Movimentos populares promovem plebiscito sobre escala 6×1 e reforma tributária

Lançamento ocorrerá na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco,

a partir das 18h30, no dia 10 de abril

No próximo dia 10 de abril, a cidade de São Paulo será palco do Ato Nacional de
Lançamento do Plebiscito Popular 2025, que terá como objetivo debater a
redução da jornada de trabalho sem redução salarial e a reforma do sistema
tributário.
O evento, organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entidades
sindicais e outros movimentos, ocorrerá no Salão Nobre da Faculdade de Direito
da Universidade de São Paulo (USP), no Largo de São Francisco, a partir das
18h30.
“Duas cicatrizes marcam a sociedade brasileira e representam um atraso que
mantêm o país preso a um passado de exploração e injustiça social. Uma marca é
a superexploração da classe trabalhadora, com a manutenção de uma alta
jornada de trabalho. (…) A segunda marca é a injustiça na cobrança dos
impostos”, dizem os movimentos populares na divulgação do plebiscito.
“A escala 6×1 é a expressão mais visível da exploração do trabalho, ao impor a
diversas categorias um regime com um dia de folga semanal, sem qualquer
salvaguarda de convenções e acordos coletivos”, afirmam.
O tema está presente em pelo menos três textos legislativos. Um deles, que se
tornou mais conhecido nos últimos meses, é a Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) 8/2025, encabeçada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que prevê
expediente não superior a oito horas diárias associado a uma escala de quatro
dias por semana de trabalho, respeitando-se um limite de 36 horas semanais.
A PEC prevê um intervalo de um ano entre a sua eventual aprovação e a entrada
em vigor da norma, caso seja chancelada pelos parlamentares. O texto resulta da
emergência do movimento Vida além do trabalho (VAT), que tem mobilizado as
redes sociais desde o ano passado em defesa do fim da escala 6×1.
Os movimentos também defendem que é “preciso mudar o sistema tributário para
que os trabalhadores e os setores médios deixem de pagar muitos impostos, com
a contrapartida da tributação dos super-ricos e, sobretudo, dos bilionários, que
não pagam nada ou muito pouco em relação à sua renda e riqueza”.
Hoje, o sistema tributário brasileiro é considerado regressivo, ou seja, é aquele
em que se cobra mais tributo proporcionalmente de quem menos ganha, por
causa da predominância de impostos indiretos no sistema tributário.
De acordo com a pesquisa Progressividade tributária: diagnóstico para uma
proposta de reforma, publicada em outubro de 2024 pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), aqueles que recebem acima de R$ 1 milhão por ano
têm tributação de 13,6%. Os brasileiros que ganham em média R$ 450 mil anuais
pagam uma alíquota máxima de 14,2%.

Fonte: Brasil de Fato

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