Lula cria comitê e promete reagir ao tarifaço com união nacional

Presidente se reunirá com empresários e ministros para definir
reação ao tarifaço dos EUA. Governo trata sobretaxa como agressão à

soberania e prepara decreto de resposta

por  Lucas Toth

Publicado 14/07/2025 10:31 | Editado 15/07/2025 00:33

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista para o
Jornal Nacional, no Palácio da Alvorada. Brasília – DF.

Foto: Ricardo Stuckert /
PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu neste domingo (13) a
criação de dois comitês — um com empresários e outro
interministerial — para coordenar a resposta do governo brasileiro ao
tarifaço de 50% imposto por Donald Trump na última quarta-feira
(10).

As medidas foram articuladas durante uma reunião no Palácio da
Alvorada, com a participação de ministros da área econômica, política
e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Lula também avisou à equipe que se reunirá pessoalmente com
representantes dos setores mais afetados pela medida, entre eles a
indústria, o agronegócio e os exportadores de suco de laranja.
A iniciativa reforça o esforço do Planalto em tratar a tarifa como uma
agressão à soberania nacional, com impacto direto sobre empregos e
cadeias produtivas.
“O presidente quer deixar claro que essa é uma questão de país, não
de governo”, disse um assessor ouvido pela imprensa.
O Planalto também avalia que a retaliação de Trump, associada à
defesa de Jair Bolsonaro, representa uma tentativa de ingerência
externa em assuntos internos do Brasil, especialmente no
funcionamento do Poder Judiciário.
O comitê empresarial terá função consultiva e política. A presença de
empresários na construção da resposta à Casa Branca reforça a
estratégia de Lula de tratar o tarifaço como uma agressão à soberania
brasileira — e não como problema de um único governo ou campo
ideológico.
Já o comitê interministerial será responsável por coordenar os
desdobramentos diplomáticos, comerciais e legais.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, farão parte da equipe os
ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações
Exteriores) e Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e Serviços). Outros
ministérios, como o da Agricultura, serão chamados a colaborar
conforme os temas avancem.
O governo também aposta no envolvimento do setor empresarial
como forma de ampliar apoio à defesa da soberania e, ao mesmo
tempo, recompor pontes com segmentos que vinham demonstrando
insatisfação com o Planalto.

Em entrevista recente ao Jornal Nacional, Lula disse que vai trabalhar
junto com os empresários para suspender a medida de Trump e
buscar novos parceiros comerciais.
Segundo avaliação do Planalto, a ofensiva de Trump fere diretamente
a soberania brasileira ao tentar interferir nas decisões do Judiciário.
Por isso, a resposta envolverá não apenas medidas técnicas, mas
também um discurso político de afirmação da autonomia nacional.
Decreto de reciprocidade será publicado até terça-feira
Em agenda pública realizada neste domingo, o vice-presidente
Geraldo Alckmin anunciou que o governo editará, até terça-feira (15),
o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade (Lei nº
14.933/2023).
A norma autoriza o Executivo a aplicar sanções comerciais
equivalentes contra países que agridam o Brasil com medidas
desproporcionais.
A publicação do decreto representará um avanço institucional na
capacidade de resposta do Estado brasileiro, embora o governo ainda
priorize a via diplomática. Lula afirmou que pode recorrer à
Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar o tarifaço.
Já o ministro Fernando Haddad sinalizou que eventuais retaliações
podem incluir instrumentos não tarifários, como a quebra de
patentes de medicamentos ou de direitos autorais de produtos
culturais norte-americanos — o que evitaria impacto direto na
inflação.
Setores afetados pressionam e exportações estão em risco
A tarifa anunciada por Trump ameaça diretamente importantes
segmentos da economia nacional.
No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 20
bilhões para os Estados Unidos — o equivalente a 12% de todas as
exportações brasileiras no período, com crescimento de 4,4% em
relação ao ano anterior.

Entre os principais produtos afetados estão petróleo, café, aviões,
máquinas, equipamentos, siderurgia, suco de laranja e
manufaturados.
Empresas norte-americanas também já demonstraram preocupação
com a medida, especialmente as siderúrgicas e indústrias alimentícias
que dependem de insumos brasileiros.
No front externo, o governo brasileiro aposta que a própria pressão
de setores produtivos nos Estados Unidos possa contribuir para
reverter a decisão de Trump.

Fonte: Vermelho

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