Especialistas veem risco à democracia com fim da checagem de conteúdo da Meta
A empresa, dona do Facebook e do Instagram, informou à AGU que encerrou o
programa de verificação somente nos Estados Unidos, mas não descarta que a
decisão seja estendida para outros países
Especialistas que participaram da consulta pública promovida pela Advocacia-
Geral da União (AGU) sobre o fim da checagem de conteúdo anunciada pela Meta,
dona do Facebook e do Instagram, temem que a nova política de moderação
fomente o discurso de ódio e seja uma ameaça à democracia.
A empresa informou à AGU que encerrou o programa de verificação de fatos
somente nos Estados Unidos, mas não descarta que a decisão seja estendida para
outros países.
O programa foi substituído nos Estados Unidos por “notas da comunidade”, no
qual os próprios usuários são responsáveis por denunciar conteúdos considerados
nocivos.
Afinado com o presidente norte-americano Donald Trump, Mark Zuckerberg, CEO
da empresa, considera os moderadores profissionais “muito tendenciosos
politicamente” e que era “hora de voltar às nossas raízes, em torno da liberdade
de expressão”.
Estudiosos do assunto, entidades e organizações sociais, que enviaram
contribuições à AGU, demonstram preocupação com os possíveis impactos caso
seja implantada no país essa nova política de moderação.
Para eles, as novas diretrizes podem fomentar o discurso de ódio, a violência de
gênero, o racismo e a homofobia nas redes sociais.
Dessa forma, haveria também riscos à segurança de pessoas negras, mulheres,
comunidade LGBTQIA+, crianças e adolescentes.
Algumas contribuições destacam ainda a ameaça à democracia representada pela
desinformação.
“Questionamentos sobre o uso de algoritmos para potencializar determinadas
publicações, os impactos das plataformas digitais no jornalismo, a publicação de
conteúdos criminosos segundo a legislação brasileira e preocupação com a
concentração de dados em mãos privadas também pontuam os subsídios
enviados”, diz nota da AGU.
A plataforma digital LinkedIn foi a única a enviar subsídios ao debate técnico,
detalhando as práticas atuais de moderação de conteúdo em seu ecossistema.
Fonte: Portal Vermelho

