PEC da Blindagem perde força na Câmara
“Os bolsonaristas querem se blindar com a nova PEC propondo a
prisão ou processo de deputados e senadores apenas com aval da
própria Casa”, critica Daniel Almeida
por Iram Alfaia
Publicado 28/08/2025 19:07 | Editado 29/08/2025 08:16
Plenário na Câmara durante votação da pauta-bomba (Foto: Kayo
Magalhães/Câmara dos Deputados)
Depois do adiamento da votação por falta de acordo, a PEC da
Blindagem perdeu força na Câmara dos Deputados mesmo entre os
apoiadores da impunidade. O PL de Jair Bolsonaro, por exemplo,
anunciou nesta quinta-feira (28) que a proposta não é mais prioridade
para o partido.
A proposta de emenda à Constituição protege deputados federais e
senadores de ações judiciais.
Pela PEC, parlamentares só podem ser processados com autorização
da Câmara e Senado. Alguns líderes defenderam a autorização a
partir de abertura de inquérito. Não houve acordo.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, que dizia que a PEC era
para “proteger o Parlamento” e “garantir independência dos
deputados”, afirma agora que a matéria não é prioridade depois da
discórdia e da péssima repercussão na sociedade.
“Tem gente que quer botar desgaste disso no nosso partido”, justifica
o líder do PL, partido que defende o projeto da anistia para os
golpistas do 8 de janeiro.
O líder do governo no Congresso, deputado Daniel Almeida (PCdoB-
BA), diz que o objetivo dos bolsonaristas com a proposta sempre foi a
impunidade.
“Enquanto o povo clama por justiça, os bolsonaristas querem se
blindar com a nova PEC propondo a prisão ou processo de deputados
e senadores apenas com aval da própria Casa. Isso não é lutar por
democracia, é transformar o Congresso em um abrigo de criminosos”,
critica Almeida.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) manifestou preocupação com a
agenda do Congresso.
“O Brasil não precisa discutir foro privilegiado, anistia ou PEC de
prerrogativas — o que precisamos é votar isenção do imposto de
renda, regulação do streaming para fortalecer o audiovisual,
regulação das redes para combater crimes e proteger nossa
democracia, sobretudo em ano eleitoral. Defendo uma pauta positiva,
que valorize os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e faça o
país avançar. O povo espera do Parlamento soluções para sua vida
real, não retrocessos”, defende.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-
AP), disse que parlamentares são cidadãos como qualquer brasileiro
e, portanto, devem responder às mesmas ações judiciais quando
necessário.
“Sou contra a PEC da Blindagem ou qualquer proposta que tente criar
privilégios. A nossa prioridade é trabalhar pelo povo”, afirma.
Fonte: Vermelho

