“Nunca seremos desenvolvidos se não apostarmos na educação”, diz Lula

Presidente entregou o “Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização”
em cerimônia em Brasília com a presença de educadores e alunos
por  Murilo da Silva

 

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de
entrega do Prêmio Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, no Centro
Internacional de Convenções do Brasil. Brasília – DF. Foto: Ricardo Stuckert /
PR
O Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização foi entregue, nesta
segunda-feira (10), pelo presidente Lula em evento no Centro
Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília. Estiveram no evento
representantes estaduais e municipais, incluindo governadores, prefeitos,
professores e alunos.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), 99,9% dos estados e
municípios aderiram ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada,
lançado em 2023 e pelo qual a entrega do Selo faz parte. A partir do
compromisso, 51 mil escolas receberam cantinhos de leitura e 7,2 mil
articuladores municipais e estaduais foram qualificados. Foram investidos
mais de R$ 1,3 bilhão.
A principal meta do programa é atingir, até 2030, 80% das crianças
alfabetizadas ao fim do 2º ano. Segundo o presidente Lula, foi feito um
acordo com os 27 governadores e com quase todos os seis mil prefeitos
do país em forma de desafio, com a responsabilidade de alcançar a
meta.
“Não é difícil, muito menos impossível se a gente tiver vontade de fazer.
Se a gente assumir esse como um compromisso de honra e como se a
gente estivesse cuidando das crianças do município como se
estivéssemos cuidando dos nossos filhos. É esse compromisso que
precisamos assumir diante do futuro desse país que não pode mais
atravessar um outro século sendo eternamente um país em via de
desenvolvimento. Está na hora do Brasil ser um país desenvolvido, e
nunca seremos desenvolvidos se não apostarmos na educação”,
afirmou.
Leia mais:  Brasil recupera nível de alfabetização do período pré-
pandemia, indica MEC
No seu discurso, Lula ainda ressaltou que enquanto for presidente “não
vai faltar recurso para recuperar a educação do Brasil”.
“Se tem uma coisa que a gente não pode abdicar, se tem uma coisa que
a gente não pode retroceder, ou jamais ter medo de gritar e defender é a
educação. Hoje, eu fico pensando nos grandes economistas que
disseram: “não pode fazer escola porque custa dinheiro, não pode fazer
universidade porque custa muito caro”. Eu me pergunto, quanto custou
não fazer as coisas no tempo certo? Não ter investido na educação na

década de 50? Quanto custou não alfabetizar as crianças 40 anos atrás?
O barato fica caro e fica cada vez mais caro”, refletiu o presidente.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O ministro da educação, Camilo Santana, destacou a importância da
alfabetização no tempo correto.
“Todo mundo sabe, quando a criança não aprende a ler e escrever ao
final do segundo ano, compromete todos os anos escolares dessa
criança. Aumenta a distorção idade-série, aumenta a reprovação,
aumenta o abandono e a gente chega no ensino médio com quase meio
milhão de jovens abandonando a escola. Não queremos deixar nenhuma
criança e nenhum jovem para trás nesse Brasil. Hoje estamos
reconhecendo os processos, os esforços e as iniciativas de cada
município e cada estado aqui representado”, celebrou.
“Prefeitas e prefeitos, voltem aos seus municípios e tenham o orgulho de
dizer: “o meu município tem compromisso com a alfabetização das
crianças da minha cidade”. É esse reconhecimento que nós queremos
dar a cada um de vocês como estímulo, porque temos uma meta para
ser alcançada. Saímos de 36% e chegamos a  56% das crianças

alfabetizadas.  Temos uma meta de chegar, até 2030, a pelo menos a
80%. Mas acho que vamos alcançar essa meta antes. Nesse ano ainda
vamos divulgar os resultados também da avaliação censitária que foi
realizada para avaliação do ano de 2024”, indicou Santana.
A professora alfabetizadora, Elaine Silva Lima, docente há 19 anos na
educação básica em Moju, Pará, falou sobre a importância da iniciativa.
“É possível alfabetizar toda criança. Tenho prazer de estar na sala de
aula e contribuir com a formação de pessoas, que não são somente o
futuro, eles são nossos presentes. Para ser professor alfabetizador é
necessário ter escuta ativa, sensibilidade, afetividade e olhar acolhedor.
Alfabetizar é complexo, então é indispensável considerar a criança em
sua inteireza, também indispensável receber formação continuada e em
serviço para pôr em prática os conhecimentos construídos […] obrigada
presidente Lula, o presidente da educação”, disse.
Ainda participaram da cerimônia o presidente da Câmara dos Deputados,
Hugo Motta, a Secretária da Secretaria de Educação Básica (SEB), Katia
Schweickardt, os governadores Helder Barbalho (Pará), Rafael Fonteles
(Piauí), Raquel Lyra (Pernambuco), Elmano de Freitas (Ceará),
Wanderlei Barbosa (Tocantins) e Daniel Vilela (governador em exercício
de Goiás), além de deputados (as), senadores (as), prefeitos (as),
educadores e alunos (as).

 

Compromisso e Selo
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada visa garantir o direito à
alfabetização das crianças brasileiras até o fim do 2º ano do ensino
fundamental. As iniciativas tem como foco a recuperação das
aprendizagens das crianças do 3º, 4º e 5º ano afetadas pela pandemia.
Na cerimônia, 4.187 municípios receberão o selo. Conforme o MEC,
2.592 cidades receberam o selo na categoria Ouro, 1.062 na categoria
Prata e 533 na categoria Bronze. Já os estados com o Selo Ouro são:
Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte,
Rondônia e Tocantins, além do Distrito Federal. O Selo Prata foi
entregue para: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraíba,

Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. O Selo Bronze para Alagoas, Rio
de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Na avaliação de entrega de Selos o Ministério analisou as iniciativas
adotadas por uma comissão e os critérios estabelecidos no Edital nº
10/2024 (MEC).

Fonte: Vermelho

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