Conclave começa com forte influência de nomeações de Francisco
Cardeais de todo mundo se reúnem no Vaticano para eleger sucessor;
maioria dos votantes foi escolhida por Bergoglio, indicando possível
continuidade de sua visão para Igreja, por Barbara Luz.
Publicado 07/05/2025 14:09 | Editado 07/05/2025 15:36
Ao ingressso na Capela Sistina seguiu-se o juramento os cardeais | Foto:
Vatican Media
Após o período de luto pela morte do Papa Francisco, o Vaticano se
tornou, nesta quarta-feira (07), o epicentro das atenções com o início do
conclave para a eleição do novo líder da Igreja Católica. Os 135 cardeais
eleitores, reunidos na Capela Sistina, iniciam nesta tarde o processo de
escolha do Sumo Pontífice, em um conclave que já se configura como
um marco histórico. Este é o terceiro conclave do século 21, sucedendo
às eleições de Bento 16 em 2005 e do próprio Francisco em 2013.
Um dos pontos de maior destaque desta eleição é a expressiva maioria
de cardeais eleitores – 108 dos 135, o que representa 80% do total –
foram nomeados pelo próprio Papa Francisco durante seus 12 anos de
pontificado. Essa maioria esmagadora, representando uma rica
diversidade de comunidades católicas de diferentes culturas, sugere uma
forte possibilidade de que o próximo líder da Igreja compartilhe da visão
de um pontificado mais progressista e inclusivo, marcas da gestão de
Francisco. Contudo, analistas vaticanos ponderam que o eleito
dificilmente será um revolucionário da mesma magnitude que o Papa
falecido.
O conclave teve seu rito inicial com uma missa na Basílica de São Pedro,
seguida pela entrada solene dos cardeais na Capela Sistina. Lá,
realizaram o juramento de sigilo e obediência, um momento crucial que
precede o isolamento total dos eleitores do mundo exterior. A expectativa
para o primeiro dia inclui a possibilidade de uma votação inicial, cujo
resultado – inconclusivo (fumaça preta) ou decisivo (fumaça branca e
sinos) – seria divulgado por volta das 14h (horário de Brasília). Ao todo
133 cardeais participam da votação, dos 135 que poderiam – dois estão
fora por questões de saúde, segundo o Vaticano.
A partir desta quinta-feira (8), o ritmo se intensifica com quatro votações
diárias, duas pela manhã e duas à tarde, até que um candidato alcance a
maioria qualificada de dois terços dos votos (90 votos). As cédulas de
votação, preenchidas em segredo com o nome do preferido sob a
inscrição latina “Eligio in Summum Pontificem”, são queimadas ao final
de cada rodada, com a adição de tinta para sinalizar o resultado através
da cor da fumaça expelida pela chaminé da Capela Sistina. Uma pausa
para oração e contemplação está prevista para o sábado (10), caso
nenhuma decisão seja tomada até o final da sexta-feira.
A composição do Colégio Cardinalício para este conclave reflete a
estratégia de Francisco de ampliar a representatividade global da Igreja.
Pela primeira vez na história, 71 países estão representados entre os
eleitores, um aumento significativo em relação aos 48 de 2013.
Atualmente, dos 252 cardeais no total, 138 não são europeus, e entre os
135 eleitores, 82 são de fora da Europa, um número recorde que
evidencia a crescente importância do Sul Global no cenário católico.
O Brasil tem participação relevante no conclave, com sete cardeais aptos
a votar:
Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador (65
anos)
Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre
(64 anos)
Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo (75 anos)
Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro (74 anos)
Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília (57 anos)
João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília (77 anos)
Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus (74 anos)
Dom Leonardo Ulrich Steiner | Foto: Efe/Epa/Fabio Frustaci
Recentemente, o nome de Dom Leonardo Ulrich Steiner chegou a figurar
em listas de possíveis favoritos, conforme noticiado pela
agência Reuters.
A duração do conclave é incerta, mas a história recente aponta para
processos relativamente rápidos. Nos últimos dez conclaves, nenhum
ultrapassou cinco dias, e os dois mais recentes duraram apenas dois
dias. Assim que um novo papa for eleito e aceitar o cargo, a fumaça
branca e os sinos de São Pedro anunciarão ao mundo o novo líder da
Igreja Católica. O anúncio formal, precedido pela tradicional saudação
em latim “Habemus Papam”, deverá ocorrer cerca de uma hora após a
confirmação da eleição.
O mundo aguarda com expectativa o desenrolar do conclave que definirá
os rumos da Igreja Católica em um período de complexos desafios
globais. A forte influência das nomeações de Francisco sinaliza uma
possível continuidade, mas o nome do novo pontífice e seu estilo de
liderança ainda são incógnitas que mantém os fiéis e observadores
atentos aos sinais vindos do Vaticano.
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com agências

