Petrobras reduz preço da gasolina em 5,6% nas refinarias a partir da terça (3)
Valor cobrado às distribuidoras cai para R$ 2,85 por litro; impacto pode
reduzir inflação de junho em até 0,10 ponto percentual, estimam
economistas
por Cezar Xavier
Publicado 02/06/2025 16:31 | Editado 02/06/2025 17:20
Foto: Roberto Parizotti
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (2) que vai reduzir o preço da
gasolina A vendida às distribuidoras em 5,6% a partir desta terça-feira
(3). Com a medida, o preço médio do litro passará de R$ 3,02 para R$
2,85, uma queda de R$ 0,17. A decisão segue a tendência observada no
mercado internacional de petróleo e reforça a política da estatal de
repassar variações externas com parcimônia.
Segundo a empresa, ao considerar a composição da gasolina C vendida
nos postos — que contém 27% de etanol anidro— a parcela da
Petrobras no preço ao consumidor final será reduzida para R$ 2,08 por
litro, o que representa uma diminuição de R$ 0,12 por litro.
Inflação pode cair até 0,10 ponto percentual com impacto da medida
A decisão da estatal deve ter impacto direto na inflação de junho, com
analistas estimando um efeito de até -0,10 ponto percentual no IPCA do
mês, segundo cálculos de consultorias econômicas. A queda nos preços
dos combustíveis, especialmente da gasolina, costuma exercer forte
influência no índice oficial de inflação.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia sinalizado na
semana passada que, caso o barril do petróleo continuasse em baixa,
haveria espaço para nova redução. “A empresa acompanha
constantemente os fundamentos do mercado global”, afirmou em
entrevista.
Combustível da Petrobras está abaixo da média internacional
De acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), com a nova
queda, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras passa a
estar 10% abaixo da média internacional. A Associação Brasileira dos
Importadores de Combustíveis (Abicom), por sua vez, calcula que a
defasagem atual do combustível no Brasil em relação ao mercado
externo está em cerca de 2%.
Essa defasagem vinha sendo criticada por parte do setor privado, que
apontava perda de competitividade e estímulo às importações por
empresas que não conseguem competir com o preço interno.
Acúmulo de reduções: R$ 0,60 por litro abaixo do valor de 2022,
descontada a inflação
Com o corte anunciado, a Petrobras acumula desde dezembro de
2022 uma queda total de R$ 0,22 por litro no preço da gasolina vendida
às distribuidoras — o equivalente a 7,3% de redução nominal.
Considerando a inflação do período, a queda real no valor acumulado
chega a R$ 0,60 por litro, ou 17,5%.
A empresa mantém uma página pública para consulta dos preços
praticados e sua formação, como forma de garantir transparência sobre
os reajustes e os fatores que influenciam os valores cobrados nas
bombas.
Expectativa para o diesel e movimentos futuros
No mês passado, a estatal já havia anunciado uma redução de 4,66%
no preço do diesel, o terceiro corte no ano para esse combustível. A
queda na gasolina era aguardada por especialistas, diante do
comportamento do mercado internacional e da sinalização da Opep+,
que anunciou um aumento menor que o esperado na produção de
petróleo a partir de julho.
O barril do tipo Brent — referência global — chegou a registrar alta
de 2,91% nesta segunda-feira, cotado a US$ 64,61, diante da cautela da
Opep+ em elevar a oferta de petróleo.
Com o alívio no bolso dos motoristas, o governo observa com atenção os
desdobramentos da redução sobre a inflação e a política de preços da
Petrobras, ainda sob debate interno quanto ao modelo ideal para o
equilíbrio entre mercado e soberania energética.
Fonte: Vermelho

