Governo prepara plano de contingência contra tarifaço de Trump, diz Haddad
Entre as opções, o ministro da Fazenda diz que estão o acionamento
da lei de reciprocidade e apoio aos setores prejudicados por meio de
crédito especial
por Iram Alfaia
Publicado 21/07/2025 15:54 | Editado 21/07/2025 16:18
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Diogo Zacarias/MF
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que sua pasta
trabalha num plano de contingência que será apresentado nesta
semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar o
tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, aos produtos brasileiros.
Entre as opções, o ministro afirma que estão o acionamento da lei de
reciprocidade e apoio aos setores prejudicados por meio de crédito
especial.
“Pode ser que tenhamos que apoiar setores que estão sendo
afetados injustamente, com relações de décadas com os Estados
Unidos. Mas o Brasil não vai adotar medidas de punição contra
empresas ou cidadãos americanos. Não podemos pagar na mesma
moeda algo que consideramos injusto”, disse nesta segunda-feira (21)
em entrevista à rádio CBN.
Haddad desafiou os veículos de comunicação do país a deixar cada
vez mais claro o problema, isto é, por interesses pessoais da família
Bolsonaro a economia do país está sob ataque.
“Nós estamos com um problema específico no país, que é o fato de
que uma família com prestígio na sociedade está concorrendo contra
os interesses nacionais”, critica.
Na entrevista, o ministro considerou medidas como tarifaço e
investigação sobre Pix como agressões externas injustificáveis. Ele
ligou as ações diretamente à atuação de Eduardo Bolsonaro junto ao
governo dos Estados Unidos.
“É muito grave o que aconteceu. O Brasil já se reuniu com autoridades
americanas mais de dez vezes este ano. O que mudou para que de
uma hora para outra a tarifa passasse de 10% para 50%?”, indagou.
O ministro diz que a orientação do presidente Lula é não sair da mesa
de negociação. “Não temos nenhuma razão para aceitar o que parece
uma provocação sem base factual de que a economia brasileira possa
estar prejudicando de qualquer maneira a economia dos Estados
Unidos da América. Em que que nós estamos prejudicando, em
nada”, enfatiza.
Para ele, é preciso trazer o debate para a mesa de negociação da qual
o Brasil nunca saiu e não sairá. “E nós estamos continuamente
provocando, no bom sentido da palavra, o debate com o governo dos
Estados Unidos para que haja uma resposta às nossas proposições, o
que não houve até agora”, revela.
“Em qualquer área que você olhar, o Brasil tem uma relação muito
mais amigável com os Estados Unidos do que qualquer outro país do
mundo. Então, não faz sentido o que está sendo proposto”, lamenta.
Fonte: Vermelho

