Usuários da Sabesp sentem consequências nefastas da privatização, um ano depois

Um ano após entrega ao capital privado, Sabesp lança campanha com
números distorcidos e promessas vazias, enquanto usuários
enfrentam tarifas altas, precarização dos serviços e exclusão social
por  Cezar Xavier

Publicado 26/07/2025 14:40 | Editado 26/07/2025 14:41

Um ano depois, são acionistas vêem vantagem na venda da Sabesp, que
acumula problemas de manutenção, perda de pessoal e inflação de tarifas.
Foto: Governo do Estado de SP
Ao completar um ano sob controle privado, a Sabesp lançou uma
campanha publicitária audaciosa: promete investir R$ 70 bilhões até
2029 — “mais do que nos 50 anos anteriores”. A comparação, porém,
é uma fraude técnica. Levantamento da Folha de S.Paulo mostra que,
entre 1995 e 2024, a Sabesp — ainda estatal — investiu mais de R$ 74
bilhões em valores nominais. Corrigidos pela inflação, esses aportes
ultrapassam R$ 135 bilhões.

A “nova Sabesp” tenta justificar a propaganda com um malabarismo
contábil: baseia-se na chamada “base de ativos regulatória”, que
desconsidera investimentos anteriores depreciados. O resultado é um
discurso técnico travestido de inovação, que esconde a realidade: o
setor privado assume uma infraestrutura já construída e ainda quer
lucrar em cima dela.

O povo paga a conta: tarifas sobem, dividendos disparam
Desde a privatização, casos de aumentos drásticos nas contas de
água se multiplicaram. Moradores da Grande São Paulo relataram
saltos de R$ 70 para até R$ 500 mensais. Embora a empresa aponte
ampliação do acesso à tarifa social e crie o programa “Tarifa Social
Paulista”, os descontos não compensam o impacto real da elevação
tarifária.
Enquanto isso, os dividendos pagos a acionistas crescem
rapidamente. A distribuição, antes limitada a 25% dos lucros, poderá
chegar a 100% em 2030. No primeiro trimestre de 2025, o fluxo de
caixa para investidores cresceu de R$ 1,18 bilhão para R$ 1,95 bilhão.
Ou seja, o lucro está garantido — ainda que a água falte na torneira
dos mais pobres.
Investimento com exclusão: periferias podem ficar de fora

Resistência segue firme: água é direito, não mercadoria
Enquanto a gestão privatista tenta reescrever a história da Sabesp, o
Sintaema segue em mobilização. A entidade sindical denuncia os
impactos da privatização, exige transparência na regulação e defende
um modelo de saneamento público, universal e acessível.
A tentativa de apagar o passado estatal da Sabesp — reconhecida
internacionalmente por sua tecnologia, cobertura e gestão — revela o
verdadeiro projeto em curso: transformar um direito básico em ativo
de mercado. O futuro da água em São Paulo não pode ser decidido
por acionistas.

Com informações da Folha de S. Paulo e Sintaema

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