Lula se emociona e diz que situação em Gaza é “genocídio premeditado”

Na França, presidente também salienta necessidade de grandes
potências acabarem com os ataques e declara: “é triste saber que o

mundo se cala diante de um genocídio”

por  Priscila Lobregatte

Publicado 05/06/2025 18:23 | Editado 05/06/2025 19:51

Lula e Macron durante coletiva. Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se emocionou e voltou a condenar
os ataques de Israel à Faixa de Gaza, o que classificou como um

“genocídio premeditado”. Lula também reforçou que as grandes
potências mundiais precisam dar um basta na atual situação.
As falas ocorreram nesta quinta-feira (5), durante entrevista coletiva no
Palácio do Eliseu, sede do governo francês, que contou também com o
presidente Emanuel Macron.
“Desculpe a emoção, mas é triste. É triste saber que o mundo se cala
diante de um genocídio, em que a grande vítima não é um soldado que
está em guerra, mas milhares de crianças. Sinceramente, o dia em que
eu perder a capacidade de me indignar, eu não mereço ser dirigente do
meu país”, disse o presidente.
Lula salientou que “não é possível a gente aceitar uma guerra que não
existe e, sim, um genocídio premeditado que um governante de extrema
direita está fazendo”. Ele também acrescentou que os ataques vão
contra os interesses do próprio povo judeu.
O presidente ainda frisou que a situação em Gaza é “um massacre por
parte de um exército altamente preparado contra mulheres e crianças. É
contra isso que a humanidade tem que se indignar”.
Além disso, rechaçou o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de
expulsar a população palestina para construir uma “riviera do Oriente
Médio”. Lula disse que o local não pode ser tratado como área de lazer,
mas, sim, como um território conquistado pelos palestinos “com muito
sacrifício”.
Lula também reforçou que “a mesma ONU que criou o Estado de Israel
tem que ter autoridade para proteger a área demarcada em 1967″. Foi
uma referência às fronteiras estabelecidas naquele ano e que têm sido
continuamente desrespeitadas por Israel, ao longo de décadas. “É o
mínimo do bom senso que a gente pode exigir como humanista”,
ponderou.
Maior pressão
Durante a entrevista, o presidente Emmanuel Macron disse que a Europa
irá pressionar Israel por condições que permitam a entrada de operações
humanitárias em Gaza com segurança.
“Há uma coordenação em nível europeu entre nossos ministros das
Relações Exteriores. Com os ministros da União Europeia, mas também
com o ministro britânico, para intensificar a pressão. Os próximos dias
vão ser decisivos”, afirmou Macron.

O presidente francês também declarou: “Nós vamos intensificar a
pressão, junto com os americanos, para obter um cessar-fogo, para
permitir que as operações humanitárias recomecem. E, ao mesmo
tempo, estamos preparando a conferência de 18 de junho com a Arábia
Saudita, que deve abrir o caminho para um mecanismo de
reconhecimento da Palestina e um mecanismo de segurança coletiva
para toda a região. As discussões continuam e veremos, nos próximos
dias, se devemos falar com voz mais grossa e tomar disposições
concretas”.
A coletiva é parte da agenda de compromissos que Lula cumpre em sua
passagem pela França, que se estende até o dia 9. A programação inclui
encontros com o presidente francês, atividades econômicas, culturais e
acadêmicas, além de cerimônias oficiais que simbolizam o estreitamento
da parceria estratégica entre as duas nações.
Lula também foi convidado a participar, em Nice, da 3ª Conferência das
Nações Unidas sobre os Oceanos, que busca promover o Objetivo de
Desenvolvimento Sustentável número 14 da Agenda 2030, dedicada à
conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos.

Fonte: Vermelho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *