Trump não aguenta pressão de mercados e recua de tarifaço por 90 dias

Medida visa acalmar investidores, mas expõe fragilidade política e

econômica do governo norte-americano, por  Cezar Xavier.

Publicado 09/04/2025 18:31 | Editado 09/04/2025 19:42

Uma semana depois de exibir o tabelão de tarifas, Trump se apavorou com a
depressão nas bolsas e jogou o cartaz no lixo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) a
suspensão por 90 dias das tarifas “recíprocas” sobre importações de
mais de 75 países, com exceção da China, após uma violenta reação
dos mercados financeiros. O republicano admitiu que sentiu um “pouco
de medo” por parte das pessoas diante de suas decisões e também
anunciou a unificação de todas as taxas em 10%, portanto, reduzindo a
taxa para países onde as tarifas eram maiores. O tarifaço provocou uma

queda de 4,5% no Dow Jones em apenas 48 horas, além de desvalorizar
o dólar e agitar bolsas asiáticas.
A decisão ocorreu após dias de pânico nos mercados, com o rendimento
dos títulos do Tesouro americano (Treasurys) ultrapassando 4,5% — um
sinal de desconfiança na capacidade do governo de honrar dívidas. A
trégua está sendo comemorada, mesmo que ainda sob a desconfiança
de riscos de recessão.
Reações mundo afora
O recuou de Trump provocou uma reação imediata nos mercados
financeiros: o S&P 500 subiu 9,5% , o Dow Jones avançou 8% e o
Nasdaq saltou 12%, registrando a maior alta desde a crise de 2008.
Analistas destacam que a pressão de bancos como Goldman Sachs e
JPMorgan, que alertaram para riscos de recessão, foi decisiva para a
decisão de voltar atrás.
No setor farmacêutico, gigantes como AstraZeneca e Roche foram
impactadas, assim como empresas americanas que dependem de
insumos chineses. A Apple perdeu mais de US$ 300 bilhões em valor de
mercado desde os primeiros anúncios. Alphabet, Amazon e Meta
também estão sob pressão, diante da possibilidade de novas barreiras
ao setor de serviços — justamente onde os EUA mantêm superávit.
Antes do recuo Europa e o Canadá retaliaram com tarifas de 25% sobre
produtos norte-americanos,
O governo brasileiro confirmou que a medida não muda a barreira
cobrada sobre o Brasil, de 10%. A pausa, no entanto, se refere apenas
às tarifas recíprocas e não às taxas contra aço ou contra carros.
Recessão à espreita?
A reversão expôs contradições na Casa Branca. Enquanto o secretário
do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o recuo era parte de um plano
“desde o início”, Trump admitiu que a decisão foi tomada
“instintivamente” para conter a turbulência.
Com as declarações contraditórias, o governo norte-americano faz uma
confissão de fraqueza ao revelar-se refém do mercado. Trump ainda não
descarta dar isenções de tarifas para empresas que necessitem de uma
redução de taxas para importação, gerando ainda mais insegurança
jurídica. “Algumas empresas foram mais afetadas. Vamos olhar para
isso”, disse.

Apesar do alívio momentâneo, analistas destacam que a pausa não
resolve os desafios fiscais dos EUA. Questionam como financiar os US$
6 trilhões prometidos em cortes de impostos sem as tarifas.
A volatilidade nos mercados reflete temores de uma desaceleração
econômica. Empresas como Walmart e Delta Airlines já revisaram
previsões de lucro, citando incertezas comerciais. “A cada mudança de
regra, mais empresas adiam investimentos”, explicou Bart Watson, da
Brewers Association.
O Federal Reserve (Fed) enfrenta um dilema: juros altos para conter a
inflação podem agravar a crise. Analistas alertam que uma recessão é
“provável” se a guerra comercial persistir.

Fonte: Vermelho

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