Xi Jinping manifesta apoio à soberania do Brasil em telefonema com Lula
Líder chinês defendeu unidade do Sul Global contra unilateralismo e
protecionismo, enquanto Lula reafirmou a importância estratégica da
parceria Brasil–China
por Lucas Toth
Publicado 12/08/2025 11:14 | Editado 12/08/2025 11:32
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping,
durante encontro em Pequim, em 2023, que marcou o fortalecimento da
parceria estratégica entre os dois países. Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta
terça-feira (12), com o presidente da China, Xi Jinping, em diálogo que
reafirmou o alinhamento estratégico entre os dois países diante da
guerra tarifária imposta pelo presidente norte-americano Donald
Trump.
Os dois líderes destacaram a importância de reforçar a unidade do
Sul Global no enfrentamento ao unilateralismo e no fortalecimento da
cooperação econômica e política.
Xi Jinping declarou que “a China apoia o povo brasileiro na defesa de
sua soberania nacional e apoia o Brasil na salvaguarda de seus
direitos e interesses legítimos”, acrescentando que “todos os países
devem se unir contra o unilateralismo e o protecionismo”.
O líder chinês avaliou que as relações entre Brasil e China “estão no
melhor momento da história” e apontou a construção de “um
exemplo de unidade e autossuficiência entre as principais potências
do Sul Global” como um dos objetivos centrais da parceria.
Segundo Xi, Pequim está disposta a “trabalhar com o Brasil para
aproveitar oportunidades, fortalecer a coordenação e criar mais
resultados de cooperação mutuamente benéficos”, além de “construir
conjuntamente um mundo mais justo e um planeta mais
sustentável”.
Lula, por sua vez, afirmou que “o Brasil atribui grande importância às
relações com a China” e manifestou disposição para “aprofundar a
cooperação e alinhar estratégias de desenvolvimento” em áreas como
saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites.
O presidente brasileiro elogiou “o compromisso da China com o
multilateralismo, a defesa das regras do livre comércio e o papel
responsável que desempenha nos assuntos internacionais”.
Ambos defenderam que o BRICS continue sendo “uma plataforma
importante para proteger os direitos e interesses legítimos dos países
em desenvolvimento” e concordaram em atuar juntos para garantir o
sucesso da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em
Belém, que receberá uma delegação chinesa de alto nível.
A condução da conversa reforçou a estratégia brasileira de reafirmar
compromissos com parceiros estratégicos, evitando ampliar
publicamente tensões já existentes.
A prioridade, segundo integrantes do governo, é ampliar a presença
do Brasil em espaços multilaterais e fortalecer a integração do Sul
Global, articulando objetivos comuns e abertura para cooperação em
diversas frentes.
Apoio interno à diversificação de parceiros
Dias antes da conversa entre Lula e Xi Jinping, dois ministros do
governo já haviam defendido publicamente a centralidade da China
nas relações comerciais do Brasil e a necessidade de diversificar
parceiros diante das tarifas impostas por Donald Trump.
Leia também: Brasil firma pactos estratégicos com Rússia e China
em reação ao tarifaço
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou na sexta-feira (8),
em Porto Velho, que, embora o Brasil precise manter parceria com os
EUA, “o nosso maior parceiro comercial hoje é a China, é a Ásia”.
Ela defendeu a integração física da América do Sul, destacando a
ferrovia que ligará o Atlântico ao Pacífico para agilizar o comércio com
a Ásia, e situou o projeto no contexto das ameaças ao
multilateralismo, ressaltando que a integração regional é estratégica
para reduzir dependências externas.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta terça-feira, em
entrevista na Globo News, acusou setores da extrema direita de
atuarem contra o interesse nacional e prejudicarem o diálogo
comercial com Washington, mencionando que essa sabotagem teria
levado ao cancelamento de reunião com o secretário do Tesouro dos
EUA.
Haddad alertou para a queda da participação norte-americana nas
exportações brasileiras — de 25% para 12% em duas décadas — e
defendeu a diversificação de mercados, citando BRICS e ASEAN como
destinos prioritários para os produtos brasileiros.
Fonte: Vermelho

