Alexandre de Moraes bloqueia contas e bens de Eduardo Bolsonaro
Deputado é investigado, junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro,
por tentativa de coagir autoridades judiciárias, obstruir investigação e
atentar contra a soberania brasileira
por Priscila Lobregatte
Publicado 22/07/2025 15:50 | Editado 23/07/2025 08:19
Eduardo Bolsonaro. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve contas
bancárias e bens bloqueados nesta segunda-feira (21) por ordem do
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a determinação, ele fica impedido de fazer transações
financeiras, inclusive receber doações em dinheiro e via Pix, a
exemplo dos R$ 2 milhões repassados por seu pai, o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL), para bancar as atividades criminosas do filho
contra o Brasil nos Estados Unidos.
Ambos são investigados em inquérito que apura a tentativa de coagir
autoridades judiciárias, obstruir investigação e atentar contra a
soberania brasileira ao estimular o governo de Donald Trump a
interferir no processo que corre no STF, relativo à tentativa de golpe
de Estado por parte de Jair Bolsonaro e outras autoridades de seu
governo.
Dentre as medidas adotadas por Trump para chantagear as
instituições brasileiras a suspenderem o processo está a taxação de
50% sobre produtos importados do Brasil, que passa a valer em 1º de
agosto.
Além disso, o presidente estadunidense determinou investigações
contra atividades internas e políticas públicas brasileiras, como o Pix
— pelo que ele classifica como “prática desleal” — e suspendeu vistos
de ministros do Supremo e familiares, em uma clara afronta à
autonomia das instituições do Brasil.
Como desdobramento deste inquérito, a Polícia Federal realizou
operação de busca e apreensão contra Jair Bolsonaro na sexta-feira
(18). Na ocasião, ele também recebeu tornozeleira eletrônica e teve
de cumprir uma série de restrições devido à possibilidade de risco de
fuga ou de pedido de asilo a alguma embaixada.
Nesta segunda-feira (21), Moraes intimou os advogados de
Bolsonaro a explicarem o descumprimento das medidas cautelares
estabelecidas na semana passada, “sob pena de decretação imediata
da prisão do réu.”
A incitação do governo Trump contra o Brasil se intensificou a partir
da ida de Eduardo aos EUA em março. Na ocasião, ele pediu licença
da Câmara dos Deputados e foi para o país, alegando que estaria
sofrendo “perseguição política”.
A licença terminou no domingo (20) e o parlamentar já disse que não
vai renunciar. De acordo com o regimento interno da Câmara, ele
pode ter o mandato cassado por faltas ao não retornar ao Brasil.
Fonte: Vermelho

