MST debate soluções para reduzir preços dos alimentos e combater a fome

Em entrevista ao programa Entrelinhas Vermelhas, Gilmar Mauro, do
MST, critica o agronegócio e defende a agroecologia como caminho para

segurança alimentar e justiça social.

Publicado 24/04/2025 18:10 | Editado 24/04/2025 18:13

O Abril Vermelho do MST lembra o massacre de Eldorado de Carajás, e
defende a reforma agrária como meio estrutural de alimentar o Brasil com
produtos mais baratos.
Em entrevista ao Entrelinhas Vermelhas, o dirigente do Movimento de
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, relembrou o Abril
Vermelho, marcado pelo massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996,
que deixou 21 mortos. Em memória desta violência impune, em 2025, o

movimento promoveu 40 ações em 17 estados, incluindo ocupações e
marchas, com o objetivo de pressionar por assentamentos para 65 mil
famílias acampadas.
“O orçamento para reforma agrária é insuficiente. O governo promete
assentar 12 mil famílias este ano, mas precisamos resolver o problema
das 65 mil que esperam há décadas”, afirmou.
Assista a íntegra da entrevista:
A violência no campo e a criminalização do MST
A demonização do movimento pela elite é atribuída por Mauro à
resistência histórica à reforma agrária: “Desde Canudos e as Ligas
Camponesas, as lutas pela terra foram reprimidas. O MST sobrevive
porque tem apoio popular, mas enfrenta discursos de ódio e até
atentados, como o atropelamento de militantes em Recife.”
Por que os alimentos estão tão caros?
Mauro apontou causas estruturais:
 Prioridade à exportação: 70% das terras cultiváveis produzem soja
e milho para o mercado externo, reduzindo oferta de alimentos
básicos.
 Especulação financeira: Commodities agrícolas são negociadas
em bolsas, inflacionando preços.
 Concentração do mercado: Poucas empresas controlam insumos,
processamento e distribuição.
“Um aumento de 1% na Selic drena R$ 48 bilhões da economia. Com 3%
desse valor, resolveríamos a reforma agrária no país”, criticou.
O que o governo Lula pode fazer?
Entre as medidas urgentes, o dirigente sugeriu:
 Aumentar recursos para crédito à agricultura familiar (apenas 3,5%
dos assentados acessaram financiamentos em 2024);
 Retomar a Conab para regular estoques e combater altas
especulativas;
 Taxar lucros excessivos do agronegócio e destinar verba à reforma
agrária popular.
“Temos 100 milhões de hectares degradados que poderiam virar
agroflorestas produtivas. É uma questão de vontade política”, disse.

Agroecologia vs. Agronegócio: um modelo em disputa
Mauro denunciou os impactos do agronegócio:
 Destruição ambiental: Savanização da Amazônia, esgotamento do
Aquífero Guarani e contaminação por agrotóxicos.
 Saúde pública: Ultraprocessados dominam 90% da alimentação
global, gerando obesidade e doenças.
“O MST fornece 400 tipos de alimentos via PAA. Precisamos diversificar
a produção e mudar hábitos de consumo”, defendeu.
“Só a revolução pode frear a crise climática”
Ao final, Mauro foi enfático: “O capitalismo lucra com a destruição.
Enquanto houver financiamento de guerra e monocultivos, o colapso
ambiental avançará. Reforma agrária popular é parte da solução, mas
precisamos de mobilização massiva para mudar o sistema.”

Fonte: vermelho

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