Governo reabre caso do acidente que matou Juscelino Kubitschek
Laudo descarta os anteriores da ditadura que atestaram uma colisão do
carro de JK com um ônibus antes de atravessar o canteiro da via Dutra e
se chocar com uma carreta
por Iram Alfaia
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reabrir o caso do
acidente, em 22 de agosto de 1976, que matou Juscelino Kubitschek. O
Opala em que se encontrava o ex-presidente, conduzido pelo motorista
Geraldo Ribeiro, atravessou o canteiro central da via Dutra no Km 165,
em direção ao Rio de Janeiro, e se chocou com uma carreta. Os dois
morreram com a colisão.
De acordo com as investigações conduzidas pela ditadura militar, o
automóvel ficou desgovernado após ser atingido por um ônibus da viação
Cometa durante uma ultrapassagem.
O Ministério Público Federal (MPF) reabriu o caso e concluiu, em 2019,
que não poderia ser descartada a hipótese de atentado, uma vez que
“não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do
acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel”.
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ocultação de cadáver
A ditadura não realizou o exame toxicológico no motorista para saber se
ele havia sido envenenado. Na exumação do corpo, em 1996, o perito
Alberto Carlos disse ter visto um buraco semelhante ao de um tiro na
cabeça do motorista.
Divulgado em 2021, um laudo do engenheiro e perito Sergio Ejzenberg,
encomendado pelo MPF, descarta tecnicamente os laudos anteriores e
rejeita a hipótese de que uma colisão causou o desastre.
Esse trabalho foi determinante para que os integrantes da Comissão
sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão de Estado que
tem apoio técnico-administrativo do Ministério dos Direitos Humanos,
decidissem reabrir o caso.
Ejzenberg examinou os laudos realizados entre 1976 e 1996 pelo
Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), do Rio, que justificaram o
acidente do Opala com o ônibus antes do choque com a carreta. Ele
rejeitou a hipótese da colisão ter causado o acidente.
Em nota, a pasta comunicou que a CEMDP realizará audiência pública
nesta quinta-feira (13), em Recife, onde o assunto será examinado com a
manifestação do assessor especial do ministério Nilmário Miranda sobre
a importância do colegiado reanalisar o caso da morte de JK.
“Amanhã (14), em reunião ordinária e interna da CEMDP, o colegiado
tem entre seus pontos de pauta a discussão de uma consulta jurídica
sobre a possibilidade de reconhecimento de novos casos de pessoas
mortas e desaparecidas durante a ditadura militar. Após tal deliberação
sobre esse posicionamento jurídico, a comissão irá proceder ao
encaminhamento de novos pedidos de reconhecimento, tais como de
JK”, diz um trecho da nota.
Fonte: Vermelho

