Trump faz discurso ao Congresso, ataca direitos e países com mentiras e protecionismo

Em tom belicoso, presidente dos EUA ataca direitos civis ao prometer
“fim da tirania da diversidade”. Discurso mira tarifas contra Brasil, México

e Canadá e insiste em anexar a Groenlândia, por  Lucas Toth.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou na noite de
terça-feira (4) seu primeiro discurso ao Congresso desde o início de seu
segundo mandato. Em uma fala de 1 hora e 40 minutos, marcada por
mentiras, aplausos da base republicana e protestos democratas, Trump
fez um balanço de suas primeiras semanas no cargo, destacando a
amplificação de sua política anti-imigração, cortes em programas sociais
e medidas protecionistas na economia.

A sessão conjunta no Capitólio começou tumultuada. O deputado
democrata Al Green, do Texas, foi expulso do plenário após interromper
o discurso do presidente com gritos de “você não tem mandato”.
Outros parlamentares democratas exibiram cartazes com mensagens de
protesto, incluindo “Salvem o Medicaid” e “Musk rouba”. A oposição
criticou a presença de Elon Musk na tribuna do Congresso e o papel que
seu Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) tem
desempenhado na reestruturação do governo federal.
Além de reforçar ataques a direitos civis e políticas progressistas, Trump
anunciou novas tarifas sobre produtos importados do Brasil, México e
Canadá, reacendendo a guerra comercial que marcou seu primeiro
governo. Em um tom expansionista, voltou a mencionar a possibilidade
de anexar a Groenlândia.
“Os Estados Unidos não podem continuar sendo enganados por países
que se aproveitam de nossa generosidade comercial”, afirmou Trump,
justificando as novas tarifas. No caso do Brasil, a sobretaxa atinge as
exportações de aço e alumínio, setores que já haviam sido impactados
por medidas semelhantes durante seu primeiro governo.
Ataques à diversidade e cultura “woke”
Em seu pronunciamento, Trump priorizou temas domésticos e apostou
na retórica anti-woke, caracterizando políticas de inclusão e justiça social
como ameaças aos EUA. Ele defendeu medidas que limitam políticas de
inclusão no serviço público e na educação, destacando a eliminação de
programas de diversidade em universidades e agências governamentais.
“Estamos resgatando a América do socialismo radical e da tirania da
cultura do cancelamento”, declarou. O discurso também explorou o
sensacionalismo, com menções a crimes violentos e doenças para
sustentar sua posição contra a imigração e cortes em programas sociais.
Segundo levantamento da imprensa norte-americana, várias das
afirmações de Trump foram falsas ou enganosas, incluindo a alegação
de que reduziu a imigração ilegal a “níveis históricos”.
Dados do próprio governo mostram que, embora as detenções tenham
diminuído em fevereiro, os números seguem superiores à média da
década de 1990.
Elon Musk e a “limpeza” no governo

Trump elogiou Elon Musk, que compareceu ao evento, e reforçou o papel
do DOGE na reestruturação do governo. “Estamos drenando o pântano.
E os dias de governo por burocratas não eleitos acabaram”, declarou.
O DOGE tem promovido cortes massivos em agências federais,
reduzindo o funcionalismo e interrompendo financiamentos de pesquisa e
desenvolvimento. O presidente não apresentou provas para embasar sua
afirmação de que o departamento já teria identificado “centenas de
bilhões de dólares em fraudes”, declaração contestada por especialistas
em auditoria governamental.
Ameaça de novas tarifas e impacto no Brasil
Na parte econômica, Trump reafirmou sua agenda protecionista. Ele
anunciou a ampliação de tarifas de importação, incluindo taxas de 25%
para produtos do México e Canadá, e prometeu estender a medida a
outros parceiros comerciais a partir de abril.
“Outros países usaram tarifas contra nós por décadas. Agora é a nossa
vez. A União Europeia, China, Brasil, Índia, México e Canadá nos
cobram tarifas muito mais altas do que cobramos deles. Isso é injusto”,
afirmou.
Embora Trump tenha citado o Brasil, a tarifa sobre produtos brasileiros
ainda não foi formalizada. No entanto, analistas apontam que setores
como o agrícola e o siderúrgico podem ser os mais afetados caso a
medida seja implementada.
Groenlândia e Canal do Panamá: discursos expansionistas
O presidente também retomou polêmicas que marcaram sua primeira
gestão, como a proposta de aquisição da Groenlândia. “Acho que
conseguiremos. De uma forma ou de outra, conseguiremos”, disse, sem
apresentar detalhes. Ele enfatizou que a ilha é estratégica para a
segurança dos EUA e acenou com promessas de investimentos caso o
território aceite ser incorporado ao país.
Em outra declaração, Trump sugeriu que seu governo pode reivindicar o
Canal do Panamá. “O canal foi construído por americanos e para
americanos. Não podíamos ter deixado ele para a China”, disse,
referindo-se à crescente presença de investimentos chineses no
Panamá. Analistas veem a declaração como um sinal de escalada na
pressão diplomática sobre a América Latina.
Guerra na Ucrânia e relação com Zelensky

Ao abordar a guerra na Ucrânia, Trump criticou o apoio europeu a Kiev e
defendeu uma “solução rápida” para o conflito.
“Nós gastamos 350 bilhões de dólares. Foi como tirar doce de criança.
Eles gastaram 100 bilhões”, disse, referindo-se aos aliados da OTAN.
O presidente leu trechos de uma carta enviada pelo presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, em que ele expressa desejo de
“trabalhar sob a forte liderança” dos EUA para obter uma paz duradoura.
A declaração foi interpretada como um recuo de Zelensky após as tensas
reuniões recentes com Trump.

Fonte: Vermelho

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