Claudia Sheinbaum desafia Trump, evita tarifas e leva 350 mil mexicanos às ruas
Presidente do México celebra suspensão de taxação e defende
soberania do país frente às ameaças dos EUA, por Barbara Luz.
Rodeada por uma multidão de cerca de 350 mil simpatizantes na
principal praça pública da Cidade do México, a Praça do Zócalo, a
presidente Claudia Sheinbaum (Movimento Regeneração Nacional –
Morena) demonstrou otimismo ao afirmar que o diálogo com Donald
Trump (Republicanos) pode enterrar a ameaça do governo americano de
impor tarifas sobre produtos mexicanos. A fala ocorreu neste domingo
(9), durante evento convocado para celebrar um acordo que adiou a
taxação até abril.
“Somos otimistas porque nesse dia (…) o governo dos Estados Unidos
anunciou que colocará tarifas recíprocas a todos os países do mundo” e,
no caso do México, “não teriam que ser aplicadas” por conta do Tratado
entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC), declarou Sheinbaum.
O tratado de livre comércio entre os três países enfrentaria um golpe
devastador caso Washington fosse adiante com a taxação de 25% sobre
seus parceiros. Os Estados Unidos são o destino de 80% das
exportações mexicanas, tornando a ameaça um risco econômico
significativo. Um relatório da empresa britânica Capital
Economics apontou que a aplicação da taxação levaria o México a uma
recessão.
Diálogo e resistência
Sheinbaum inicialmente havia convocado o evento para anunciar
contramedidas às tarifas de Trump, mas a decisão do republicano de
suspender a medida na última quinta-feira (7), após uma conversa
telefônica com a presidente mexicana, alterou o tom da celebração.
Trump justificou o adiamento afirmando que fez isso “em consideração a
ela”.
“Nós nos reunimos para comemorar porque, na relação com os Estados
Unidos, com seu governo, prevaleceu o diálogo e o respeito, e foram
suspensas as tarifas”, disse Sheinbaum, destacando que o México não
irá ceder em sua soberania e “nem permitiremos que nosso povo seja
prejudicado por decisões de governos ou hegemonias estrangeiras”,
ressaltou.
Donald Trump tem utilizado a ameaça de tarifas como ferramenta
política, alegando que México e Canadá não fazem o suficiente para
conter a entrada de imigrantes e do fentanil, droga sintética associada a
milhares de mortes por overdose nos EUA. Ele chegou a acusar o
governo mexicano de ser infiltrado pelo narcotráfico e prometeu uma
“guerra” contra os cartéis.
“Ela tem coragem”
Entre os apoiadores presentes no evento, a postura da presidente
mexicana, que tem cerca de 80% de aprovação popular, foi exaltada.
“Claudia lidou bem com Trump. Como ela diz, é preciso ter calma e
paciência”, disse Perla Aquino, de 45 anos, há AFP. Já a psicóloga
Claudia Cabrera, de 29 anos, foi mais enfática: “Ela tem coragem, veste
as calças para enfrentar o magnata americano que está tentando nos
pressionar (…). Espero que isso tenha consequências para os
estadunidenses porque não temos que pagar pelos erros deles”.
Apesar das ameaças, Sheinbaum reconheceu a disposição de Trump
para o diálogo, ressaltando que a cooperação entre os países pode
continuar “com respeito”. Ainda assim, fez questão de relembrar
episódios históricos de intervenção americana no México, mencionando
a “mordida” dos EUA no território mexicano durante as invasões de 1846
e 1914.
Impacto econômico
O risco econômico de uma possível taxação ainda preocupa analistas. O
México é um dos principais fornecedores de produtos como abacate e
tequila para os EUA, mas o maior impacto seria nas cadeias de produção
das fábricas do T-MEC.
Sheinbaum também citou dados oficiais dos EUA para reforçar que as
apreensões de fentanil feitas no México ajudaram a reduzir em 50% a
entrada da droga no território americano entre outubro de 2024 e janeiro
de 2025. Além disso, destacou que o México seguirá cooperando para
combater o tráfico por “razões humanitárias”, mas espera que os EUA
também atuem no controle da entrada ilegal de armas destinadas a
cartéis mexicanos.
O episódio marcou um teste político para a presidente mexicana, que
mantém alta popularidade e se fortalece na relação bilateral com os EUA.
A decisão final de Trump sobre as tarifas, porém, segue indefinida e
pode representar novos desafios para o México nos próximos meses.
__
com informações de agências

