Lula lança TV 3.0, a nova era da televisão aberta no Brasil
Novo sistema promete imagem em 4K e 8K, som imersivo,
interatividade e integração digital. Transmissões começam em 2026, a
tempo da Copa do Mundo.
por Bárbara Luz
Publicado 27/08/2025 16:10 | Editado 27/08/2025 18:38
Cerimônia de Assinatura do Decreto de Implantação da TV 3.0 | Ricardo
Stuckert / PR
O presidente Lula assinou um decreto que regulamenta a TV 3.0,
também chamada de DTV+. A nova geração da televisão aberta
brasileira promete revolucionar a forma como o público assiste à
programação, unindo transmissões tradicionais ao acesso digital. O
início das transmissões está previsto para o primeiro semestre de
2026, a tempo da Copa do Mundo.
“Esse decreto representa o que vai ser a nossa visão de futuro sobre a
agenda digital e tecnológica, com abertura, cooperação e soberania.
Aliás, a soberania hoje é um grande tema que une todo o país. Não só
a soberania, mas soberania digital. Tudo tem a ver com a TV digital
que está sendo implementada agora”, afirmou Lula nesta quarta-feira
(27), durante a cerimônia de lançamento no Palácio do Planalto.
O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio
Palmeira, destacou que o Brasil será o primeiro país das Américas a
adotar a tecnologia: “A TV 3.0 é também uma questão de soberania
nacional”
O que é a TV 3.0 e como funciona
A TV 3.0 é o novo padrão de televisão digital baseado no sistema ATSC
3.0, considerado um dos mais avançados do mundo. Diferente do
modelo atual, em que os canais são acessados numericamente, agora
eles aparecem como aplicativos, de forma semelhante ao que ocorre
nas Smart TVs e plataformas de streaming.
Na prática, o usuário poderá abrir o “aplicativo” da emissora e ter
acesso tanto ao conteúdo transmitido ao vivo quanto a catálogos sob
demanda, incluindo séries, jogos, novelas e programas especiais. Essa
interface garante uma navegação mais intuitiva e coloca novamente
os canais abertos em destaque, algo que vinha se perdendo nas
Smart TVs atuais, onde plataformas pagas têm prioridade.
Outro ponto é a personalização: a TV 3.0 permitirá segmentar
propagandas de acordo com o perfil do telespectador, semelhante ao
que já acontece em redes sociais. “Se a pessoa quer trocar de carro,
será possível exibir propagandas que falem diretamente com quem
está em busca de um novo veículo”, explicou Leonora Bardini,
diretora de programação da TV Globo.
Além disso, a interatividade vai muito além do zapping de canais. Será
possível, por exemplo, votar em enquetes de reality shows, comprar o
figurino de uma novela em tempo real ou até adquirir produtos
apresentados em programas de culinária — tudo usando apenas o
controle remoto.
Qualidade técnica e integração
O salto tecnológico também será perceptível na qualidade
audiovisual. A TV 3.0 oferecerá imagens em 4K e até 8K, com brilho e
contraste superiores, além de som imersivo em padrão de cinema,
que será reproduzido em múltiplas direções, criando uma experiência
mais envolvente para o telespectador.
Importante destacar que a maior parte dessas melhorias, como
qualidade de imagem e som, não dependerá de internet, bastando
uma antena compatível. No entanto, para acessar recursos extras,
como compras online ou catálogos expandidos, a conexão é
necessária.
Inclusão digital e serviços públicos
A TV 3.0 também terá papel social estratégico. A Plataforma Comum
de Comunicação Pública e Governo Digital integrará serviços e
informações governamentais diretamente na tela do cidadão.
Emissoras como TV Brasil, TV Câmara, TV Senado e TV Justiça terão
posições garantidas no catálogo DTV+, assegurando maior
visibilidade.
A implantação será gradual, iniciando nas capitais e grandes centros,
com expansão prevista para até 15 anos em todo o território
nacional. O governo estuda incentivos fiscais para fabricantes e avalia
a possibilidade de distribuir conversores gratuitos a famílias de baixa
renda, como ocorreu na transição do sinal analógico para o digital.
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Fonte: Vermelho

