Lula pede auxílio da indústria para superar déficit habitacional
Segundo o presidente, por décadas o governo “enxuga gelo” na
construção de moradias, por Murilo da Silva.
Publicado 08/04/2025 16:02 | Editado 08/04/2025 18:53
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de
abertura da 29ª Feira Internacional da Construção Civil e Arquitetura (FEICON)
e da 100ª Edição do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC).
São Paulo Expo – Pavilhão 8 – São Paulo – SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR
O governo federal ampliou o acesso ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV )
e deve chegar a 3 milhões de moradias entregues até 2026. Mas de
acordo com o presidente Lula é preciso fazer mais.
Durante o 100º Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic),
nesta terça-feira (8), em São Paulo (SP), o líder brasileiro pediu aos
empresários da construção civil para que auxiliem o governo nessa
missão de acabar, ou pelo menos reduzir substancialmente, com o déficit
habitacional no país que já perdura muitas décadas.
Segundo o presidente, faz mais de 50 anos que o quadro de déficit
habitacional de cerca de 7 milhões de moradias perdura, acompanhando
o crescimento da população. E esta condição somente não se agravou
por conta do MCMV, criado em 2009.
“Vocês têm que ajudar a gente a acabar com essa marca de sete
milhões, faz 51 anos. Vocês já fizeram casa, todo mundo aqui já deve ter
feito muita casa, mas algo está acontecendo, parece que a gente está
enxugando gelo”, disse.
Leia mais: Minha Casa, Minha Vida amplia meta e mira 3 milhões de
moradias até 2026
A previsão de entregar 3 milhões de moradias até o final do seu mandato
não dá conta do desafio, por isso o presidente pediu maior disposição
para pensar em soluções criativas para solucionar este problema.
Neste ponto, Lula afirmou que chama a sua atenção a quantidade de
palafitas que ainda existem. Ele comentou que é uma vergonha a
quantidade dessas moradias construídas com estacas em áreas
alagadiças no litoral paulista: “É uma vergonha. São Paulo é o estado
mais rico da Federação e tem essa quantidade de palafitas entre Santos
e Guarujá”, critica.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Minha Casa, Minha Vida
A nova faixa do programa MCMV atende famílias com renda mensal de
R$ 8 mil a R$ 12 mil e permite o financiamento de imóveis de até R$ 500
mil, com prazo de até 420 meses (35 anos) e taxa de juros de 10,5% ao
ano — abaixo das taxas de mercado.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC),
Renato Correia, destacou o empenho do governo com o setor ao elogiar
a criação da Faixa 4 do programa, ampliando o acesso da classe média.
Segundo Correia, as ações do governo, como o decreto que regulamenta
o Fundo Social, garantindo dinheiro do Pré-Sal para o programa, tornam
as fontes de recursos para a construção recorrentes e previsíveis, o que
é essencial para o setor.
Em recado ao Banco Central, o industrial ainda disse que a taxa básica
de juros no atual patamar “sufoca” a indústria, portanto o setor que
representa apoia toda iniciativa que ajude a reverter este quadro.
O encontro ocorreu como parte da Feira Internacional da Construção
Civil (Feicon). Nesta terça, o presidente Lula ainda viaja para
Tegucigalpa, capital de Honduras , onde participa da Cúpula da Celac.
Fonte: Vermelho

