EUA enviam mais de 4 mil militares à América Latina sob pretexto antidrogas

Governo Lula acompanha com preocupação; México rejeita
intervencionismo e Maduro adverte que resposta “pode ser o fim do

império americano”

por  Lucas Toth

Publicado 17/08/2025 10:19

O presidente dos EUA, Donald Trump, embarca no Air Force One sob
escolta militar, após anunciar o envio de mais de 4 mil tropas para a
América Latina em operação antidrogas. Foto; Reprodução
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que
acompanha “com preocupação” a decisão de Donald Trump de
mobilizar mais de 4 mil militares para o Mar do Caribe e áreas
próximas à América Latina, sob a justificativa de combater cartéis de
drogas.

Segundo auxiliares presidenciais, a medida é preocupante “em
qualquer circunstância”, especialmente diante da hipótese de violação
territorial. A chancelaria brasileira tomou conhecimento do
deslocamento por meio da imprensa internacional, sem comunicação
oficial por parte de Washington.
A mobilização é vista em Brasília como mais um passo da escalada
intervencionista dos Estados Unidos no hemisfério, em um contexto
em que Trump reforça sua política externa de confrontação.
O presidente norte-americano tem associado a crise do fentanil nos
EUA a cartéis latino-americanos, classificando-os como
“narcoterroristas” e autorizando sua perseguição militar direta.
Embora o Brasil não esteja incluído inicialmente na operação, fontes
diplomáticas confirmaram que Washington questionou por que
organizações como o PCC não são reconhecidas pelo governo Lula
como grupos terroristas.
O envio envolve o Grupo Anfíbio de Prontidão USS Iwo Jima e a 22ª
Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, além de submarinos
nucleares, aeronaves de reconhecimento P-8 Poseidon, destróieres e
um cruzador de mísseis guiados.
Outros navios, como o USS Fort Lauderdale e o USS San Antonio,
também foram mobilizados.
Os recursos foram transferidos para a área de responsabilidade do
Comando Sul (Southcom) e devem permanecer na região por alguns
meses. Em março, os EUA já haviam enviado destróieres para a
fronteira marítima com o México, sob responsabilidade do Comando
Norte.
Segundo revelou o New York Times, Trump assinou uma ordem
secreta instruindo o Pentágono a usar força militar em países latino-
americanos, com operações previstas por terra, mar e ataques
aéreos.
O documento cita diretamente Venezuela e México, com alvos como o
Tren de Aragua e a gangue MS-13. Fontes de defesa afirmam que a
ofensiva dá ao presidente norte-americano uma ampla gama de

opções de ataque, ainda que, por ora, a mobilização seja
“principalmente uma demonstração de força”.
Venezuela no alvo e reação dura de Maduro
Embora a justificativa oficial seja o combate ao narcotráfico, analistas
apontam que a Venezuela está no centro da estratégia de Trump.
Dias antes do envio das tropas, Washington anunciou uma
recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Nicolás Maduro,
acusado de vínculos com o narcotráfico.
A medida foi recebida em Caracas como mais uma tentativa de
desestabilização do governo bolivariano e de abrir caminho para
ações de mudança de regime.
Maduro reagiu com veemência e dirigindo-se aos “imperialistas”,
afirmou que não deve haver qualquer ilusão de impunidade. “Não se
atrevam a atacar, porque a resposta pode ser o fim do império
americano”, declarou o presidente venezuelano, em mensagem direta
à Casa Branca.
O governo venezuelano também reforçou apelos diplomáticos em
fóruns internacionais, denunciando a militarização da política
antidrogas como instrumento de pressão geopolítica.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum, em viagem à Guatemala,
respondeu prontamente às notícias sobre a mobilização de tropas
norte-americanas. Ela afirmou que a operação ocorre em águas
internacionais e, portanto, não configura violação de soberania, mas
reforçou que o México não aceitará qualquer ação estrangeira em seu
território.
“Nossa opinião sempre será a autodeterminação dos povos. Não
somente no caso do México, mas no caso de todos os países da
América e do Caribe. O único que manda no México é o povo”,
declarou em entrevista coletiva.
A negativa de Sheinbaum dialoga com um histórico de intervenções
dos EUA na região, que geram desconfiança sobre a real extensão da
operação.

O México já havia sido alvo de espionagem com drones da CIA,
segundo reportagens da CNN, como parte de missões de
monitoramento de cartéis. A nova mobilização, portanto, reacende
temores de que a campanha antidrogas sirva de cobertura para
pressões políticas mais amplas.
Riscos legais e estratégicos da operação
Nos Estados Unidos, especialistas alertam para barreiras jurídicas e
riscos associados à decisão de Trump. Tradicionalmente, o Congresso
deve autorizar o uso de força militar no exterior, o que não ocorreu
até agora.
Além disso, há preocupação de que as operações resultem em
mortes de civis e de militares norte-americanos.
Oficiais do próprio Pentágono demonstraram reservas quanto à
presença de fuzileiros navais em missões antidrogas, já que não são
treinados para esse tipo de operação, o que exigiria dependência da
Guarda Costeira.
Um memorando assinado pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth,
reforçou a diretriz de que a “prioridade máxima” das Forças Armadas
é defender o território americano.
O documento instrui o Pentágono a “selar as fronteiras”, “repelir
invasões” e garantir “opções militares credíveis” para assegurar
acesso irrestrito ao Canal do Panamá — ponto estratégico para o
comércio global. Em abril, Panamá e EUA firmaram acordo permitindo
a presença de tropas norte-americanas em áreas adjacentes ao canal.

Fonte: Vermelho

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