Professor de Harvard diz que o Brasil defende a democracia melhor que os EUA

Em seminário realizado pelo Senado brasileiro, Steven Levitsky,
coautor do best-seller ‘Como as democracias morrem’, exaltou o STF

por julgar envolvidos na tentativa de golpe

por  Murilo da Silva

Publicado 13/08/2025 12:17 | Editado 14/08/2025 07:57

Steven Levitsky. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Mais de uma vez o presidente Lula afirmou que se o presidente dos
Estados Unidos,  Donald Trump, tentasse fazer no Brasil o que fez no
Capitólio, ele seria julgado e poderia ser preso , o que não aconteceu.
A afirmação ressalta a força e a independência que a Justiça e as
instituições brasileiras possuem para salvaguardar um dos bens mais
preciosos para a população: o regime democrático.
Nesta terça-feira (12), em seminário realizado no Senado Federal, em
Brasília (DF), um dos maiores estudiosos da ciência política

internacional, o professor da Universidade de Harvard, Steven
Levitsky, demonstrou comungar desse mesmo entendimento.
Diferente do que acontece nos EUA, quem atacou e planejou um
golpe contra o Estado Democrático brasileiro agora está no banco dos
réus do Supremo Tribunal Federal (STF). A visão de que as instituições
brasileiras têm sido exemplares na defesa dos pilares constitucionais,
compartilhada por Lula e Levitsky, também é referendada pela
maioria da população que se mostra contrária à  anistia aos
envolvidos na trama golpista , ou seja, entendem que devem ser
julgados.
De acordo com Levitsky, coautor do best-seller ‘Como as democracias
morrem’, o Brasil fez o correto com os envolvidos nos atos
antidemocráticos de 8 de janeiro, oferecendo uma resposta mais
robusta frente aos crimes praticados em comparação com a invasão à
sede do poder legislativo federal norte-americano.
“Acredito que a Suprema Corte brasileira fez exatamente a coisa
certa, defendendo a democracia brasileira agressivamente. A
resposta do Brasil à ameaça de Bolsonaro tem sido mais eficaz do
que a resposta americana a Trump. O Congresso e a Justiça dos
Estados Unidos abdicaram de sua responsabilidade de encarar o
autoritarismo de Trump”, afirma o professor.
Como aponta, a população estadunidense não tem noção do risco
que correm ao não enfrentar o golpismo, o que pode significar um
caminho para se tornarem um regime autoritário. A falta de reação
da sociedade é atribuída à falta de memória coletiva sobre
autoritarismo, diferente do que acontece com os brasileiros com uma
lembrança vívida sobre a ditadura militar.
“No Brasil, estão investigando e processando Bolsonaro, baniram a
possibilidade de Bolsonaro concorrer a cargos eletivos, e parece que
vão condená-lo por seu atentado à democracia. (…) Essa é uma
diferença [em relação aos EUA] que tem consequências”, pontua
Levitsky.
O cientista político explica que os líderes com vocação autoritária de
hoje têm se aproveitado do enfraquecimento das instituições e da

insatisfação popular com a política. A ascensão mundial de líderes
autocratas tem acontecido nas brechas criadas por falta de entregas
em termos de políticas públicas que criam um sentimento de revolta
popular contra as instituições, gerando uma crise de
representatividade oportunamente explorada pelos próceres de
ditaduras, como Jair Bolsonaro.
“As democracias morrem pelas mãos de líderes eleitos que usam as
ferramentas da democracia para subvertê-las”, sentencia Levitsky.
Mas na complexidade das relações sociais onde se cria o cenário
propício para o enfraquecimento das instituições também reside o
anteparo contra a barbárie. O professor entende que a última linha
de defesa em um cenário de instituições fragilizadas está na
mobilização popular, o que envolve a participação de lideranças civis
como freio contra os que atacam a democracia. Nesse sentido, é
importante ter marcos sobre limites que sejam inegociáveis, um
discernimento que o Brasil tem tido, diferente dos Estados Unidos.

*Com informações Agência Senado

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