Lula e líderes mundiais prestam homenagem ao ex- presidente Pepe Mujica
Morte de Mujica mobiliza reações de chefes de Estado e expoentes da
esquerda mundial; Lula confirmou presença no velório em Montevidéu
Publicado 14/05/2025 10:06 | Editado 14/05/2025 11:14
Foto: Reprodução
A morte de José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai e referência da
esquerda latino-americana, gerou manifestações de chefes de Estado e
lideranças políticas em diversas partes do mundo. Presidentes de Brasil,
Bolívia, Colômbia, Chile e Venezuela homenagearam o uruguaio que
morreu em decorrência de um câncer de esôfago.
Logo após a confirmação da morte, Lula publicou uma nota nas redes
sociais ressaltando a trajetória de Mujica. Para o presidente
brasileiro, “sua vida foi um exemplo de que a luta política e a gentileza
podem andar juntas. E que a coragem e a força podem vir
acompanhadas de humildade e desapego”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença no velório,
marcado para esta quarta-feira (14), em Montevidéu.
O ministério das Relações Exteriores também divulgou nota oficial,
definindo Mujica como “grande amigo do Brasil” e “um dos mais
importantes humanistas de nossa época”.
No Uruguai, o atual presidente Yamandú Orsi, aliado político de Mujica
na Frente Ampla, manifestou pesar pelo falecimento. Em sua nota,
destacou o legado deixado pelo ex-mandatário: “Presidente, militante,
referência e líder. Sentiremos muita falta de você, querido velho.
Obrigado por tudo o que você nos deu e pelo seu profundo amor pelo
seu povo”.
Na Argentina, a ex-presidenta Cristina Kirchner descreveu Mujica
como “um grande homem que dedicou sua vida à militância e à sua
pátria”. Cristina governou o país vizinho durante o mandato de Mujica e
manteve com ele uma relação de cooperação política.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro relembrou sua visita a
Montevidéu em dezembro de 2024, quando concedeu a Cruz de Boyacá
ao uruguaio, maior distinção civil da Colômbia. Em sua homenagem,
escreveu que “Pepe Mujica, o grande revolucionário, o presidente do
Uruguai, morreu. Adeus, amigo”.
“Espero que um dia a América Latina tenha um hino. Que a América do
Sul se chame Amazônia. Acredito firmemente que o projeto de
integração latino-americana passa por uma União Grancolombiana no
coração da nossa região”, completou.
Do Chile, Gabriel Boric publicou mensagem na qual rememora o último
encontro com Mujica, em sua chácara nos arredores de Montevidéu. Na
ocasião, plantaram juntos uma oliveira, símbolo que Boric resgata ao
escrever: “Você foi a convicção inabalável de que, enquanto nossos
corações baterem e houver injustiça no mundo, vale a pena continuar
lutando. Prometo que a oliveira florescerá. Obrigado pela vida e pelos
ensinamentos. Com você, esquecer será impossível”.
Já o governo da Venezuela publicou uma nota oficial lamentando a morte
de Mujica. O presidente Nicolás Maduro destacou que o uruguaio lutou
contra as ditaduras do seu país e contribuiu para os esforços de
integração da região.
“Durante sua carreira, ele se manteve firme contra as ditaduras que
assolaram seu país e, desde a presidência, promoveu políticas humanas,
contribuindo para os esforços de integração e unidade da região. A
Venezuela expressa seu respeito pelo falecimento de uma figura
profundamente ligada às causas justas da nossa América”, diz o texto.
Na Bolívia, o presidente Luis Arce publicou que “voe alto, querido Pepe!
Com o coração profundamente triste, nos despedimos de um verdadeiro
farol de esperança, humildade e luta pela justiça social”.
Arce escreveu ainda que “sua vida foi um testemunho de rebelião e amor
ao povo. Seu legado viverá em nossos corações, na história do Uruguai
e da Pátria Maior”. Evo Morales também se manifestou: “Nos dói
profundamente a partida do meu irmão Pepe Mujica. Sempre me recordo
de seus conselhos cheios de experiência e sabedoria. Ele foi um
fervoroso crente na integração e na Pátria Grande”.
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, qualificou Mujica
como “exemplo para a América Latina e para o mundo inteiro pela
sabedoria, pensamento e simplicidade que o caracterizavam”, e
expressou condolências à família e ao povo uruguaio.
Na Europa, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, escreveu
que “um mundo melhor. Foi nisso que Pepe Mujica acreditou, lutou e
viveu. A política faz sentido quando é vivida assim, com o coração. Meu
carinho mais profundo para sua família e para o Uruguai. Eterno Mujica”.
Jean-Luc Mélenchon, dirigente da França Insubmissa, afirmou
que “adeus, Pepe Mujica. Obrigado por toda a coragem que você nos
deu, obrigado pelo exemplo que foi, obrigado pela lição de vida que é
sua morte escolhida”.
Em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel decretou luto oficial e definiu
Mujica como “um dos líderes mais queridos e respeitados da esquerda
latino-americana”. No comunicado oficial, acrescenta que “sua morte é
uma grande perda para todos nós”.
Fonte: vermelho

