Governo Lula vai comprar alimentos de empresas atingidas pelo tarifaço
Por meio de editais de compras públicas, frutas, legumes, vegetais,
pescados e carnes poderão ser adquiridos para a merenda das
escolas, hospitais e restaurantes universitários
por Murilo da Silva
Publicado 21/08/2025 18:49 | Editado 21/08/2025 20:06
– Foto: João Bittar | MEC-UNESCO
O governo federal comprará alimentos perecíveis que tiveram sua
comercialização com os Estados Unidos inviabilizada pelo tarifaço
imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os
produtos alimentícios que receberam a tarifa de 50% e poderão ser
adquiridos por editais de compras públicas estão frutas, legumes,
vegetais, pescados e carnes.
A informação foi revelada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e
Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em entrevista nesta quarta-feira
(20) ao programa radiofônico Voz do Brasil.
Segundo o ministro, as compras deverão ter como destino as
merendas escolares, hospitais, restaurantes universitários e
populares, programas de aquisição de alimentos para populações
que sofrem com insegurança alimentar, assim como para suprir as
refeições das Forças Armadas.
“O governo vai incluir em todos os seus editais de compras públicas a
aquisição para que não haja perda de alimentos”, ressalta Teixeira.
De acordo com o ministro, o governo também irá estimular que os
municípios comprem os produtos pelo Programa Nacional de
Alimentação Escolar (PNAE), auxiliando os produtores afetados. Esta
alternativa já consta no Plano Brasil Soberano .
Na avaliação dele, esta ação permitirá não só contornar a imposição
comercial unilateral de Trump, mas também representará uma
melhora na qualidade nutricional da alimentação escolar.
As vendas para o governo deverão ser feitas pelo preço que os
produtores praticam no Brasil, e não pelo valor de exportação que
era praticado.
“Há um interesse muito grande dos estados, inclusive dos estados
mais prejudicados, em incluir esses produtos nos editais. E o governo
vai incluir nos editais de compras públicas essa aquisição para que
não haja perda de alimentos numa sociedade que está cumprindo
com o desafio de ter saído do Mapa da Fome”, ressalta.
Caso a caso
A ideia do governo é atender as cadeias produtivas com maior grau
de perecibilidade e as que não encontram facilmente outros
mercados para destinar a produção.
Como exemplo, Teixeira indicou o caso das castanhas e do café, em
que os produtores têm se movimentado rapidamente para encontrar
outro destino, na Europa e na Ásia.
Já as carnes podem ser estocadas por frigoríficos, oferecendo maior
tempo para remanejar a cadeia produtiva.
O mesmo não acontece com peixes, mel, açaí, manga e uva. Estes
alimentos deverão estar mais presentes nas listas de compras
internas realizadas pelo governo em seus programas.
Fonte: Vermelho

