Estudo aponta redução das desigualdades no Brasil sob o governo Lula
25 indicadores registram avanços nos últimos anos, “com destaque
para os indicadores relacionados ao meio ambiente e ao trabalho”.
Três índices (“relacionados à saúde e a condições de moradia”)
apresentaram retrocessos.
por André Cintra
Publicado 28/08/2025 17:31 | Editado 28/08/2025 17:32
Foto: arquivo/Prefeitura do Rio de Janeiro
Desde a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República,
em 2023, as taxas de desigualdades caíram no Brasil em diversas
áreas. É o que aponta o Relatório do Observatório Brasileiro das
Desigualdades – 2025, divulgado nesta quarta-feira (27).
Os avanços, porém, não tiram do País a condição de uma das nações
mais desiguais do Planeta, sobretudo na questão da renda. Em 2024,
conforme o estudo, o rendimento médio real de todas as fontes teve
um crescimento de 2,9% em relação a 2023, atingindo R$ 3.066.
Mesmo assim, as mulheres recebem, em média, apenas 73% do
rendimento médio dos homens.
O ponto positivo é que as mulheres negras, historicamente no último
degrau em termos de renda, foram as que tiverem um crescimento
maior, de 5,2%, ante 3,0% de avanço entre homens não negros. “Esse
resultado representa um sinal positivo de valorização, ainda que
insuficiente diante das desigualdades estruturais”, reforça a pesquisa.
A concentração de renda é outra chaga crônica e estrutural. Segundo
o Observatório, “o 1% mais rico ganhou, em média, 30,5 vezes mais
que os 50% mais pobres, com a maior disparidade no Nordeste
(32,0)”. O estudo também aponta que, no biênio 2017-2018, “as
famílias 10% mais pobres destinaram 26,4% de sua renda ao
pagamento de impostos, contra 19,2% das famílias 10% mais ricas”.
A conclusão é clara: no Brasil, o sistema tributário “aprofunda o
problema” da renda: “A alta carga de tributos indiretos torna o perfil
tributário brasileiro altamente regressivo, penalizando
proporcionalmente mais os mais pobres”. Em conjunto, essas
desigualdades afetam “desde o acesso à educação até a participação
política e as taxas de mortalidade”.
O sistema carcerário não foge à regra: “Na população prisional,
apesar das regiões Sul e Sudeste registrarem menor participação da
população negra, elas concentram maiores desigualdades relativas,
com maior população negra presa”.
A despeito do cenário de más notícias, o estudo destaca avanços
recentes, frutos das políticas publicas retomadas ou instituídas no
governo Lula 3:
“Queda de 41,3% na área desmatada no Brasil, entre 2022 e
2024. As emissões de CO² também caíram”
“Entre 2022 e 2024, o percentual de crianças de 0 a 3 anos que
frequentam creches subiu de 30,7% para 34,6%”
“A taxa de escolarização líquida do Ensino Médio cresceu de
71,3%, em 2022, para 74,0% em 2024”
“No Ensino Superior, a taxa passou de 20,1% para 22,1% no
mesmo período”
“O rendimento médio de todas as fontes cresceu 2,9% em 2024”
“A taxa de desocupação atingiu 6,6%, uma redução de -1,2 p.p.
em relação a 2023”
“Em 2024, os 1% mais ricos do país tinham um rendimento
médio 30,5 vezes superior aos 50% mais pobres, um pouco
menor que em 2023 (32,9 vezes)”
“A proporção de pobres reduziu em 23,4% em 2024, segundo
critério estabelecido pelo Programa Bolsa Família”
“A taxa de homicídio registrado de jovens entre 15 e 29 anos
(por 100 mil habitantes) apresentou queda entre 2021 e 2023
(de 49,7% para 45,8%)”
O estudo conclui que 25 indicadores registram avanços nos últimos
anos, “com destaque para os indicadores relacionados ao meio
ambiente e ao trabalho”. Três índices (“relacionados à saúde e a
condições de moradia”) apresentaram retrocessos. Além disso, oito
indicadores não tiveram mudanças significativas, apresentando
avanços “de forma restrita e lenta”.
Fonte: Vermelho

