Após denúncia da PGR contra golpistas, PL da Anistia perde força no Congresso
É que a acusação apresenta uma relação clara entre as ações da organização
criminosa com o ato golpista do 8 de janeiro, quando houve invasão e depredação
dos prédios da Praça dos Três Poderes
Um dia depois da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair
Bolsonaro e mais 33 acusados pela tentativa de golpe de Estado, o projeto de lei
da anistia para os condenados no ato do 8 de janeiro perdeu força no Congresso.
É que a denúncia da PGR apresenta uma relação clara entre as ações da
organização criminosa com os atos golpista que resultaram na invasão e
depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes.
“Os denunciados programaram essa ação social violenta com o objetivo de forçar
a intervenção das Forças Armadas e justificar um Estado de Exceção. A ação
planejada resultou na destruição, inutilização e deterioração de patrimônio da
União, incluindo bens tombados”, diz um trecho da denúncia.
O documento aponta ainda que a última esperança da organização estava na
manifestação de 8 de janeiro. “Os seus membros trocavam mensagens,
apontando que ainda aguardavam uma boa notícia. A organização incentivou a
mobilização do grupo de pessoas em frente ao Quartel General do Exército em
Brasília, que pedia a intervenção militar na política”, diz a PGR.
Portanto, foi por água abaixo o discurso dos bolsonaristas e reforçado pelo
próprio Bolsonaro, em visita ao Senado no mesmo dia da denúncia, de que se
tratava apenas da ação de vândalos que depredaram os prédios públicos.
“As investigações confirmam o que sempre denunciamos: havia um plano golpista
antes mesmo da derrota nas urnas. A PGR encontrou um vídeo na cúpula da
Policia Militar do DF que comprova a articulação criminosa para ferir a democracia
e impedir a posse do presidente Lula. Não adianta articulações, vai ser sem
anistia para golpistas”, afirma a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).
“A PGR escancara: havia um plano, uma estratégia e articulação dentro das
forças de segurança. Golpismo não é amadorismo, é crime e precisa ser punido
com todo o rigor da lei!”, cobra a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
Após a denúncia da PGR, a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) declarou que
agora já não cabe mais a pergunta se houve uma conspiração golpista, mas sim
“quem ainda se presta ao papel de fingir que não viu”? “A verdade está vindo à
tona, e a justiça vai bater na porta da casa de Bolsonaro! Que responda por cada
crime cometido contra a democracia brasileira! Bolsonaro na cadeia!”
“É evidente que houve uma orquestração golpista. Mais provas, só se a
quartelada tivesse se consumado. Mas aí jamais saberíamos, pois não haveria
mais democracia e nem instituições. Só não vê quem não quer”, disse o deputado
Orlando Silva (PCdoB-SP).
“Fizeram de tudo pra ganhar a eleição, espalharam mentiras e ainda assim
perderam. Tramaram dia e noite o fim da democracia, colocaram os seus
interesses acima da vontade popular, depredaram o nosso patrimônio e alma do
nosso país. Eles precisam pagar pelos seus crimes”, afirma o senador Humberto
Costa (PT-PE).
O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), diz que as provas apontam
para um esquema que envolvia diferentes núcleos operacionais, incluindo o
planejamento da morte de lideranças políticas e a articulação do ataque de 8 de
janeiro.
“Se considerarmos que eles chegaram a planejar a morte do presidente, do vice-
presidente e do presidente do TSE, além da organização de núcleos para fuga e
para a execução do ataque de 8 de janeiro, fica claro que estamos lidando com
uma organização criminosa”, avalia.
“Mais do que isso, há a tentativa de promover um golpe de Estado”, acrescenta.
Com informações das lideranças do PCdoB e do PT no Senado
Fonte: Portal Vermelho

