Crescimento, emprego e redução da pobreza: O Brasil no caminho certo

Nesta semana, o IBGE divulgou estatísticas importantíssimas que indicam que o
Brasil segue uma trajetória de crescimento econômico, geração de empregos e
redução da pobreza.

A economia cresceu no terceiro trimestre 0,9% em relação ao trimestre anterior e
4,0% na variação anual. Vale lembrar que o Relatório Focus indicava, no final do
ano passado, um crescimento projetado para 2024 de apenas 1,59%.
O investimento, o consumo interno, a indústria de transformação e os serviços
impulsionaram esse crescimento. Os investimentos impulsionaram o PIB pelo
quarto trimestre consecutivo, elevando a taxa de investimento para 17,6%. As
políticas públicas e privadas de crédito devem ampliar sua capacidade de
aumentar a taxa de investimento para no mínimo 20%.
O consumo das famílias também cresceu pelo quarto trimestre consecutivo (5,5%
na comparação anual), estimulado pelo aumento do nível de ocupação, pela
elevação dos salários, pelos instrumentos de transferência de renda e proteção
social, além do crédito.
É fundamental sustentar uma dinâmica do desenvolvimento produtivo lastreada
no investimento e no consumo interno, para o que é urgente promover uma
trajetória de redução da taxa de juros para padrões compatíveis com as boas
práticas internacionais, garantir um orçamento público robusto direcionado ao
investimento em infraestrutura econômica e social, um mercado de capitais
dinâmico e uma política industrial progressivamente aprimorada e sustentada no
longo prazo. Os resultados esperados é uma capacidade produtiva ampliada e
moderna, apta a atender à demanda interna de uma economia que gera mais
empregos e salários mais altos, bem como capacidade de exportar bens
manufaturados e serviços.
O crescimento observado nos últimos anos impactou positivamente as condições
de vida da população. A publicação do IBGE “Síntese dos Indicadores Sociais:
uma análise das condições de vida da população brasileira – 2024”, divulgado
nesta semana, aponta mudanças positivas e relevantes nos indicadores do
mercado de trabalho e no padrão de vida, com redução da pobreza e melhorias
na educação e saúde. O contexto de desigualdades e iniquidades é muito grave,
exigindo esforços contínuos de transformação estrutural advindas do crescimento
econômico e da geração de empregos de qualidade.
A dinâmica econômica de crescimento tem melhorado as condições de emprego e
salários, com impactos sociais muito positivos. Em 2023, pelo quarto ano
consecutivo desde a pandemia, o nível de ocupação aumentou para 57,6%.
Segundo a PNAD Contínua, essa trajetória ascendente se manteve em 2024,
alcançando 58,7% em outubro. Cerca de 3,7 milhões de novos postos de trabalho
foram gerados em 2023, um movimento que continua em 2024, permitindo
atingir o recorde de 103,6 milhões de ocupados, o melhor resultado da série
histórica da PNAD Contínua.
Em outubro deste ano, o setor privado empregava 53,4 milhões de pessoas, das
quais 39 milhões com carteira assinada e 14,4 milhões sem registro formal. Os
trabalhadores por conta própria somam 25,7 milhões, um contingente que se
manteve estável no último ano. Já o número de trabalhadoras domésticas cresceu
2,3%, totalizando 6 milhões. Cerca de 12,8 milhões de pessoas trabalham no
setor público, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior.

O IBGE estima que há cerca de 66 milhões de pessoas em idade de trabalhar,
mas fora da força de trabalho ativa. Entre os ocupados, cerca de 40 milhões são
trabalhadores informais, sem direitos trabalhistas formalizados ou acesso às
políticas de proteção laboral e previdenciária. A força de trabalho subutilizada é
estimada em 18 milhões de pessoas, representando uma taxa de 15,4%, bem
menor que os 28,5% registrados em 2021.
Esse mercado de trabalho é heterogêneo, desigual, precário e vulnerável e têm
milhões de trabalhadores que desejam empregos e salários de qualidade. Para
promover uma migração virtuosa de empregos de baixa para alta produtividade,
é fundamental implementar políticas de formação profissional continuada e um
sistema público de emprego que integre políticas de transferência de renda,
formação e intermediação para ocupação.
Outra forma de observar os impactos do crescimento econômico e dos empregos
é analisar o comportamento dos salários. O rendimento real médio cresceu 7,1%
em 2023 e, em 2024, continua com alta de 3,9%, alcançando R$ 3.255,00. O
aumento do emprego e dos salários resultou em uma massa salarial de R$ 333
bilhões mensais, adicionando cerca de R$ 24 bilhões ao poder de compra das
famílias neste ano.
Esses resultados reforçam a necessidade de sustentar e expandir a atual política
de desenvolvimento produtivo e industrial, inovação, melhoria do ambiente de
negócios, cooperação internacional, crédito, formação profissional, relações de
trabalho e negociação coletiva.
É essencial enfrentar os bloqueios que impedem a redução significativa da taxa de
juros, a ampliação do crédito para capital de giro e investimento, a
implementação de projetos de inovação e o fortalecimento da educação de
qualidade em tempo integral. Tudo isso está ao nosso alcance, desde que
saibamos construir consensos sociais e políticos em prol do desenvolvimento
econômico e socioambiental.
Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, consultor,
membro do CDESS – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da
Presidência da República, membro do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil e ex-diretor
técnico do DIEESE (2004/2020).

Fonte: Rádio Peão Brasil

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