Manifestantes contra escola cívico-militar são agredidos e presos por PMs na Alesp

Presidente da UBES denuncia prisão ilegal de estudantes durante votação da militarização das escolas em São Paulo. Os deputados aprovaram a militarização das escolas públicas.

Na tarde desta terça-feira (21), a Assembleia Legislativa de São Paulo
(Alesp) foi palco de repressão policial contra estudantes manifestantes
durante protestos contra a votação do projeto de lei para implementação
do modelo de escola cívico-militar na rede estadual e municipal de
ensino. O confronto promovido pela PM nos corredores do Legislativo
resultaram em agressões físicas e prisões contra os manifestantes,
registradas em vídeo por testemunhas.
Os confrontos violentos e prisões arbitrárias contra estudantes foram
denunciados ao Portal Vermelho por Jade Beatriz, presidenta da União
Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), que estava no local
para acompanhar a votação.
“Isso foi a votação da militarização das escolas em São Paulo! Os
estudantes estavam acompanhando a votação quando a polícia militar
chegou, muito truculenta, pra retirar os estudantes que estavam lá, de
forma democrática, assistindo a votação, e retiraram esses estudantes
de lá algemados. Foram sete estudantes presos de forma ilegal”, relatou
Jade Beatriz.
Ela divulgou a Vigília pela Liberdade dos Estudantes para pressionar o
poder público contra a arbitrariedade. O 27º Distrito Policial fica na Rua
Demóstenes, 407, no Campo Belo, em São Paulo.
A líder estudantil destacou a violência e a ilegalidade das prisões,
ressaltando que os estudantes estavam exercendo seu direito
democrático de acompanhar a votação. “Ninguém entra, ninguém sai [da
Assembleia Legislativa], e isso só prova como o governo do Tarcisio [de
Freitas] lida com os estudantes e com a educação de São Paulo”,
afirmou.
“É exatamente isso que representa a militarização das escolas. É
estudante saindo algemada”, afirmou ela, ressaltando o aspecto
autoritário desse projeto de militarização das escolas no estado de São
Paulo.
Repressão policial

Desde o início da tarde, a Alesp estava com o policiamento reforçado
devido à votação do projeto de lei, proposto pelo governador Tarcísio de
Freitas (Republicanos). Em diversos momentos, ocorreram registros de
agressões contra os manifestantes por parte dos policiais militares.
O primeiro episódio de violência teve lugar no corredor que leva ao Salão
dos Espelhos, onde policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia
(BAEP) formaram uma barreira com escudos. Quando os estudantes
tentaram passar pelo corredor, foram recebidos com golpes de
cassetetes. Um dos policiais aplicou até mesmo um golpe de mata-leão,

proibido pela instituição desde 2020, em uma manifestante, arrastando-a
pelo chão.
Durante o intervalo da sessão, antes da votação do projeto, alguns
jovens ocuparam o plenário. Em resposta, um dos manifestantes foi
agredido com cassetetes, enquanto outros dois foram imobilizados de
maneira violenta e retirados do plenário. Os gritos de “liberdade já”
ecoaram pelo recinto, vindos de um grupo que acompanhava a sessão
da galeria.
Movimento deve crescer
O perfil do deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) nas redes sociais
divulgou mensagem de solidariedade aos estudantes presos e repúdio às
prisões:
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) emitiu uma declaração
condenando a prisão de estudantes, incluindo a presidente da União
Estadual de Estudantes Secundaristas de São Paulo (UESP), Luísa
Martins. Ele considerou arbitrária e violenta a atuação da polícia, o que
torna o fato “gravíssimo”. O deputado destacou que o protesto de hoje é
apenas o início de uma série de manifestações que visam mobilizar a
população paulista contra a militarização das escolas.
“Os estudantes estavam na Assembleia Legislativa protestando contra a
militarização das escolas. Escola é lugar de reflexão, de aprendizagem,
de pesquisa, de debate, não é lugar de organização militar. É mais do
que legítima a manifestação dos estudantes paulistas”, afirmou o
deputado.

Orlando enfatizou o empenho de sua equipe jurídica em prestar
assistência aos estudantes detidos e expressou confiança na reversão
das prisões. “Nosso time de advogados já se dirige nesse momento para
prestar toda assistência aos estudantes e eu tenho certeza que vamos
reverter essas prisões absurdas e arbitrárias imediatamente e a luta
continua”, declarou.
Assim como Orlando, Jade Beatriz destacou a determinação dos
estudantes em continuar sua luta, mesmo diante das prisões. “Os
estudantes não vão parar um minuto só, nem com a prisão desses sete
meninos. Isso pra nós é muito simbólico, muito representativo. Nós não
vamos nos intimidar com essa tentativa de silenciamento dos estudantes
do processo de escolha das leis aqui no Estado de São Paulo.”, concluiu.
Militarização da educação
O projeto de lei em questão propõe que as escolas públicas estaduais e
municipais possam optar pela conversão para o modelo cívico-militar. O
texto prevê a criação de escolas cívico-militares, com a possibilidade de
conversão, fusão, desmembramento ou incorporação de escolas já em
funcionamento, priorizando regiões com maior incidência de
criminalidade. A condução pedagógica ficaria a cargo da Secretaria da
Educação, enquanto a administração e disciplina seriam
responsabilidade da Secretaria da Segurança Pública.
Desde o encerramento do programa nacional de escolas cívico-militares
pelo governo federal, com a posse do Governo Lula, o governador
Tarcísio de Freitas prometeu criar um programa próprio e ampliar o
número de unidades no estado. A proposta tem sido objeto de debate e
cobrança por parte de parlamentares bolsonaristas para que seja
enviada ao legislativo.
Em nota, a Alesp informou que alguns manifestantes tentaram invadir o
plenário Juscelino Kubitscheck e foram contidos pela Polícia Militar,
sendo posteriormente apresentados à Polícia Civil.

Fonte: Vermelho

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