Trump ignora Zelensky e espera acordo de paz na Ucrânia em até 2 semanas

Encontro em Washington (EUA) expôs dependência europeia e
fragilidade de Zelensky, enquanto Putin mantém o controle político e

militar da situação

por  Cezar Xavier

Publicado 18/08/2025 18:13 | Editado 18/08/2025 20:12

Com receio do tratamento de Trump, Zelensky levou uma tropa de choque
europeia, composta por Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz
(Alemanha), Giorgia Meloni (Itália) e Alexander Stubb (Finlândia), além da
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do secretário-
geral da Otan, Mark Rutte.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta
segunda-feira (18) que “em uma ou duas semanas” será possível
saber se o esforço diplomático liderado por ele terá êxito em encerrar
a Guerra da Ucrânia. A declaração foi dada ao lado do presidente

ucraniano, Volodimir Zelensky, e de seis líderes europeus, durante
reunião na Casa Branca, sede do governo norte-americano.
O encontro ocorreu três dias depois da cúpula de Trump com o
presidente russo Vladimir Putin, no Alasca. Segundo o republicano,
Moscou cobra concessões territoriais por parte de Kiev, mas aceita
discutir garantias de segurança para a Ucrânia em um eventual
acordo de paz.
Ao reunir, em Washington, Zelensky e a tropa de líderes europeus,
Trump voltou a posar de mediador. O encontro, entretanto, revelou
mais teatro político do que substância, já que os ataques à Rússia não
tiveram vez. O líder estadunidense deixou claro: a “paz” que propõe
exige concessões territoriais por parte da Ucrânia, ecoando a posição
do Kremlin. Ele também declarou que sua tática que “talvez funcione,
talvez não”.
Zelensky em posição humilhante
Zelensky, que já havia passado por momentos de constrangimento
público em fevereiro, voltou à Casa Branca como figura coadjuvante.
Seu sorriso calculado e sua tentativa de bajular Trump mostraram a
fragilidade de sua posição: um presidente que não controla os rumos
da guerra e que depende da boa vontade de Washington para seguir
em pé.
Trump declarou estar disposto a oferecer “boa proteção” à Ucrânia,
em parceria com aliados europeus, em um modelo semelhante ao
artigo 5 da Otan, que prevê defesa mútua entre membros.
Questionado sobre a possibilidade de enviar tropas -norte-
americanas à guerra, disse que “nada está descartado”.
Por outro lado, o presidente dos EUA reiterou que um acordo
envolveria trocas territoriais, o que significaria derrotas para Kiev.
Zelensky rejeitou debater formalmente o tema, afirmando que só
poderia tratá-lo em negociações trilaterais com Trump e Putin.
De nada adiantou a presença dos líderes europeus ao lado de
Zelensky — Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz (Alemanha),
Giorgia Meloni (Itália) e Alexander Stubb (Finlândia), além da
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do

secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Eles serviram apenas para
reforçar a imagem de uma Europa dependente e insegura, incapaz de
se impor diante da agenda norte-americana.
Europa subordinada e sem rumo
A tentativa de “cortejar” Trump por parte dos europeus foi evidente.
Temerosos de serem abandonados, pressionaram por garantias de
segurança semelhantes ao Artigo 5 da Otan, como se os EUA fossem
oferecer uma proteção ilimitada a Kiev. O resultado foi um
alinhamento superficial, no qual a Europa novamente mostrou sua
incapacidade de formular uma estratégia própria.
Macron chegou a propor uma “força de paz europeia”, ideia
rechaçada por Moscou e impraticável na realidade. Merz, em um raro
momento de divergência, falou em cessar-fogo imediato — mas foi
isolado. A submissão coletiva à retórica norte-americana reforça a
crise de liderança no continente.
Enquanto isso, Putin permanece na dianteira das negociações. Ao
sinalizar a possibilidade de trocar regiões ocupadas no norte por
reconhecimento definitivo no leste e na Crimeia, o Kremlin manteve a
coerência de sua estratégia: consolidar ganhos e garantir a
neutralidade ucraniana.
A proposta russa que circula entre diplomatas também prevê o
controle de Moscou sobre grande parte do Donbas e a neutralidade
militar da Ucrânia — condições que Kiev considera inaceitáveis.
Embora Zelensky tenha reafirmado que não aceitará ceder territórios,
sua declaração à imprensa confirmou que as negociações podem
partir das atuais linhas de frente do conflito, que se estende por mais
de mil quilômetros.
Do ponto de vista russo, não há novidade. A Crimeia já é fato
consumado há mais de uma década, o Donbas segue sob controle
majoritário de Moscou e as linhas de frente permanecem estáveis. A
narrativa de Trump de que “Putin quer a paz” apenas confirma o que
analistas já apontavam: a Rússia está em vantagem e negocia de uma
posição de superioridade.

Um jogo desequilibrado
O encontro em Washington evidenciou que a chamada “paz norte-
americana” é, na verdade, uma forma de mostrar a Kiev suas
limitações. Trump atua como ator central, Zelensky como figurante
constrangido, e os europeus como plateia ansiosa por relevância.
Moscou, por sua vez, segue firme em sua estratégia: aguarda que o
desgaste político e militar do Ocidente abra espaço para o
reconhecimento de sua influência sobre territórios-chave. Em última
instância, o desfecho das negociações não depende de Zelensky, nem
de Macron ou Ursula von der Leyen —mas da disposição de Trump
em aceitar os termos já colocados por Putin.

Fonte: Vermelho

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