Em decisão unânime, STF torna réus mais 7 integrantes da trama golpista
Com base em denúncia da PGR, ministros avaliam se tornam réus outros
sete acusados pela tentativa de golpe de Estado, protagonizada por Jair
Bolsonaro (PL), por Priscila Lobregatte.
Publicado 06/05/2025 14:49 | Editado 06/05/2025 18:26
Foto: Gustavo Moreno/STF
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus, nesta
terça-feira (6), mais sete bolsonaristas acusados de participar da
tentativa de golpe de Estado, que culminou nos atos violentos do 8 de
janeiro de 2023. O grupo fazia parte do núcleo 4 da denúncia
apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Todos os cinco ministros que compõem a Primeira Turma votaram por
torná-los réus: o relator, Alexandre de Moraes, o presidente da turma,
Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
“As ações ganham ainda mais relevo quando observada a consonância
entre os discursos públicos de Jair Messias Bolsonaro e os alvos
escolhidos pela célula infiltrada na agência brasileira de inteligência”,
afirmou Moraes, em seu relatório.
As acusações dirigidas a este núcleo tratam da disseminação de
desinformação sobre o processo eleitoral — especialmente ao divulgar
notícias falsas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas —, além de
promover ataques virtuais contra instituições e autoridades que
tentassem impedir a permanência do ex-presidente da República, Jair
Messias Bolsonaro (PL), no poder.
No julgamento, foram tornados réus:
Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército;
Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército;
Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, engenheiro e presidente do
Instituto Voto Legal;
Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército;
Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército;
Marcelo Araújo Bormevet, agente da Polícia Federal;
Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército.
Com a decisão, o grupo responderá por cinco crimes:
Organização criminosa armada;
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Tentativa de golpe de Estado;
Dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra patrimônio
da União;
Destruição de patrimônio tombado.
Ao todo, até o momento 21 réus terão de responder, perante à Justiça,
pelos crimes relativos à tentativa de golpe, entre eles o ex-presidente Jair
Bolsonaro e nomes de peso de seu entorno.
Acusação
O julgamento teve início pela manhã, com a leitura do relatório, por parte
do ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, a subprocuradora-geral
Claudia Sampaio Marques falou em nome da acusação, defendendo que
a denúncia devia ser recebida.
Na avaliação da subprocuradora-geral, os apoiadores de Bolsonaro que
fazem parte desse grupo agiram de forma consciente e voluntária e
pertencem a uma organização criminosa composta por 35 agentes que
tinham o objetivo claro de impedir que o governo legitimamente eleito
exercesse o mandato.
Ainda de acordo com a PGR, para isso, os acusados teriam adotado
diversas estratégias, incluindo o uso indevido de ferramentas da Agência
Brasileira de Inteligência (Abin) a fim de disseminar notícias falsas sobre
supostas fraudes nas eleições.
A intenção era convencer a sociedade de que as urnas eletrônicas eram
inseguras e de que o resultado eleitoral não refletiria a vontade popular.
Claudia Sampaio Marques também apontou tentativas de adulterar
dados do Ministério da Defesa que atestavam a integridade dos votos,
além de ameaças a comandantes do Exército, da Aeronáutica e do
Comando Militar do Sudeste que se recusaram a aderir ao projeto de
golpe.
Núcleos golpistas
O primeiro dos núcleos que tiveram a denúncia julgada e aceita foi o
número 1, o mais importante por conter os “cabeças” da trama
golpista. O julgamento desse grupo ocorreu em março . Por unanimidade,
a Primeira Turma tornou todos os seus seis integrantes réus — entre
eles, Bolsonaro e seu candidato a vice, general Braga Netto.
Já a denúncia contra o núcleo 2 , composta por outros seis golpistas,
também foi aceita de maneira unânime em julgamento no dia 22 de abril.
Compunham esse grupo nomes como Silvinei Vasques, ex-diretor-geral
da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e Filipe Garcia Martins Pereira, ex-
assessor especial de Assuntos Internacionais de Bolsonaro.
O julgamento relativo à denúncia apresentada contra o núcleo 3,
composto por 12 acusados, está marcado para os dias 20 e 21 de maio.
Com agências

