Brasil gera 1,34 milhão de empregos em 2025 e atinge recorde

Setor de serviços segue como principal motor do mercado de
trabalho; São Paulo lidera em criação de vagas

por  Cezar Xavier

Publicado 27/08/2025 18:34 | Editado 27/08/2025 19:12

Mutirão de empregos no centro de São Paulo em setembro de 2019. Fotos
Públicas
O Brasil registrou, de janeiro a julho de 2025, a criação de 1.347.807
empregos com carteira assinada, de acordo com o Cadastro-Geral de
Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado nesta quarta-
feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apenas em julho,
foram 129.775 novas vagas formais, contribuindo para que o estoque
de vínculos ativos chegasse a 48,5 milhões — o maior número da
série histórica.

A marca fortalece o discurso do governo Lula sobre a recuperação
econômica, em um momento em que busca ampliar apoio no
Congresso e fortalecer sua narrativa de estabilidade. O salário médio
real de admissão em julho foi de R$ 2.277,51, reforçando a tendência
de recuperação gradual do poder de compra em meio à expansão do
mercado de trabalho formal.
Todos os setores impulsionam alta
O resultado de julho foi positivo nos cinco grandes setores da
economia. Serviços manteve a liderança, com 50,1 mil postos no mês
e 688 mil no acumulado do ano. Em seguida, aparecem Indústria (24,4
mil em julho e 253,4 mil no ano), Comércio (27,3 mil em julho e 119,2
mil no ano), Construção (8,7 mil em julho e 177,3 mil no ano) e
Agropecuária (19 mil em julho e 109,2 mil no ano).
O setor de Serviços, responsável por mais da metade das vagas
abertas no ano, é tradicionalmente marcado por empregos com
menor qualificação e salários mais baixos. Já a Indústria, que oferece
remunerações médias mais altas, criou pouco mais de 24 mil postos
em julho — um acúmulo anual de quase um terço do registrado no
setor terciário.
Desempenho regional
O saldo foi positivo em 25 das 27 unidades da Federação. Em julho,
São Paulo registrou o maior número absoluto de vagas criadas
(42.798), seguido por Mato Grosso (9.540) e Bahia (9.436). Quando
analisada a variação proporcional ao tamanho dos mercados de
trabalho, os destaques foram Mato Grosso (+0,97%), Piauí (+0,80%) e
Amapá (+0,79%).
Apesar da assimetria persistente demonstrar o peso de São Paulo no
mercado nacional, em termos proporcionais Mato Grosso, Piauí e
Amapá lideraram, sinalizando vitalidade de mercados menores,
especialmente no agronegócio e em serviços locais.
No recorte regional, os saldos ficaram distribuídos assim: Sudeste
(50.033), Nordeste (39.038), Centro-Oeste (21.263), Sul (11.337) e
Norte (8.128). A desigualdade estrutural persiste: regiões como
o Nordeste, embora tenham criado 39 mil postos em julho, ainda

convivem com taxas de informalidade muito acima da média
nacional.
Perfil dos trabalhadores
A geração de empregos em julho foi maior entre homens (72.974) do
que entre mulheres (56.801), embora elas tenham ocupado mais
vagas nos setores de Serviços e Comércio.
Por idade, jovens entre 18 e 24 anos concentraram a maior parte das
novas vagas (94.965), seguidos por adolescentes de até 17 anos
(26.374). Quanto ao nível de instrução, pessoas com ensino médio
completo lideraram o saldo (102.417).
O recorte etário entre 18 e 24 anos reforça a percepção de geração de
empregos de baixa produtividade e com salários que não
acompanham o custo de vida, muitas vezes em empregos
temporários ou de entrada. Isso é positivo por absorver parte da
juventude que mais sofre com o desemprego, mas revela também um
viés de rotatividade.
No recorte por raça, os pardos foram maioria nas admissões
(108.429), seguidos de pretos (21.889), brancos (18.889) e indígenas
(294). A População com Deficiência (PcD) também teve saldo positivo,
com 774 novos vínculos.
Fonte: Vermelho

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