Taxar super-ricos faz PIB subir e emprego crescer, diz estudo da USP

Pesquisa com dados de 1947 a 2020 mostra que tornar a cobrança do
IR mais justa estimula o consumo, acelera o PIB e gera mais vagas —

sem aumentar a carga total de impostos

por  Barbara Luz

Publicado 01/07/2025 17:30 | Editado 01/07/2025 18:28

Foto: freepik
Um estudo da USP mostrou que cobrar mais imposto de renda das
pessoas mais ricas ajuda a economia brasileira a crescer e gera mais
empregos. O levantamento analisou 13 reformas feitas no país entre
1947 e 2020 e concluiu que, quando o sistema se torna mais justo —
com os ricos pagando proporcionalmente mais —, o Produto Interno
Bruto (PIB) aumenta e mais pessoas conseguem trabalho.
Segundo a pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das
Desigualdades (Made/USP), esse tipo de reforma faz o PIB crescer
2,2% no mesmo ano em que entra em vigor e 3,8% no ano seguinte. O
número de pessoas empregadas também sobe: até 3,8% em três
anos.

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muitos ricos
Por outro lado, reformas que beneficiam os mais ricos — como cortar
impostos sobre investimentos financeiros — não ajudam nem o PIB
nem o emprego.
Por que isso acontece?
A explicação dos pesquisadores é simples: quem tem menos dinheiro
tende a gastar mais, enquanto os mais ricos poupam. Quando o
governo cobra mais imposto dos ricos e alivia a carga dos mais
pobres, acontece uma redistribuição da renda. Isso estimula o
consumo das famílias, o que movimenta a economia e incentiva os
empresários a investirem mais, gerando empregos.
Mesmo quando o governo não aumenta o total de impostos
arrecadados — apenas redistribui a carga tributária —, o efeito é
positivo. Ou seja: é possível deixar o sistema mais justo sem pesar no
bolso da população como um todo e ainda fortalecer a economia.

O que o governo quer mudar hoje
Desde o final de 2024, o governo Lula tenta aprovar uma nova
reforma no Imposto de Renda. A proposta isenta quem ganha até R$
5 mil por mês e cria uma alíquota mínima de 10% para quem recebe
acima de R$ 50 mil mensais (o que representa apenas 0,13% dos
contribuintes do país).
Hoje, muitas dessas pessoas de alta renda não pagam imposto sobre
lucros e dividendos — rendimentos de empresas — o que faz com
que grande parte de sua renda fique isenta. Um caso citado foi o de
um contribuinte que declarou R$ 1,4 bilhão em 2019, mas só pagou
imposto sobre R$ 100 milhões.
A proposta, embora tecnicamente sólida e baseada em evidências
empíricas, enfrenta resistência no Congresso Nacional. Com relatoria
do deputado Arthur Lira, o texto ainda não avançou por “falta de

clima”, segundo o próprio parlamentar, em meio ao agravamento das
tensões entre Executivo e Legislativo.
O que o estudo mostra na prática
O estudo da USP mostra que já houve leis no passado que tornaram o
sistema mais progressivo, como uma de 1951 que aumentou a
alíquota máxima do IRPF de 20% para 50%, e outra, em 1985, que
isentava rendas abaixo de cinco salários mínimos. Também foram
examinadas cinco medidas regressivas, como a redução de taxas
sobre investimentos de longo prazo em 2004 — essas últimas sem
impacto significativo sobre PIB ou emprego.
Segundo os autores, o impacto positivo das reformas progressivas
pode persistir por até três anos, com ganhos consistentes na taxa de
ocupação e na atividade econômica. A redistribuição de renda
embutida nessas políticas melhora a eficiência econômica ao
direcionar recursos para o consumo imediato, um motor fundamental
para o crescimento sustentado.
A principal conclusão dos autores é clara: aumentar os impostos
sobre quem ganha mais ajuda o Brasil a crescer, melhora a
distribuição de renda e ainda pode reduzir a dívida pública — tudo
isso sem prejudicar o conjunto da população.
Confira a íntegra do estudo “Reformas Progressivas no Imposto de
Renda: Efeitos sobre o PIB e o Emprego”  aqui.
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Fonte: Vermelho

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