Justiça dos EUA freia Trump e impede expulsão de estrangeiros de Harvard
Decisão judicial bloqueia medida do governo que revogava vistos e
atacava autonomia de Harvard, universidade mais rica e influente dos
Estados Unidos, por Barbara Luz.
Publicado 25/05/2025 09:00 | Editado 25/05/2025 10:05
O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/ Twitter
Em um duro revés para o presidente Donald Trump, a Justiça americana
suspendeu temporariamente na última sexta-feira (23) a medida que
impedia a Universidade de Harvard de matricular estudantes
estrangeiros. A decisão, emitida pela juíza federal Allison Burroughs, veio
após a universidade mover uma ação judicial em Boston, classificando a
medida como uma “violação flagrante” da lei.
“Condenamos esta ação ilegal e injustificada”, declarou Alan Garber,
reitor de Harvard.
A ofensiva do governo Trump revogava a certificação do Programa de
Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP), exigindo que estudantes
estrangeiros deixassem a instituição ou perdessem o status legal no
país. Atualmente, estudantes internacionais representam mais de 27%
do corpo estudantil de Harvard.
Entenda o caso
A crise teve início na quinta-feira (22) quando o Departamento de
Segurança Interna, liderado por Kristi Noem, anunciou a revogação da
autorização de Harvard para manter estudantes estrangeiros
matriculados. Segundo Noem, a universidade teria falhado em cumprir
exigências relacionadas ao combate ao antissemitismo e à cooperação
com investigações internas sobre estudantes envolvidos em protestos no
campus.
Entre as exigências do governo estavam o acesso a registros
administrativos, vídeos e áudios de atividades consideradas “ilegais” ou
“violentas” envolvendo alunos — inclusive americanos.
A retaliação fazia parte de uma escalada mais ampla da Casa Branca
contra universidades consideradas “progressistas” por Trump. Em sua
rede Truth Social, ele chegou a escrever que Harvard “é uma zombaria,
ensina ódio e estupidez” e “não deveria mais receber financiamento
federal”.
“Estamos totalmente comprometidos em manter a capacidade de
Harvard de receber nossos estudantes e acadêmicos internacionais, que
enriquecem a universidade — e esta nação — imensamente”, afirmou a
universidade em comunicado.
Harvard resiste com força financeira bilionária
Com um patrimônio superior a US$ 53 bilhões — mais que o PIB de
países como Bolívia ou Paraguai —, Harvard é a universidade mais rica
do mundo. Essa solidez permitiu que a instituição enfrentasse o corte de
US$ 2,2 bilhões em bolsas e contratos anunciado por Trump, além da
ameaça de perda da isenção fiscal, que representou uma economia de
US$ 158 milhões em impostos apenas em 2023.
Para Steven Bloom, do Conselho Americano de Educação, a perda da
isenção representaria um grave precedente para o sistema universitário
americano: “Teria um efeito inibidor para todas as universidades do país”.
Um ataque à autonomia universitária
A ofensiva do governo Trump é vista por analistas como parte de um
movimento mais amplo para pressionar universidades de elite — que o
presidente frequentemente acusa de promover uma agenda progressista.
A exigência de mudanças nos currículos, na admissão de alunos e no
conteúdo das aulas foi interpretada como tentativa de controle político
sobre a produção acadêmica.
“Nenhum governo, independentemente do partido no poder, deve ditar o
que as universidades privadas podem ensinar”, escreveu o reitor Alan
Garber.
Ao recorrer à Justiça e conquistar uma liminar favorável, Harvard tornou-
se símbolo da resistência institucional contra a ingerência do poder
executivo na vida acadêmica. Com apoio financeiro, jurídico e político, a
universidade mostrou que, mesmo diante de um governo hostil, a
autonomia universitária segue sendo um pilar da democracia americana.
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Com agências

