Nobel de Economia critica Trump e elogia o Pix: ‘futuro do dinheiro’
No artigo “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”, Paul Krugman
ressalta eficácia da inovação financeira nacional e questiona se um
dia os EUA terão algo similar
por Murilo da Silva
Publicado 22/07/2025 17:12 | Editado 22/07/2025 18:42
Montagem com foto: The White House/Wikimedia Commons
O serviço de pagamento instantâneo Pix, definitivamente, se tornou
“queridinho” pelos brasileiros. Quando Donald Trump incluiu a
ferramenta em um rol de investigações na esteira do tarifaço contra
produtos brasileiros, a notícia soou estranha, como tudo o que está
por trás da ligação entre o clã Bolsonaro e o presidente dos Estados
Unidos .
A improvável situação chamou a atenção não só dos usuários do Pix,
mas também do prêmio Nobel de Economia (2008), o norte-
americano Paul Krugman. Ele, que já havia proferido fortes críticas à
tarifa de 50% imposta por Trump, classificada como perversa e
megalomaníaca , voltou a analisar a relação dos países, agora sob o
prisma do inovador sistema de pagamento, ao levantar a questão: “O
Brasil inventou o futuro do dinheiro?”
Em um artigo , o economista destaca a gratuidade do Pix para pessoas
físicas, o baixo valor para empresas e a instantaneidade nas
transações, além de, é claro, ser usado por 93% da população adulta:
“parece estar rapidamente substituindo o dinheiro em espécie e os
cartões.”
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Ao ressaltar as virtudes do Pix, o professor da Universidade da Cidade
de Nova York faz um paralelo com o impedimento da Câmara dos
EUA em permitir que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central do país,
crie uma moeda digital própria.
“Os Republicanos jamais admitirão que um sistema de pagamentos
operado pelo governo possa ser melhor do que alternativas do setor
privado.”
Por outro lado, a mesma Câmara aprovou a Lei Genius, que regula
criptomoedas lastreadas por algum ativo, chamadas stablecoins. Para
Krugman, estes ativos virtuais descentralizados são o “caminho para
futuros golpes e crises financeiras”, além de haver casos de
sequestros para roubo de chaves de criptografia.
Segundo o economista, o setor financeiro dos EUA tem poder demais
para permitir que um sistema público compita com seus produtos,
assim como a direita norte-americana se apega a um
conservadorismo doentio em se opor a tudo o que é estatal.
Nesse sentido, os Republicanos, encarnados em Trump, alegam que o
governo começaria a vigiá-los com um sistema próprio digital, seja de
moedas ou de pagamentos.
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‘tarifaço’
Não à toa, Trump passou a dizer que o Pix oferece “concorrência
desleal para as empresas de cartão de crédito e débito dos EUA”,
conforme destaca o professor em seu artigo.
Assim, nem mesmo um meio termo, como o Pix se apresenta, é
factível para os EUA em um curto espaço de tempo.
Como Krugman explica, o modelo de Pix representaria um meio
termo ideal para os norte-americanos, pois preserva as contas
bancárias privadas e adiciona um sistema público eficiente de
pagamentos, como já ocorre no Brasil.
“Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no
desenvolvimento de um sistema de pagamento digital. Mas os
Estados Unidos provavelmente permanecerão presos a uma
combinação de interesses pessoais e fantasias criptográficas”,
ressalta.
Fonte: Vermelho

