Trump sofre revés com rebaixamento histórico da nota de crédito dos EUA

Moody’s retira classificação máxima dos EUA e alerta para deterioração
fiscal; política de cortes bilionários e confronto no Congresso fragiliza

economia do país

por  Lucas Toth

Publicado 17/05/2025 12:07 | Editado 17/05/2025 13:04

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião no Salão
Oval da Casa Branca; governo enfrenta críticas após rebaixamento da nota de
crédito do país pela Moody’s. Foto: Reprodução
A Moody’s retirou dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (17), a nota
máxima de crédito soberano, encerrando um ciclo histórico iniciado em
1919. A decisão, motivada pelo crescimento da dívida pública e pela
instabilidade na condução da política econômica, aprofunda a crise de
credibilidade do segundo mandato de Donald Trump.
O rebaixamento ocorre em meio a impasses no Congresso, fracasso da
agenda fiscal e divisões dentro do próprio Partido Republicano.

Com a medida, os EUA deixam de figurar no topo das classificações das
três principais agências globais de risco — Moody’s, Fitch e S&P — pela
primeira vez em mais de um século.
O novo rebaixamento, de Aaa para Aa1, foi anunciado após o
fechamento dos mercados, mas já provocou alta nos rendimentos dos
títulos do Tesouro norte-americano e aumentou a cautela entre
investidores.
A Moody’s justificou a decisão com base em uma combinação de fatores:
déficits fiscais persistentes, aumento dos juros e ausência de consenso
político sobre medidas sustentáveis.
“As forças econômicas e financeiras dos EUA já não compensam
plenamente o declínio dos indicadores fiscais”, afirmou a agência em
nota oficial.
Governo ataca economista que não participou da decisão
Em reação ao rebaixamento, a Casa Branca tentou transformar a crise
em disputa pessoal. O porta-voz de Trump, Steven Cheung, acusou o
economista Mark Zandi, da Moody’s Analytics, de ser responsável pela
medida e o chamou de “crítico contumaz” da administração.
Zandi, no entanto, não participou do processo, já que a Moody’s
Analytics não integra a divisão de ratings da empresa.
O ataque evidencia a estratégia do trumpismo de deslegitimar
instituições e buscar alvos externos para evitar qualquer autocrítica.
Em vez de apresentar alternativas ou explicações técnicas, o governo
optou por responsabilizar analistas independentes, mesmo sem ligação
formal com a decisão da Moody’s Ratings.
Projeto fiscal de Trump fracassa na própria base republicana
O rebaixamento ocorre num momento de fragilidade da agenda fiscal
trumpista. Um projeto que pretendia renovar os cortes de impostos
aprovados em 2017 — apelidado por Trump de “Big Beautiful Bill” — foi
barrado por parlamentares da ala radical republicana na Câmara dos
Representantes.
A proposta previa US$ 4 trilhões em cortes de impostos, com
compensações tímidas de US$ 1,5 trilhão em despesas.
A derrota no Congresso acentuou o desgaste político do governo, que já
enfrenta déficits estimados em US$ 2 trilhões ao ano e pressões

crescentes sobre o serviço da dívida. Economistas alertam que os cortes
beneficiariam principalmente os mais ricos e agravariam ainda mais a
concentração de renda no país.
Rebaixamento expõe fragilidade da hegemonia norte-americana
A decisão da Moody’s foi tomada em um contexto de crescente
desconfiança no ambiente político e econômico dos Estados Unidos. A
relação tensa entre o governo Trump e o Federal Reserve, a ausência de
articulação no Congresso e o acirramento das disputas internas no
Partido Republicano têm provocado incertezas entre investidores e
analistas.
Especialistas consultados por veículos internacionais observam que a
combinação de guerras tarifárias, desregulação sem planejamento e
ataques a instituições autônomas compromete a previsibilidade das
decisões econômicas e afasta investidores estratégicos.
O pacote tributário mais amplo, que inclui novas reduções de impostos
prometidas por Trump, também enfrenta obstáculos legislativos. O
bloqueio da proposta por um comitê da Câmara na mesma semana do
rebaixamento ilustrou as dificuldades do governo em consolidar sua
agenda.
O episódio reacende debates sobre os limites do modelo fiscal norte-
americano e sobre o papel do dólar como ativo seguro em um sistema
financeiro internacional cada vez mais tensionado por disputas
geopolíticas e instabilidade interna nos EUA.

Fonte: Vermelho

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