General bolsonarista tinha plano para matar José Dirceu

O plano Punhal Verde Amarelo, elaborado pelo general Mário Fernandes
para matar autoridades, previa também o assassinato de Dirceu, o ‘Juca’,

segundo a Folha, por  Murilo da Silva.

Publicado 12/05/2025 16:54 | Editado 12/05/2025 17:27

José Dirceu durante solenidade no Senado (Foto: Geraldo Magela/Agência
Senado)

Alguns dos codinomes da trama bolsonarista para assassinar
autoridades já eram conhecidos. Os envolvidos no plano Punhal Verde
Amarelo se referiam a Lula como Jeca, Geraldo Alckmin era chamado de
Joca e o ministro Alexandre de Moraes de “professora”. Ainda restava
saber quem era o Juca, mas a reportagem da Folha de São
Paulo conseguiu a resposta: o ex-ministro José Dirceu.
A apuração se deu junto a pessoas próximas ao general Mário
Fernandes, o arquiteto da ação criminosa. De acordo com um oficial da
reserva próximo a ele, José Dirceu entrou na mira dos golpistas
identificados como  ‘kids pretos ’, pois acreditavam que ele seria um nome
forte no próximo governo Lula, recém-eleito à época. Porém, não só
Dirceu não frequenta o Planalto como está distante da articulação
político-partidária.
Assim, entre a cúpula dos operadores, ‘Juca’, pelo seu passado e
possível influência futura, deveria ser uma das vítimas. A Polícia Federal,
no decorrer das investigações, cruzando informações e por meio de
delações, confirmou os outros três codinomes citados.
A PF investigou a atribuição do codinome que faltava a outras pessoas,
mas não houve confirmação.
A investigação tem como base o plano Punhal Verde Amarelo (com
arquivo chamado “Fox_2017.docx”) encontrado em um HD externo de
posse de Mário Fernandes e o grupo de mensagens ‘copa 2022’ no
aplicativo Signal, onde as ações da trama eram organizadas.
Nas mensagens, ‘Juca’ era tratado como “iminência parda [sic] do 01 e
das lideranças do futuro gov [governo]”. Tal fato faz referência à
expressão do francês “eminência parda”, que sugere uma figura de
destaque nos bastidores, ou seja, Dirceu era visto como alguém com
lastro sobre o futuro presidente, portanto deveria ser “neutralizado”, nas
palavras dos ‘kids pretos’.
Como destacado pelo jornal, o general Fernandes previa na elaboração
dos assassinatos o envenenamento de Lula como forma de parecer algo
natural, pelo menos inicialmente.
Já Alckmin (Joca) e Dirceu (Juca), seriam ‘neutralizados’ (mortos) e a
situação não causaria grande comoção no país, no julgamento do
general. As mortes de Lula e Alckmin, na visão dele, extinguiriam a
chapa vencedora. Os alvos foram monitorados dois meses pelos ‘kids
pretos’.
O ministro do STF Alexandre de Moraes também era acompanhado. No
dia 15 de dezembro de 2022, dois militares estavam nas ruas

aguardando comandos da cúpula do grupo pelo “Copa 2022” no intuito
de sequestrar e prender o ministro. Um deles estaria próximo à
residência de Moraes, porém eles abortaram a ideia de última hora, após
a sessão do STF que estava sendo realizada ser adiada.
Julgamentos
Os ‘kids pretos’ estão  presos  preventivamente esperando julgamento.
Mário Fernandes foi preso em novembro e se tornou réu 22 de abril,
quando a primeira turma do STF analisou o  núcleo 2, entendidos como
“gerentes” das ações golpistas.
Já os tenentes-coronéis do Exército Rafael Martins de Oliveira, Hélio
Ferreira Lima e Rodrigo Bezerra Azevedo, assim como o policial federal
Wladimir Matos Soares (este se infiltrou na segurança de Lula), estão no
núcleo 3 (ações táticas) com outras pessoas e aguardam para saber se
também se tornarão réus pela justiça nos dias 20 e 21 de maio.

Fonte: Vermelho

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