Lula elogia Galípolo e diz que gostaria que os juros “fossem zero”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a redução dos
juros no Brasil e afirmou que, se dependesse exclusivamente dele, “todos os
juros seriam zero”. A declaração foi dada nesta segunda-feira (30/6), durante
cerimônia de lançamento do Plano Safra 2025/2026 para a agricultura familiar,
no Palácio do Planalto.
Ao comentar as taxas de financiamento oferecidas pelo governo ao setor rural,
Lula destacou que os juros de 3% e 2,5% previstos no programa são, na prática,
negativos quando comparados à inflação. “Se a inflação está em 5%, e o juro é de
3%, então é menos que juro zero. E é isso que a gente quer: apoiar quem produz
comida”, afirmou.
Apesar do desejo de zerar os juros, o presidente reconheceu as limitações do
atual modelo institucional, com o Banco Central operando de forma
independente. “Eu gostaria que todos os juros fossem zero, mas isso ainda não
depende da nossa política econômica, que não tem muito a ver com a taxação de
juros”, declarou Lula.
A taxa básica de juros está atualmente em 15% ao ano — o maior patamar em
duas décadas. A decisão do BC de manter os juros em patamar elevado tem sido
alvo de críticas recorrentes por parte do governo federal, especialmente diante
das dificuldades em impulsionar o crédito e os investimentos.
Lula voltou a demonstrar confiança em seu indicado no para a presidência do
Banco Central, Gabriel Galípolo. “O Galípolo é um presidente muito sério, e eu
tenho certeza de que as coisas vão ser corrigidas com o passar do tempo”, disse.
O petista também alfinetou a gestão anterior. “Nós sabemos o que herdamos e
não vamos ficar chorando. Vamos corrigir com responsabilidade, respeitando as
regras, mas pensando sempre nos que mais precisam”, afirmou.
O Plano Safra para a agricultura familiar prevê R$ 89 bilhões em crédito com
juros subsidiados e incentivos à agroecologia, à mecanização sustentável e à
inclusão de mulheres no campo — medidas que Lula tem classificado como
essenciais para “garantir comida barata na mesa do povo e dignidade no
campo”.
CORREIO BRAZILIENSE

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