Excessos de bolsonaristas pioram situação do projeto de anistia aos golpistas
Pressões, obstruções e ataques, além do rechaço da opinião pública à
anistia, dificultam aprovação de regime de urgência buscado pela
extrema direita, por Priscila Lobregatte.
Publicado 09/04/2025 17:06 | Editado 09/04/2025 19:44
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Sonho dos bolsonaristas, o projeto de anistia aos golpistas da extrema-
direita — que beneficiaria diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro —
continua enfrentando dificuldades para se viabilizar. E pelo visto,
acontecimentos recentes indicam que a proposta poderá não ter vida
fácil no Congresso.
As mobilizações recentes nas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo a favor
do projeto ficaram aquém do esperado por eles e a opinião pública tem
se colocado majoritariamente contra a medida, conforme pesquisa
recente. Esse clima deve influenciar os humores dos parlamentares.
Soma-se a isso o fato de que o presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB) não parece muito disposto a agilizar a tramitação em
regime de urgência, especialmente após ter sido constrangido no ato
deste domingo (6) na avenida Paulista, quando o histriônico pastor Silas
Malafaia o chamou de “vergonha da Paraíba” por ainda não ter pautado a
matéria.
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rejeitam anistia
Além disso, segundo o noticiário, obstruções na Casa na semana
passada e a pressão que os bolsonaristas vêm exercendo sobre
deputados do Centrão teriam gerado incômodo neste segmento,
especialmente porque se trata de uma pauta que não está na boca do
povo e é rechaçada por mais da metade da população, ou seja, não é
interessante para eles se expor com o eleitorado, comprando essa briga.
Ao constatar esse mal-estar e temendo jogar tudo por terra, o PL decidiu
recuar da ofensiva.
Em meio a esse cenário, Motta teria conseguido convencer os líderes
partidários a não assinarem o requerimento de urgência, o que faria com
que o projeto de anistia fosse analisado diretamente no plenário, sem
passar pelas comissões.
Até o momento, o requerimento teria 233 das 257 assinaturas
necessárias, mas mesmo que atinja esse número mínimo, não há
garantia de que o presidente da Casa paute o projeto.
Por outro lado, Motta não deixa clara a posição que irá tomar a respeito,
caso os bolsonaristas consigam as assinaturas necessárias. Nesta
semana, o parlamentar disse não ser “censor” de pauta e que conduziria
o debate com “serenidade” e “sensibilidade”, mas também pontuou que o
assunto não é “a única pauta do Brasil”.
Também ponderou que “não podemos — diante de um Brasil que tem
tantos desafios pela frente, esse cenário internacional, os nossos
problemas internos —nos dar o luxo de achar que, aumentando uma
crise institucional, nós vamos resolver esse problema”.
Motta ainda teria dito a líderes próximos que não é o momento de
avançar com essa proposta e teria sinalizado o desejo de costurar uma
saída com o Senado, o Executivo e mesmo com o STF. Porém, de
acordo com a CNN, Motta deve se encontrar com Bolsonaro ainda nesta
quarta-feira.
Com agências

