Para Trump, “negociar” significa o Brasil entregar sua soberania e patrimônio

Enquanto Trump aplica tarifa de maneira autoritária e irresponsável
para impor seus interesses, instigado pelos “patriotas bolsonaristas”,

governo Lula busca o diálogo de alto nível

por  Priscila Lobregatte

Publicado 28/07/2025 17:58 | Editado 28/07/2025 18:47

Foto: Ricardo Stuckert
Vestindo a patética fantasia do mandatário bufão de um império em
decadência, Donald Trump avisa que não pretende ampliar o prazo,
estipulado em 1º de agosto, para a entrada em vigor da tarifa de 50%
sobre produtos brasileiros. Se fosse um presidente minimamente
sério, não proporia tal medida, arbitrária do ponto de vista comercial
e absurda do ponto de vista político e diplomático.
Do alto de sua arrogância de bilionário mimado, Trump age para
subjugar países, manipular vidas e afrontar soberanias, passando por
cima de tratados e organismos internacionais, tal qual certamente

devia estar acostumado a fazer com seus subordinados e
concorrentes do mundo corporativo.
Olhou o Brasil e, atuando em favor de interesses pessoais seus e dos
achacadores que o apoiam, imaginou que poderia “deitar e rolar”
sobre o país que ele deve enxergar como uma “República de
Bananas”.
Deixou isso claro com o tom impositivo da mensagem publicada no
início do mês, na qual avisou da nova tarifa, usando como
argumentos para justificá-la o que considera uma “caça às bruxas”
contra o golpista Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados; o que classificou
como “ataques contínuos” às empresas digitais estadunidenses por
parte do Judiciário brasileiro, bem como a suposta necessidade de
reequilibrar a balança comercial entre os dois países que, segundo
ele, seria deficitária para os EUA.
As manobras chantagistas, portanto, tiveram início com, ao menos,
três grandes mentiras. Mais tarde, juntaram-se a elas os ataques ao
Pix, classificado pela Casa Branca como uma ferramenta de
concorrência desleal. E mais recentemente, veio à tona também, de
maneira mais explícita, o interesse de Trump em explorar minerais e
terras raras abundantes no Brasil, usados por indústrias altamente
tecnológicas, cujos donos figuravam entre os principais convidados à
posse de Trump.
Cabe destacar ainda, nesse balaio de interesses escusos envolvidos
no tarifaço, os ganhos bilionários obtidos por “alguém” com
informação privilegiada que agiu no mercado financeiro especulando
em cima dos efeitos da carta antes mesmo dela ser tornada pública.
Ou seja, com o passar dos últimos dias, ficou claro que os ataques à
soberania brasileira têm como motivo central grandes interesses
econômicos do mercado e de mega-corporações, e não a defesa do
companheiro da “Internacional Fascista”.
Ao que parece, Trump usou o processo que corre no Supremo
Tribunal Federal (STF) contra Bolsonaro e aliados por tentativa de
golpe como desculpa para a tarifa, uma forma de “jogar para a

plateia” da extrema direita brasileira, tentando fortalecê-la diante das
dificuldades enfrentadas pelo seu principal líder.
Claro, Eduardo Bolsonaro, certamente teleguiado pelo pai, atiçou
Trump contra o Brasil — e talvez tente, agora, buscar uma saída para
a reação por ele inesperada, como forma de se colocar como o “herói”
que resolveu o problema das tarifas. Mas, ao que tudo indica, Trump
sempre teve em mente outros interesses, certamente mais valiosos
para ele do que a prisão ou não de Bolsonaro e companhia.
É nesse quadro que está a dificuldade encontrada pelo Brasil para
negociar. Afinal, para Trump “negociar” significa o Brasil abrir mão de
sua soberania e aceitar uma intervenção externa no sistema
judiciário; significa, ainda, entregar riquezas minerais a baixo custo às
empresas estadunidenses; deixar as big techs atuarem sem nenhuma
regulação e destruir um sistema público e gratuito de pagamento que
deu certo, mas que incomoda as operadoras de cartão sediadas
principalmente nos EUA.
Já para o governo Lula, “negociar” significa dialogar em alto nível, sem
colocar à mesa a soberania nacional, a economia e a vida dos
brasileiros; deixar que as instituições sigam cumprindo seu papel
constitucional de maneira independente e fazer frente a quaisquer
interferências estrangeiras sobre riquezas e políticas públicas
nacionais.
Com base nesses princípios, o governo Lula já manifestou, em
diversos momentos — antes mesmo da tarifa de 50% — a disposição
de dialogar com Trump no que diz respeito à questão comercial.
“Eu espero que o presidente dos Estados Unidos reflita sobre a
importância do Brasil e resolva fazer o que num mundo civilizado a
gente faz: tem divergência? Senta numa mesa, coloca a divergência de
lado e vamos resolver, e não de uma forma abrupta, individual de
tomar a decisão que vai taxar o Brasil em 50%”, disse o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (28), em São João da
Barra (RJ).
Em nota encaminhada à imprensa, o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio (Mdic), comandado pelo vice-presidente Geraldo

Alckmin, reiterou que o país está disposto a tratar das questões
comerciais com os EUA “sem qualquer contaminação política ou
ideológica”, mas ressaltou que “a soberania do Brasil e o estado
democrático de direito são inegociáveis”.
Alckmin tem sido um dos ministros que mais têm atuado para
consertar a crise gerada por Trump, conversando tanto com
empresários brasileiros quanto com representantes dos EUA,
inclusive o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick.
Nesta segunda-feira (28), o ministro de Relações Exteriores, Mauro
Vieira, foi para Nova York, onde cumpre agenda na Organização das
Nações Unidas (ONU) sobre a questão palestina. Mas, está a postos
para também tratar da questão tarifária junto ao governo
estadunidense caso haja espaço para diálogo.
Estas são apenas algumas demonstrações de que o Brasil é o adulto
da sala, tentando colocar ordem de maneira altiva na bagunça feita
pela turminha da extrema direita daqui e de lá, que de maneira
irresponsável joga com o futuro de milhões de brasileiros e, também,
de norte-americanos.
Fonte: Vermelho

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