Deputados anunciam acordo para votar em junho regulamentação do trabalho com aplicativo

O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Motoristas deAplicativos, deputado Daniel Agrobom (PL-GO) anunciou, nesta terça-feira (9), acordo com o governo para a retirada da urgência constitucional do PLP (Projeto de Lei Complementar) 12/24, do Poder Executivo, que regulamenta a atividade desses trabalhadores. A proposta do Executivo trancaria a pauta de votação do plenário da Câmara, a partir de 20 de abril. Na Agência Câmara.

“Foi firmada data para votação em 12 de junho. Eles [governo] deram mais 60
dias para que a gente possa trabalhar nesse projeto nas três comissões e colocar
emendas”, disse Agrobom. Esta foi a primeira audiência pública realizada por
comissões temáticas. Outras ocorrerão ao longo da tramitação do projeto.
Na próxima quarta-feira (17) está prevista a realização de comissão geral para
debater a proposição, no plenário da Câmara dos Deputados.
Com a retirada da urgência constitucional, o acordo prevê que a proposta seja
previamente analisada, respectivamente, nas comissões de Trabalho, Indústria e
Comércio e Constituição e Justiça, com prazo máximo de 20 dias em cada
colegiado.
O deputado Alexandre Lindenmeyer (PT-RS) confirmou a negociação,
intermediada com o ministro de Trabalho, Luiz Marinho. “O que tem é a posição
do governo de que, se houver o compromisso dessa Casa de votar o projeto até
junho, ele retira a urgência”.
Direitos
Divergências e dúvidas marcaram o debate em torno da proposta durante reunião
conjunta das comissões de Trabalho; e de Desenvolvimento Econômico, nesta
terça-feira (9). Em defesa do projeto de lei, o secretário-executivo do Ministério
do Trabalho, Francisco Macena, lembrou que o texto é resultado de 10 meses de
debate interno entre representantes do governo, dos motoristas e dos aplicativos.
O texto propõe a criação de nova categoria: a de autônomos com direito à
transparência na relação de trabalho, segurança, jornada máxima de 12 horas por
dia e remuneração mínima de R$ 32,10 por hora trabalhada para os motoristas
de aplicativos.
“Isso garante os direitos sociais e os direitos da Previdência e, a partir daí, o
direito à aposentadoria, o direito à licença maternidade e, se sofrer acidente, à
cobertura para o trabalhador e sua família”.
O presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo de São Paulo, Leandro da
Cruz, defendeu a proposta. “Esse projeto de lei, de fato, protege o trabalhador,
traz clareza e traz as plataformas para negociarem ano a ano”.
Precificação
Representante das empresas, o diretor executivo da Amobitec (Associação
Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), André Porto, reconheceu a necessidade de
segurança jurídica para a atividade, apesar de apontar divergências com pontos
do projeto de lei.
“No início, a bancada de trabalhadores trouxe a demanda de remuneração
mínima baseada no quilômetro e no minuto e o nosso ponto era: essa

regulamentação já existe e se chama táxi. O trabalho intermediado por aplicativo
é uma nova forma de trabalho que precisa de regulamentação específica. A
ingerência do Estado na precificação desse serviço poderia até ter uma
constitucionalidade duvidosa”.
O diretor do Uber no Brasil, Ricardo Leite Ribeiro, admitiu custos para as
empresas com o projeto de lei, mas afirmou que houve concessões mútuas na
negociação com governo e trabalhadores, visando o equilíbrio financeiro da
atividade.
Representante da Fembrapp (Federação dos Motoristas por Aplicativos do Brasil),
Eduardo Lima de Souza disse não ser contra a regulamentação, mas afirmou que
o texto deixa brecha para as empresas determinarem a precificação.
“A Uber faz 44 bilhões de corridas por ano. Quem vai monitorar tudo isso? É um
sistema? Quem dá garantias? Temos aqui provas de motoristas fazendo corridas
no valor de R$ 0,70 por km. Os motoboys hoje estão cobrando R$ 1 e o motorista
já baixou para R$ 0,70. São pontos que a gente não pode aceitar”.
Sindicatos
Outro alvo de crítica no projeto de lei é a previsão de representação dos
motoristas de aplicativos por sindicatos, como afirmou o diretor do Instituto Livre
Mercado, Rodrigo Marinho. “Esse estímulo absurdo à sindicalização não tem
necessidade nenhuma de estar na legislação, porque há a possibilidade de todo e
qualquer trabalhador se reunir em sindicato”.
Já o diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos), Fausto Augusto Junior, ressaltou a importância dos
instrumentos coletivos, inclusive na valorização remuneratória da categoria.
“A maioria dos trabalhadores ganha acima do piso. E qual o instrumento para que
eles conquistem mais do que o piso? A negociação coletiva, a organização, o
direito à greve, que é um direito constitucional que esses trabalhadores não têm,
porque se param, não recebem”.
Preocupações
Organizador do debate, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) teme que a
proposta do Executivo leve a desemprego e à falência das pequenas plataformas
digitais. “Esse projeto foi feito para estilo Uber ou estilo 99. Esse projeto
praticamente extingue os outros aplicativos”.
Para o deputado Saulo Pedroso (PSD-SP), que também solicitou a audiência, o
prazo maior para debate vai permitir o aperfeiçoamento do projeto de lei enviado
pelo Executivo.
Assista a íntegra da audiência pública realizada pelas comissões de Trabalho; e de
Desenvolvimento Econômico:

Fonte: Diap

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