Pesquisa faz governo Lula ligar o “sinal amarelo”: é urgente avançar

Muito embora não tenha ocorrido nenhum retrocesso no País nos últimos
30 dias, o índice pró-Lula caiu cinco pontos percentuais de dezembro a

janeiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a uma velha metáfora
para caracterizar as fases de seu terceiro mandato à frente do Planalto.
Se os primeiros dois anos foram de semeadura – ou seja, de retomar
programas e estabelecer as bases de novas políticas públicas –, o biênio
final do governo será para usufruir a safra que está vindo
“Agora, em 2025, é ano da colheita. Vamos começar a colher o que
plantamos”, resumiu Lula na entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em
15 de dezembro. “Daqui para frente, a gente (o governo) não pode
inventar. Tem que colher o que semeamos, (colher) todos os atos que
fizemos”, agregou o presidente na reunião ministerial de 20 de janeiro.
Duas pesquisas Quaest contratadas pela Genial Investimento e
divulgadas num intervalo de 45 dias mostram que a “colheita” é apenas
uma parte dos desafios para a gestão Lula. O primeiro desses
levantamentos foi baseado numa pesquisa com 8.598 pessoas, feita de 4
a 9 de dezembro. Para explorar o cenário de polarização, a Quaest tenta
ver se o eleitorado está mais à esquerda ou à direita, mais lulista ou mais
bolsonarista.
O resultado é um eleitorado que lembra a música de Cazuza: “Meu
partido é um coração partido”. No caso do Brasil, um coração tripartido.
Numa ponta, estão 33% dos eleitores – aqueles que poderíamos chamar
de “vermelhos”:
– 19% de declaram “lulista” ou “petista”
– 14% se dizem “de esquerda”, mas não se consideram “petista” ou
“lulista”
Noutro extremo, está o polo direitista, mais próximo ao ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL). Aí aparecem 32% de brasileiros:
– 12% de declaram “bolsonaristas”
– 20% se dizem “de direita”, mas não se consideram “bolsonaristas”
Entre os dois polos, está o eleitorado-pêndulo, que não se encaixa em
nenhum dos grupos. Eles somam 34%:
– 30% declaram não ter um posicionamento
– 4% não sabem ou não responderam

À primeira vista, há um equilíbrio na “escala de posições políticas”
proposta pela pesquisa Genial/Quaest. Mas a sondagem foi realizada
logo após as eleições 2024, nas quais, de 5.569 municípios em disputa,
os partidos de esquerda (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede)
elegeram prefeitos em apenas 752 (13,5%). Já os três maiores partidos
da direita (PL, PP e Republicanos) totalizaram 1.709 prefeitos eleitos
(30,7%), pouco menos que os 1.755 de PSD e MDB (31,5%).
Na prática, o equilíbrio no ponto de partida (a inclinação do eleitor) não
se traduziu num pleito polarizado. Mesmo com Lula na Presidência da
República, a direita e, especialmente, a centro-direita cativaram mais
votos e mais eleitos. Talvez tenham mais recursos, talvez capitalizem
melhor certos tipos de emenda, talvez se dediquem ao terço do
eleitorado sem predefinição partidário-ideológica. Mas, entre um e outro
“talvez”, o certo é que foram além de seus eleitores mais tradicionais.
A segunda pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira (27),
indica que, pela primeira vez desde o início do governo, sua taxa de
desaprovação prevalece: 49% dos brasileiros reprovam o trabalho do
presidente, ante 47% que o aprovam. Muito embora não tenha ocorrido
nenhum retrocesso no País nos últimos 30 dias, o índice pró-Lula caiu
cinco pontos percentuais de dezembro a janeiro.
Conforme recortes do levantamento, houve quedas significativas em
segmentos do eleitorado mais “lulistas”. Entre os moradores do Nordeste,
a aprovação caiu de 67% para 59%. Entre aqueles que ganham até dois
salários mínimos, a taxa de apoio baixou de 63% para 56%.
No X (ex-Twitter), Felipe Nunes, diretor da Quaest, sugere que, se a
colheita anunciada por Lula se confirmar, o governo pode reverter um de
seus indicadores mais negativos: para 65% dos eleitores, o presidente
não tem entregado as promessas da campanha de 2022. “Esse
percentual sempre foi alto, mas chegou ao seu maior patamar”, diz
Felipe. “Ou seja, mais do que gerar esperança, o atual governo produz
frustração na população.” Que venha, então, a colheita para dissipar
esse mal-estar.
Ainda segundo a pesquisa, 43% dos eleitores registram, hoje, mais
notícias negativas do que positivas sobre o governo. O episódio da
suposta “taxação do Pix” – uma fake news lançada e explorada pela
oposição bolsonarista – comprovou a dificuldade da gestão em pautar o
noticiário e as redes.
“A notícia negativa mais lembrada espontaneamente pela população
nesta rodada foi a do possível monitoramento do PIX (11%). É um
percentual muito alto que reforça o que a crise da primeira quinzena de
jan/25 impactou na aprovação do presidente”, avalia o diretor da Quaest.

Dois a cada três brasileiros acham que o governo mais errou do que
acertou nesse caso.
De olho nesse problema, Lula nomeou o marqueteiro Sidônio Palmeira
para a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. “A
informação dos serviços não chega à ponta. A população não consegue
ver o governo em suas virtudes”, discursou Sidônio, em 14 de janeiro, ao
tomar posse. “As mães e os pais precisam saber que chegou vacina no
posto. O garoto que está na escola precisa saber que existe o Pé-de-
Meia. A jovem precisa saber que o governo fornece absorvente para
proteger a dignidade dela.”
Por fim, sobressai a percepção negativa sobre a economia, mesmo com
o crescimento do PIB e desemprego em baixa.  Dois em casa três
brasileiros acham que a economia piorou ou está do mesmo jeito,
quando comparada a 12 meses atrás. “Grande parte dessa percepção
negativa sobre a economia vem do alto preço dos alimentos, que para
83% dos brasileiros subiu no último mês – o maior percentual da série
histórica”, alerta Felipe Nunes.
São dados que fazem o governo ligar o “sinal amarelo”. É necessário – e
é urgente – dar conta desse conjunto de desafios para viabilizar a
“colheita” e transformá-la numa vitrine mais eficiente do governo Lula.
“Vai ser preciso mais do que uma mudança de comunicação para mudar
a rota desses indicadores”, conclui Felipe. “Política e gestão terão que
andar acompanhados com a comunicação para que uma mudança real
possa dar novo rumo ao governo.”

Fonte: Vermelho

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