Plebiscito alcança meio milhão de votos e entra no centro da disputa política

Organizadores destacam que a mobilização em defesa do fim da
escala 6×1 e da taxação dos super-ricos tem crescido como resposta à

crise política e à ofensiva conservadora.

por  Cezar Xavier

Publicado 14/07/2025 17:11 | Editado 14/07/2025 17:40

Rio de Janeiro (RJ), 10/07/2025 – Trabalhadores e movimentos sociais fazem
manifestação pelo fim da escala de trabalho 6 x 1 e pela taxação dos super-
ricos, na Praça XV, quando também foram colhidos votos para o plebiscito
popular. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Em apenas sete dias de campanha, o Plebiscito Popular por um Brasil
Mais Justo já atingiu a marca simbólica de 500 mil votos — uma
demonstração do poder de mobilização das ruas e da força crescente
nas redes. Com 10 mil urnas cadastradas em todo o país, além de um
intenso debate circulando nas redes sociais e grupos de WhatsApp, a
mobilização popular vem ganhando visibilidade e força política.

Organizado por movimentos sociais, centrais sindicais, partidos de
esquerda e expressões religiosas progressistas, o plebiscito busca
pressionar os Poderes da República a atender duas demandas
urgentes da classe trabalhadora: o fim da escala 6×1, com redução da
jornada sem corte de salários, e a isenção do Imposto de Renda para
quem ganha até R$ 5 mil, acompanhada da taxação dos super-ricos,
com rendimentos acima de R$ 50 mil mensais.
A próxima etapa da campanha será o 2º Mutirão de Votação, entre os
dias 14 e 20 de julho, com foco em dobrar o número de votos e
ampliar ainda mais a capilaridade da consulta com ampliação da
mobilização nas ruas, organização de novas urnas e incentivo ao
debate nas redes. A consulta, que segue até o dia 7 de setembro, é
realizada presencialmente.
“Conjuntura virou a favor do nosso campo político”
Um dos dirigentes à frente da mobilização, Nivaldo Santana,
secretário sindical do PCdoB, dirigente da CTB e membro da comissão
executiva do plebiscito, vê com otimismo o cenário político:
“O fato positivo é que o plebiscito está rolando no Brasil inteiro. A
conjuntura mudou favoravelmente para nosso campo político: a
derrota do IOF no Congresso, o tarifaço do Trump e a repercussão
negativa desses dois episódios impulsionaram as mobilizações e
deixaram a extrema-direita com posturas defensivas.”
O sucesso da iniciativa ocorre em um momento de forte tensão entre
o governo do presidente Lula e o Congresso Nacional, acirrada após a
derrubada dos decretos que aumentavam a taxação do IOF sobre
investimentos no exterior. Segundo a Comissão Executiva Nacional do
Plebiscito, esse embate revelou “o caráter de classe do Parlamento
brasileiro” e abriu espaço para que a sociedade organizada se
manifeste diretamente.
Para Nivaldo, o crescimento da adesão reflete uma “vontade
represada” da população em participar politicamente, sobretudo em
temas que afetam diretamente o cotidiano dos trabalhadores.
“500 mil votos mostram que há esperança”

Paulo Henrique, dirigente do Movimento Brasil Popular e também
membro da comissão executiva do plebiscito, comemora os primeiros
resultados: “O início do Plebiscito Popular é um sucesso do ponto de
vista da luta política. Na primeira semana, foram cadastradas mais de
10 mil urnas em todo o país e coletamos mais de 500 mil votos.”
Segundo ele, a coincidência entre o lançamento do plebiscito e a crise
do IOF foi decisiva para projetar a mobilização:
“A crise no Congresso estourou na véspera do lançamento, e o
plebiscito apareceu como uma ‘resposta política’ dos movimentos
populares à grave crise que estamos visualizando.”
Paulo destaca ainda que a maior parte dos votos foi fruto
da participação espontânea nas redes sociais e da militância
progressista, mas que o trabalho de rua tem sido essencial:
“O nosso principal objetivo é o diálogo ‘cara a cara’ com o povo
brasileiro. Escutar suas angústias e questões, mas, sobretudo,
compartilhar uma mensagem de esperança. Com unidade em torno
da taxação dos super-ricos e do fim da escala 6×1, podemos vencer.”
Paulo Henrique destaca um momento simbólico da campanha: “A
militância tem ido pra rua de forma criativa dialogar com a população.
Um exemplo foi o vídeo que viralizou dos jovens do Levante Popular
da Juventude subindo num ônibus em Guarulhos para rimar e
divulgar o plebiscito. É essa ousadia que movimenta a luta.”
Mobilização nos territórios e crescimento digital
A campanha tem demonstrado notável capacidade de
organização territorial e digital. No campo presencial, bancas e tendas
foram montadas em praças, terminais de ônibus, feiras e locais de
trabalho. A presença da militância tem gerado “diálogo direto e
politização da população”, como destacam os organizadores.
Nas redes, o alcance também surpreendeu. O perfil oficial no
Instagram saltou de 10 mil para 80 mil seguidores em uma semana. O
debate nas redes viralizou, alcançando grupos de WhatsApp fora das
bolhas tradicionais da esquerda.

A avaliação dos movimentos sociais é que o êxito do plebiscito, até
agora, se deve à sintonia entre militância de base e articulação digital.
Enquanto as ações nas ruas permitem um contato direto com
trabalhadoras e trabalhadores menos conectados às organizações
populares, as redes sociais impulsionam a campanha com velocidade
e abrangência nacional.
Para os organizadores, a mobilização se firmou como ferramenta
pedagógica e política, promovendo educação popular e politização a
partir das próprias contradições do momento atual.
Com meio milhão de votos e engajamento crescente, o Plebiscito
Popular dá sinais de que o povo quer ser ouvido — e que há
disposição para disputar o futuro do Brasil, nas urnas simbólicas da
rua e nos algoritmos das redes.
Um plebiscito simbólico, mas politicamente decisivo
Ao final da campanha, o resultado será entregue formalmente ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente da Câmara dos
Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB), ao presidente do
Senado Davi Alcolumbre (União-AP) e ao ministro do Supremo
Tribunal Federal Edson Fachin.
Embora a consulta popular não tenha caráter vinculante nem
auditoria oficial, sua legitimidade política cresce a cada dia. Ao
mobilizar centenas de milhares de pessoas em todos os estados, o
plebiscito revela a potência da ação direta organizada, em um cenário
institucional marcado por chantagens da elite política e ataques aos
direitos sociais.
Fonte: Vermelho

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