia,
Vietnã e Indonésia.
E para estreitar a ligação com os países asiáticos, enfatiza a
importância de concluir os programas Rotas da Integração Sul-
Americana e Rota Bioceânica.
No que diz respeito às mudanças climáticas e transição energética,
lembra sobre o compromisso brasileiro em reduzir suas emissões de
gases de efeito estufa entre 59 e 67% até 2035. Ele ainda acrescenta
que a realização da COP30, em novembro, em Belém (PA), é uma
chance de a América do Sul apresentar soluções ao planeta.
Nesse aspecto, indica que na Cúpula do G7, na qual participou, um
dos temas centrais foi o acesso a minerais como segurança
energética, o que promove uma corrida por lítio, terras raras, grafita e
cobre.
Quando o assunto é desenvolvimento tecnológico, a ideia é fazer do
Mercosul um polo de tecnologias da saúde, além de atrair centros de
dados para a região como forma de garantir a “soberania digital dos
países”.
Sobre o combate ao crime organizado, Lula defende o investimento
em inteligência integrada para conter o fluxo financeiro e de armas,
visando à asfixia da indústria do crime.
Para alcançar esse objetivo, o presidente aprova a renovação
do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira , firmado em maio, e a
inauguração, em junho, do Centro de Cooperação Policial
Internacional da Amazônia, localizado em Manaus (AM).
Lula fez um destaque sobre a realização da Cúpula Social do
Mercosul, prevista para dezembro, no Brasil, e informa que será
realizada também uma Cúpula Sindical no âmbito do grupo. Ambas
devem acontecer ao final do mandato rotativo do Brasil no bloco, que
tem duração de seis meses.
“A presidência brasileira do Mercosul honrará seu legado,
trabalhando por uma integração solidária e sustentável”, declara o
presidente Lula.
Lula durante foto oficial da 66ª Cúpula de Presidentes dos Estados Partes
do Mercosul e dos Estados Associados. Palácio San Martín, Buenos Aires,
Argentina. Foto: Ricardo Stuckert
Antes de finalizar, em deferência aos falecimentos do presidente Pepe
Mujica e do papa Francisco, Lula fez questão de frisar: “Tenho orgulho
de vir do mesmo quadrante da Terra que esses dois seres humanos
excepcionais.”
Após os eventos ligados ao Mercosul, Lula visita a ex-presidenta da
Argentina, Cristina Kirchner, que está em prisão domiciliar depois de
perseguição do sistema judiciário para impedir sua candidatura.
Fonte: Vermelho

