Brasil se prepara para II Conferência do Trabalho em meio a desafios

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizará, em março de 2026, a II
Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), treze anos após a primeira edição. O
evento ocorrerá após etapas estaduais e distrital agendadas para o segundo
semestre de 2025, como parte da estratégia do Governo Federal de fortalecer a
participação social e o diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder
público.
O documento-base da II CNT, divulgado pelo MTE, destaca o contexto de
profundas transformações no mundo do trabalho, agravadas por transições
tecnológica, digital, ecológica e demográfica. A Conferência tem como objetivo
central formular diretrizes para políticas públicas que promovam trabalho
decente, inclusão produtiva e transição justa, alinhadas ao desenvolvimento
sustentável e à soberania nacional.
Em sua mensagem, o ministro Luiz Marinho reconhece os desafios enfrentados
pelo país desde 2012, incluindo crises institucionais, polarização política e
impactos econômicos. No entanto, ressalta avanços recentes, como a criação de
mais de 4 milhões de empregos, a implementação do Crédito do Trabalhador –
que já ultrapassou R$ 52 bilhões em operações – e a liberação de recursos do
FGTS e FAT para fomentar o desenvolvimento.
A II CNT está estruturada em dois eixos temáticos: um dedicado às
transformações no mundo do trabalho frente às transições em curso, e outro
focado em políticas públicas para emprego, trabalho decente e transição justa.
Dentro desses eixos, serão debatidos subtemas como relações do trabalho,
negociação coletiva, qualificação profissional, financiamento de políticas via
fundos públicos, inclusão produtiva e combate à discriminação.
Entre os objetivos específicos da Conferência estão o fortalecimento do diálogo
social tripartite, a promoção da igualdade de oportunidades, a transição da
informalidade para a formalidade, a erradicação do trabalho análogo ao escravo e
do trabalho infantil, e a valorização dos direitos fundamentais do trabalho.
A metodologia do evento prioriza a participação plural e o debate democrático,
com base nos princípios da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A
expectativa é que a II CNT produza diretrizes robustas e pactuadas para orientar
as políticas nacionais de trabalho na próxima década, integrando crescimento
econômico, justiça social e sustentabilidade ambiental.
A Conferência ocorre em um momento de retomada das estratégias de
desenvolvimento nacional, com investimentos em infraestrutura,
neoindustrialização, transição energética e modernização do Estado. Seu sucesso
depende da capacidade de articulação entre governos, setor privado e sociedade
civil para enfrentar os complexos desafios do futuro do trabalho.

Fonte: Diap

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