STF abre ofensiva contra Bolsonaro e aliados na investigação da CPI da Covid
Ministro Flávio Dino inclui filhos do ex-presidente e ex-ministros em
inquérito que aponta incitação contra medidas sanitárias, desvio de
verbas e contratos fraudulentos
por Barbara Luz
Publicado 18/09/2025 11:55 | Editado 18/09/2025 12:09
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Rosinei
Coutinho/SCO/STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
determinou a abertura de inquérito para investigar o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) e 23 aliados, incluindo seus filhos Flávio, Eduardo e
Carlos Bolsonaro.
A decisão, tomada nesta quarta-feira (16), tem como base o relatório
final da CPI da Covid, concluída em 2021, que apontou a
responsabilidade do então presidente e de integrantes do governo
por condutas que agravaram a crise sanitária e contribuíram para que
o Brasil atingisse a marca de 600 mil mortos.
Segundo Dino, há “presença dos requisitos legais necessários para a
instauração de Inquérito Policial, a fim de que os fatos tratados nos
autos tenham apuração”. Ele fixou prazo inicial de 60 dias para que a
Polícia Federal conduza diligências, incluindo oitivas e coleta de
provas.
Além da acusação de incitar a população a descumprir medidas de
combate à pandemia, Dino destacou também indícios de crimes
contra a Administração Pública, como fraudes em licitações, contratos
superfaturados e desvio de recursos.
“A investigação parlamentar apontou indícios de crimes contra a
Administração Pública, notadamente em contratos, fraudes em
licitações, superfaturamentos, desvio de recursos públicos, assinatura
de contratos com empresas de ‘fachada’ para prestação de serviços
genéricos ou fictícios, dentre outros ilícitos mencionados no relatório
da CPI”, registrou o ministro.
O relatório da CPI pediu o indiciamento de Bolsonaro e outras 65
pessoas por nove crimes, entre eles epidemia com resultado morte e
charlatanismo. Apesar de a Procuradoria-Geral da República ter
aberto dez investigações preliminares à época, cinco foram
arquivadas, uma enviada a outra instância e quatro permaneceram
paradas.
Agora, a decisão de Dino reabre caminho para que as conclusões do
Senado sejam efetivamente analisadas e, eventualmente,
transformadas em responsabilizações criminais.
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com agências

