Após núcleo crucial, STF passa a analisar ações de outros 4 grupos golpistas
Primeira Turma passa a se dedicar ao julgamento dos demais réus
nos próximos meses. Ações estão na fase das alegações finais e
devem terminar neste ano
por Priscila Lobregatte
Publicado 15/09/2025 12:13 | Editado 15/09/2025 13:26
Primeira Turma do STF. Foto: Antonio Augusto/STF
Com a condenação de Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados do núcleo
crucial da trama golpista, a Primeira Turma do Supremo Tribunal
Federal (STF) dará prosseguimento aos julgamentos dos demais
grupos envolvidos, conforme divisão estabelecida pela Procuradoria-
Geral da República (PGR).
A previsão é que os julgamentos dos outros quatro núcleos ocorram
nos próximos meses — o objetivo é finalizá-los ainda neste ano. Ao
todo, três denúncias foram aceitas, totalizando 23 acusados, além dos
oito do núcleo crucial (1º).
Todos os envolvidos respondem pelos crimes de tentativa de abolição
violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de
Estado, participação em organização criminosa armada, dano
qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Leia também: Maioria dos brasileiros rejeita anistia a Bolsonaro e
condenados do 8 de Janeiro
Atualmente, essas ações estão na fase das alegações finais, quando
as partes dos processos devem apresentar seus últimos argumentos
antes do julgamento. As datas dos julgamentos ainda não foram
marcadas.
Núcleo 2 – gerenciamento
No dia 5 de setembro, o relator do processo, ministro Alexandre de
Moraes, abriu prazo de 15 dias para que a PGR e as defesas dos réus
do núcleo 2 da trama golpista se manifestem.
De acordo com a denúncia apresentada pela PGR, o núcleo 2 tinha o
papel de gerenciar as ações determinadas pelo núcleo crucial. Dentre
essas ações estão o direcionamento de forças policiais para a trama,
além da produção de minutas golpistas, entre outras medidas. Um
exemplo das ações deste grupo foi o uso de Polícia Rodoviária Federal
(PRF) para dificultar a chegada de eleitores aos locais de votação no
segundo turno de 2022, em áreas em que o então candidato Luiz
Inácio Lula da Silva era favorito.
Fazem parte desse grupo Filipe Martins (ex-assessor de assuntos
internacionais de Bolsonaro); Marcelo Câmara (ex-assessor de
Bolsonaro); Silvinei Vasques (ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal);
Mário Fernandes (general do Exército); Marília de Alencar (ex-
subsecretária de Segurança do Distrito Federal); Fernando de Sousa
Oliveira (ex-secretário-adjunto da Secretaria de Segurança do Distrito
Federal).
Núcleo 3 – ataques e pressões
O núcleo 3 é formado por por nove militares de alta patente e um
agente da Polícia Federal (PF) acusados de atacar o sistema eleitoral,
pressionar militares e articular ações para que fossem criadas as
condições para a ruptura institucional — entre elas, o plano Punhal
Verde e Amarelo, para assassinar autoridades.
O grupo é composto por três coronéis do Exército (Bernardo Romão
Correa Netto, Fabrício Moreira de Bastos e Márcio Nunes de Resende
Jr.) e cinco tenentes-coronéis (Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de
Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo, Ronald Ferreira de Araújo Jr. e
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros), além do agente da Polícia
Federal Wladimir Matos Soares e do general da reserva Estevam Cals
Theophilo Gaspar de Oliveira.
Nesta segunda-feira (15) termina o prazo para que a PGR apresente
ao relator as suas alegações finais. Na sequência, os réus poderão
entregar suas defesas.
Núcleo 4 – disseminação de fake news
O quarto núcleo, de acordo com a denúncia da PGR, é formado por
sete réus responsáveis por usar, de maneira ilícita, a estrutura estatal
para espalhar notícias falsas e atacar instituições e autoridades, de
maneira a descredibilizar o sistema eleitoral e criar um clima de
animosidade por parte da população, necessário para a deflagração
do golpe.
São réus nesse núcleo Ailton Moraes Barros (ex-major do Exército),
Ângelo Denicoli (major da reserva do Exército). Giancarlo Rodrigues
(subtenente do Exército), Guilherme Almeida (tenente-coronel do
Exército), Reginaldo Abreu (coronel do Exército), Marcelo Bormevet
(agente da Polícia Federal) e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha
(presidente do Instituto Voto Legal).
Núcleo 5 — golpista com inserção entre militares
Segundo a PGR, por “razões de estratégia processual”, este núcleo é
formado apenas pelo ex-comentarista da Jovem Pan, Paulo
Figueiredo. Por ser neto do ditador João Figueiredo, o último do
período militar, Paulo tem boa inserção no meio militar e teria
contribuído diretamente para influenciar esse meio e propagar
desinformação, inclusive incitando reações contra militares que não
aderiram à trama golpista.
O caso está pendente de análise de recebimento da denúncia.
Atualmente, o réu encontra-se nos EUA e, juntamente com o
deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tem contribuído para a
campanha contra o Brasil junto ao governo de Donald Trump.
Fonte: Vermelho

