Estudantes convocam Dia Nacional de Luta em defesa da educação e da soberania

Mobilizações ocorrerão em todo o país, em 11 ou 14 de agosto.
Lideranças da UNE e da UBES denunciam os ataques à educação e o

intervencionismo estrangeiro

por  Cezar Xavier

Publicado 04/08/2025 18:16 | Editado 04/08/2025 18:40

Brasília,DF 11/08/2023 A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União
Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de
Pós-Graduandos (ANPG) realiza atos públicos reivindicando revogação do
Novo Ensino Médio, reposição do orçamento da educação e direitos aos
pós-graduandos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Estudantes, professores e entidades educacionais de todo o Brasil
estão convocando atos para o próximo 11 de agosto, data que marca
o Dia do Estudante, como parte de um Dia Nacional de Luta em
Defesa da Educação e da Soberania Nacional. As manifestações
também se estendem ao dia 14 de agosto, com atividades em capitais
como São Paulo e Brasília.

A ação, articulada por organizações como a União Nacional dos
Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
(UBES), surge em resposta ao que os organizadores chamam de
“ameaças à democracia brasileira, aos investimentos em educação e
ao avanço de interesses estrangeiros sobre o país”.
A data do dia do estudante faz alusão ao 11 de agosto de 1827,
quando o imperador D. Pedro I instituiu os dois primeiros cursos
brasileiros de ensino superior na Faculdade de Direito de Olinda (PE)
e na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (SP), nas áreas de
ciências jurídicas e ciências sociais. Também no dia 11 de agosto, em
1937, na Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, foi fundada a
União Nacional dos Estudantes, que nesta data de 2025, comemora
88 anos.
“Sem soberania, não há educação de verdade”, diz UNE

Bianca Borges é presidenta da UNE
Em entrevista, Bianca Borges, presidenta da UNE, reforça o
simbolismo do 11 de agosto, destacando que a data já carrega um

histórico de mobilizações estudantis: “Em todo o Brasil,
tradicionalmente já temos eventos nesta data. Este ano,
especificamente, há eventos que acontecerão no dia 11, como em
Porto Alegre, e outros no dia 14, como em São Paulo e no Distrito
Federal.”
Segundo ela, a convocação do Dia Nacional de Luta está diretamente
ligada a episódios recentes no cenário político internacional:
“Chamamos este dia diante da necessidade imediata de
respondermos a esse intervencionismo estrangeiro que se manifesta
principalmente através deste tarifaço de Donald Trump. Entendemos
isso como uma medida para anistiar Bolsonaro e favorecer interesses
geopolíticos dos Estados Unidos no Brasil.”
Além da denúncia do cenário internacional, a UNE reivindica ações
concretas para o fortalecimento da educação pública brasileira:
“Lutamos pela recomposição orçamentária, por mais investimentos,
políticas estudantis permanentes e pela criação do INSAES, para a
regulação do ensino superior privado.”
UBES: “Democracia e soberania começam dentro da sala de aula”

Hugo Silva é presidente da Ubes
Para Hugo Silva, presidente da UBES, a juventude secundarista
também está preparada para ir às ruas. “O dia 11 está marcado na
história dos estudantes. E este ano, será uma semana de muita luta.
Os atos nacionais ocorrerão no dia 14, mas nossa mobilização
começa antes. A gente vai tomar as ruas para defender a educação e
o nosso país.”
Ele destaca que a luta por democracia se inicia nas escolas:v“Não há
soberania nacional sem democracia na sala de aula. Muitos
estudantes ainda não têm liberdade sequer para organizar um
grêmio estudantil. Precisamos mudar essa realidade.”
A pauta da UBES inclui também a transformação da escola pública:
“Queremos uma escola democrática, com investimentos em cultura,
ciência e com a participação efetiva da juventude. Nossa geração não
está omissa. Estamos organizados e mobilizados.”
Atos devem ocorrer em todo o Brasil

As manifestações incluem debates, assembleias, aulas públicas,
passeatas e atos políticos, organizados por entidades estudantis,
sindicatos de professores e movimentos sociais. O mote central das
mobilizações será: “Democracia e soberania: da sala de aula ao
Brasil”.
As atividades visam pressionar o governo federal por mais
investimentos na educação básica e superior, além de denunciar
medidas que, segundo os organizadores, ameaçam a autonomia
nacional e a qualidade do ensino público.
Uma geração que resiste
Os líderes estudantis deixam claro que as mobilizações deste agosto
são mais do que protestos pontuais: representam a continuidade de
uma luta histórica.
“Cada cartaz que a gente imprime, cada palavra de ordem que
cantamos, mostra que essa geração não vai se calar”, afirma Hugo
Silva.
A mobilização nacional pretende ecoar o recado: sem educação
pública de qualidade e sem soberania nacional, não há futuro
possível para o Brasil.

Fonte: Vermelho

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