Bolsonaro tenta minimizar ataques às urnas e insinuação de suborno a ministros
Ex-presidente também disse que teve de “entubar” consagração de Lula
e que não soube, com antecedência, de operação PRF para dificultar a
chegada de eleitores do Nordeste
por Priscila Lobregatte
Publicado 10/06/2025 17:16 | Editado 10/06/2025 17:44
Bolsonaro durante interrogatório. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Ao ser interrogado nesta terça-feira (10) pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) sobre a trama golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou
amenizar seu discurso radical sobre as nunca provadas fraudes nas
urnas eletrônicas e minimizar a tentativa de golpe, voltando a dizer que
teria sempre jogado “dentro das quatro linhas da Constituição”.
Logo no início do interrogatório, o ministro Alexandre de Moraes, relator
do caso e presidente da sessão, listou uma série de falas feitas por
Bolsonaro e inseridas nos autos do processo, relativas à
descredibilização do sistema eleitoral e sobre ilações feitas sobre
suposta manipulação em favor do então candidato Luiz Inácio Lula da
Silva nas eleições 2022.
Na sequência, indagou qual seria, concretamente, os fundamentos que o
ex-presidente teria para alegar que havia fraude no sistema eleitoral.
Sem responder diretamente, Bolsonaro disse apenas que em 30 anos
anos como parlamentar, sua “retórica sempre foi parecida com isso” e
que “a questão da desconfiança, suspeição ou crítica às urnas não é algo
privativo meu”.
Em seguida, como forma de trazer algum lastro de credibilidade para
suas ilações, nunca provadas, citou outras autoridades que teriam feito
questionamento nessa linha.
Ainda sobre a hipótese de o sistema eleitoral ser inauditável e vulnerável
a fraudes, Bolsonaro também tentou amenizar suas acusações: “Se eu
exagerei na retórica, devo ter exagerado, com certeza, mas o meu
objetivo sempre foi mais uma camada de proteção para as eleições, de
modo que evitasse qualquer conflito, qualquer suspeição”.
Mais adiante, Bolsonaro foi questionado sobre insinuações suas de que
Moraes e outros ministros do Supremo, Edson Fachin e Luís Roberto
Barroso, atual presidente, teriam sido subornados no processo eleitoral
de 2022 no sentido de prejudicá-lo. “Quais eram os indícios que o senhor
tinha que nós estaríamos levando U$S 50 milhões, U$S 30 milhões?”,
perguntou Moraes.
Confrontado, o ex-presidente recuou: “Não tenho indício nenhum, senhor
ministro. Tanto é que era uma reunião para não ser gravada. Um
desabafo, uma retórica que eu usei. Se fossem outros três ocupando (os
postos nos tribunais) teria falado a mesma coisa. Então, me desculpe,
não tinha qualquer intenção de acusar de qualquer desvio de conduta”.
Eleições
Bolsonaro também disse desconhecer, com antecedência, de operação
da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizada no segundo turno de 2022
para dificultar a chegada de eleitores do Nordeste, onde Lula tinha
grande vantagem. Segundo ele, só teria ficado sabendo depois e afirmou
que nenhum eleitor teria deixado de votar.
Em outro momento, Bolsonaro disse que não havia “gana” de procurar
algo na Constituição que justificasse a revogação do resultado do pleito,
que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva.
“Não existia essa vontade. O sentimento de todo mundo era de que não
tínhamos mais nada o que fazer. Se tivesse que ser feito alguma coisa
seria lá atrás, via Congresso Nacional. Não foi feito, então, tínhamos que
entubar o resultado das eleições”, afirmou.
Em seguida, em claro desprezo a Lula e à vontade dar urnas, explicou
por que não quis entregar a faixa ao sucessor em 1º de janeiro de 2023:
“Eu não iria me submeter à maior vaia do Brasil, você há de concordar
comigo. Alguns dizem que muita coisa aconteceu porque eu não passei a
faixa. Não passei porque não ia me submeter a passar a faixa para esse
atual mandatário que está aí”.
Fonte: Vermelho

